A grande falha dos movimentos dos direitos humanos e igualdade: nada para que os beneficiados se suportem economicamente

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Resposta ao artigo:

The Cosmopolitan Tradition: A Noble But Flawed Ideal

https://iai.tv/articles/the-cosmopolitan-tradition-a-noble-but-flawed-ideal-auid-1255

A causa pela igual dignidade de todos os seres humanos tem que se bifurcar em duas tarefas: uma, na luta do respeito ao humano pela força da Justiça; a outra, o investimento na ajuda de recursos materiais para assentar os desrespeitados e mante-los no nível da dignidade. E` justamente neste ponto que estou encontrando oposição em todos estes movimentos, pois reafirmo que primeiro deve se assentar entre as vítimas, associações econômicas de consumo e produção, sendo a conquista da dignidade e sua manutenção apenas possível depois destas assentadas.

Como diz o texto:

“… the bifurcation of duties between duties of justice and duties of material aid has exercised a decisive influence on the course of international politics and on the developing human rights movement. We have a fairly well worked-out set of doctrines about duties of justice, which command wide assent and have become the basis for widely agreed accounts of “first-generation rights.” We have no equally worked-out doctrines on the other duties, those in the “second generation,” and we do not seem even to know where to begin, once we step outside of national boundaries.”

…. we do not seem even to know where to begin, once we step outside of national boundaries.” Este, a meu ver, o problema que tenho constatado em todos os defensores destes movimentos. Penso que uma intervenção drástica de um grupo interno a um pais desigual, ou da aliança internacional sobre as nações – geralmente pobres – com elevado nível de desigualdade, teria que combater a casta no poder primeiro. Mas isto não seria benéfico a longo prazo porque: primeiro, não conduziria o seu povo total ao auto-exorcismo dos três instintos animais divisores do todo em classes sociais; e segundo, seriam guerras sangrentas porque as castas preferem o suicídio que perderem seus privilégios. Basta pensar em nos, como lobos, tendo que libertar as ovelhas num território de leões. Como os leões têm caninos, não saberiam viver sem a carnificina sobre as presas, jamais se habituariam a comer vegetais, por isso, haveria guerras sangrentas.

Portanto, qualquer desejo de intervenção para mudança num sistema desigual tem que ser baseado num planejamento suave e a longo prazo. Vejo apenas a alternativa do boicote econômico promovido pelos dominados e sustentado pelos internacionais como factível. Lentamente a longo prazo inclusive a escassez impingida aos leões iria diminuindo seus caninos, e assim os perderiam sem reagirem com a predisposição ao suicídio pela guerra. 

Asked where he came from, Diogenes the Cynic answered with a single word: kosmopolitês, meaning, “a citizen of the world”. This moment, however fictive, might be said to inaugurate a long tradition of cosmopolitan political thought in the Western tradition.

A autora inicia sua tese com uma longa dissertação sobre o cosmopolitismo, ou ideia de cidadão do mundo, para depois explicar que essa ideia estaria na base de todos os movimentos pelos direitos humanos, igualdade e dignidade.

The cosmopolitan tradition has another deep problem, which lies in the realm of human psychology. Second-century CE Stoic emperor Marcus Aurelius’s work poses some questions relevant to the bifurcation of duties, asking us to ponder what type of treatment human dignity requires, if it is, as the Stoics hold, inalienable. What damage is done by slavery, for example, if the dignity of the slave is never affected by it?

Interessante e pertinaz questão, principalmente se levada ao meu modo de ver as origens humanas. Aqui, esta pergunta equivale a seguinte: “Afinal, não existem ovelhas cantando sua dignidade?” . Na verdade, ela não tem dignidade, se pode a qualquer momento ser estuprada pelo predador – e isso acontece no patriarcalismo ou matriarcalismo construído pelas proprias ovelhas. Mas as ovelhas pastam longe da colina onde habitam os predadores, e no nível baixo das ovelhas, dentre as ovelhas, tem aquelas que ostentam dignidade perante ovelhas. Não creio que isso seria problema para o cosmopolitano, pois ele poderia desmascarar essa dignidade perante as outras ovelhas facilmente.

Outra importante questao fe’:

Can a cosmopolitan politics provide real people with a basis for emotions toward one another sufficient to motivate altruistic conduct, without losing a sense of personal meaning? Surely some statements by Marcus, asking us to renounce close personal ties to family, city, and group, seem to threaten deep concern and the very sources of our motivation to act. They appear to leave us with a barren life in which nothing is worth loving or doing.

Percebemos pela fórmula dos sistemas que, num sistema fechado em si mesmo, todas as partes perdem sua identidade própria, e estas identidades perdidas vão constituir a identidade única do sistema, que reverte com regras sobre as partes. E nesse caso dos sistemas fechados, as partes tornam-se altruístas em relação ao sistema, senão todas caem, mesmo que o sistema seja egoísta. Um exemplo obvio seria a máfia de Al Capone. E todos os tipos de sistemas sociais criados pela humanidade ate agora começaram abertos mas com predeterminada tendência a se tornarem fechados em torno da casta dominante. Mas não tenho ainda estudado com profundidade a fórmula no seu aspecto de sistema aberto. Como seria o altruísmo das partes num sistema sem uma identidade reguladora? Todas as partes teriam que ser, em sui próprias, a autoridade reguladora. Mas dificilmente uma parte tem a visão do todo do sistema para saber como aplicar seu altruísmo em relação às partes mais distantes, já que as partes se diferenciam cada vez mais enquanto mais distantes. Apenas a experiência poderia elucidar isso. Quanto ao caso das emoções que se perderiam porque se perderia o senso de personalidade pertencente e dependente de famílias, amigos, etc., penso que, no sistema aberto, essa questão não existiria. Pois, a família nuclear atual daria lugar a sagrada família universal.

 

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