Um novo Deus, para uma Nova Era

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Se eu tivesse uma capacidade de raciocínio, mas não o conhecimento que tenho hoje quando era aquela microscópica única célula, dois minutos apos a fecundação, e quando olhasse a distância, veria um oceano de líquido terminando numa casca, acreditaria que aquele era o inteiro universo, meu mundo se resumiria aquilo dentro da casca. Mas se nos dias seguintes visse meu corpo se transformando de formas mais simples para formas cada vez mais complexas, concluiria que estaria sendo objeto de uma evolução. Se nessa evolução, logo nos dias seguintes, desenvolvesse uma visão de raios-X e uma mente capaz de ver o passado, veria além da casca do ovo, o mundo dos meus pais, e os genomas deles produzindo aquele enorme Big Bang no centro do meu mundo quando a membrana do espermatozoide explodiu. E concluiria que além e antes do meu mundo é tudo natural, não existem seres supernaturais, e o processo pelo qual meu mundo foi feito é simplesmente um processo natural, sem nenhuma magica. E então também compreenderia que o que pensei ser evolução era, na verdade, uma ilusão, pois o que estava acontecendo dentro do meu mundo era um simples processo natural de reprodução genética. Nada supernatural, nada magico. E meu pai, e minha mãe, seriam meus deuses, o que mais amaria no mundo, mesmo eles sendo simplesmente naturais e incapazes de fazerem magicas.

Hoje estou sentado numa pedra grande que tem ao lado da porta da minha casinha numa pequena terra rural, ‘a meia-noite. Olho para o céu estrelado, penso que este é o meu mundo. Sei que o Universo esta se expandindo, então obrigatoriamente ele tem um limite, não é infinito. Mesmo que seja uma aureola de vácuo circundando-o, ele deve ter algo como a casca membranosa alem das últimas galaxias. E sei que o Universo teve início num Big Bang, similar ao do que ocorreu no primeiro instante da existência do meu corpo carnal. Tudo igual, me sinto como nos meus primeiros segundos neste mundo, um microscópico ser, que sente apenas as coisas naturais de seu mundo. Mas eu estudei muito, passei a vida carregando uma luneta para ver o céu e um microscópico rustico para ver as criaturinhas na lama dos pântanos. Sinto que minha mente se desenvolveu com as descobertas que fiz, como a existência da formula universal da Matrix/DNA, ao ponto de ter uma visão mais profunda e calcular com bom grau de probabilidade o que existe além das últimas galaxias. Também as Ciências Humanas e a minha fórmula me ajudaram a ver mais profundo no passado. Estou neste universo no ponto que estava alguns dias apos meu aparecimento como célulazinha no seu pequenino universo. E o que vejo além e no passado deste Universo, antes do meu aparecimento?

 

A fórmula universal mostrou as causas das existências de todas as coisas existentes dentro deste universo, e mais ainda, as causas de todos os eventos ocorridos nesta natureza universal. E para minha surpresa, tudo o que ela sugeriu bateu exatamente com minhas exigências racionais. Se ela sugeriu uma nova versão mais racional da Historia Universal, e nesta historia esta claramente revelado um longo processo de reprodução genética que ate ontem eu pensava, como meus amigos humanos, estar vendo evolução, então bastaria projetar a logica do processo ocorrendo aqui dentro deste mundo, para calcular o que deve existir alem e antes das fronteiras deste Universo. De certa forma adquiri uma visão de raios-X, pois agora olho o Universo pelos olhos de uma fórmula universal. Realizei os cálculos em enorme excitação e impaciência, pois intuitivamente eu sentia o que ia descobrir. E não foi surpresa quando vi, além e antes deste Universo, meus pais, naturais e auto-conscientes, mas nada de mágicas e nada supernaturais. São simples, mas sei que observam o universo engravidado, e esperam ansiosos pelo meu nascimento. Eles não desenharam este mundo onde estou, assim como minha mãe não desenhou a placenta que me envolveu e nutriu.  Assim existem os maus obstáculos, mas quando a coisa aqui vai mal, nós chutamos a barriga, gritando, rezando alto, então nossos pais percebem e administram alguma medicina, que meus irmãos aqui dizem ser “milagres que caíram do céu”… kkkkkk. São seres naturais, mas eu os amo como meus deuses. Aliás, os únicos deuses que tenho.

E agora admiro ainda mais aquele simples carpinteiro que um dia perguntado qual era o segredo fundamental deste mundo, ele levantou os olhos para o céu e disse: “Pai”. Em seguida abaixou os olhos à Terra, olhando seu corpo e disse: “Filho!”

Seus discípulos pensaram que quando ele olhou para si ele estava se vendo como Deus. Não, ele estava vendo seu corpo de homem, um corpo humano. O humano é o filho. Grande intuição! Se seus discípulos conhecessem estas coisas de DNA e genética, ao invés de filho ele teria dito “Genes”. Pois, na verdade, carregamos 8 bilhões de bolhas de auto-consciência com as quais estamos construindo-nos como o futuro filho. Mas mesmo assim, ele acertou na mosca!

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