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Como Ser um Ateu que Acredita num Deus Natural

quarta-feira, dezembro 14th, 2011

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O menino ateu

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O motivo pelo qual escrevo estas linhas é forte. Pela oitava ou décima vez na minha vida cheguei ao ponto de me preparar para o suicidio. Para mim, a minha morte sempre foi vista como algo sem muita importancia, e até uma ocorrencia necessaria e bem-vinda. Preparei tudo nesta manhã, de maneira que quando saí à rua para comprar um café, novamente olhei o mundo como das outras oito ou nove vêzes, com o pensamento de que dentro de alguns dias êste mundo continuaria exatamente como está, apenas não teria mais a mim caminhando nas ruas, o que, para as pessoas daquela rua, seria indiferente. Tudo dependia de um resultado às duas horas da tarde, e eu sentia pelas probabilidades que o resultado me seria negativo. Quando voltei do café, tendo que permanecer quieto e à espera do resultado, procurei no computador o meu website e nêle, o vídeo com minha musica preferiada para meditação. Então deitei-me com as luzes apagadas, em estado meditativo, viajei pelos mundos imaginarios e fiz os discursos imaginarios que prefiro, justificando minha decisão, avisando o meu mundo imaginario, se êle não fizesse rápido alguma coisa para influenciar no resultado, êle nunca mais teria a minha visita. Avisei a imaginária Matrix/DNA que se ela não interferisse com suas cópias na Terra que estão dentro das pessoas que iriam decidir o resultado, ela perderia seu unico divulgador e defensor na Terra. Um ateu, e um agnóstico, não tem amigos imaginários, mas alguns tem imaginarias fôrças invisiveis naturais como aliadas. De repente o telefone tocou, antes da hora marcada. Era o resultado. Positivo! Batí palmas, rí sózinho, e despreparei o suicidio, planejei a nova vida, os próximos passos. Mas em meio à alegria que sentia, era impossível se esquecer de uma frase ouvida não sei onde: “Sou como gato, tenho mais que sete vidas!”. Isto já deixou de ser racional, causal, são dez ocorrências tão semelhantes que não suportam mais a hipótese de mera coincidências: algo de oculto ao meu conhecimento existe, sem sombras de duvidas. Algo que é uma fôrça, com poder de atuar na matéria, e como qualquer ateu racionalista, concluo que tem de ser uma fôrça natural, apesar de desconhecida, que não consigo ainda captar e entender. E como qualquer filósofo naturalista, não resisto a uma questão como essa, retornei ao ponto de meditação, recorrendo à memória do que é o mundo em que existo, para tentar obter uma resposta. Fiquei animado com a conclusão hipotética final: trata-se de fôrças que existiriam como ondas transmitindo sinais, como as ondas do som, invisíveis, imperceptiveis aos nossos sentidos, mas que existem e atuam na matéria. Ácho que esta hipótese é muito consistente, em bases racionais, lógicas, e me dará mais fôrça daqui para a frente, mas ela deveria ser partilhada, para igualmente dar mais fôrças às pessoas que aprecio. Por isso, sento-me perante esta máquina agora e escrevo o que vem a seguir:

Se você é um ateu intelectualizado, que não é ateu por ser ainda apenas um bárbaro, saiba que és o tipo de pessoa que muito aprecio e com quem seria imensamente grato partilhar a existência. Quando penso que o compreendo e acredito que conheço os motivos pelos quais és ateus, uma tristeza me abate. Sinto porque acredito que para seres o que és, passastes pelas sofríveis experiências das crises existenciais, as quais forjam a superestrutura de uma consciência que vence sua infancia mística. E sinto porque acredito que muitas vêzes choras no silêncio de sua consciência o pêso da solidão mental e as dores inflingidas pela agressividade do mundo sôbre os seres que são aqui gerados ainda pelo processo dos ovos abandonados ao tempo, aos predadores e ao próprio destino. Mas sinto orgulho de ti porque acredito que és um forte, o mais forte dos seres humanos, que vencestes fraquezas da espécie que a maioria ainda não o conseguiu. E sinto esperança em ti porque acredito que és um soldado pronto para lutar pela mesma causa que eu acredito e luto: a liberdade, a dignidade e a soberania cósmica para a Humanidade. E o estimo porque acredito que tens os mais elevados valores morais segundo os meus conceitos, uma moral que se impregna de sentimentos humanos da compaixão, do respeito e uma espécie do “auto-oferecimento” que conduz alguns dos menores órfãos e abandonados nas ruas da vida a procurarem seus semelhantes em iguais condições para juntos se reforçarem, adicionar fôrças para transformar êste mundo do estado de caos num mundo em estado de ordem onde todos possam serem felizes.

A ti, e apesar de eu ser ainda um perdedor e débil em fôrças, a quem não podes desviar atenção na sua luta para ouvir, grito esta mensagem, ao menos para saber que contas com apoio vinda da retaguarda do pelotão, que não existes como unico nesta escura solidão, cuja mensagem acredito que pode atuar como mais um estímulo e motivação para manteres a sua fôrça nas batalhas.

Aqui em baixo, ou na retaguarda do campo de batalha, passei por algumas experiencias que não percebestes, e penso que, se as conheceres, será bom para te manter forte, e o quero mais forte que eu, pois assim existe a possibilidade que de cima e da vanguarda estendas a mão para acelerar minha elevação e meu avanço tambem, enquanto que seu estiver acima e na vanguarda teria que interromper minha subida e avanço para lançar-lhe a mão e busca-lo para posições onde continuarias a existir como um necessario suporte.

Estas experiencias me conduziram a acreditar que ví algo do inimigo e da batalha que teremos à frente, elaborei uma teoria que peço a escute e analize, pois teorias às vêzes podem ser o guia certo e salvador, como é possível que a teoria do Higgs boson, que tem guiado os nossos Físicos nos planos de batalhas, se confirme como o objeto real, e asim ela nos conduziu a mais uma vitória.

O ateísmo nos aproxima por certas propriedades da mente, as quais nos conduzem, ambos, á busca de realizações dos mesmos sonhos, mesmos ideais, salvo pequenas diferenças. Êstes ideais são elaborados pelo estado mental ateísta que produz visões calculadas mas imaginarias diferentes do estado mental mistico. Uma destas visões diz respeito à existência da Vida no Universo. Nós supomos que nos milhões ou trilhões de astros existentes semelhantes aos nossos devem existir muitas outras formas de Vida. E seguindo nesta linha de raciocinio, nossa intuição nos leva ainda a supor que dessas formas de vida, algumas sejam inferiores e outras superiores, evolutivamente falando, em relação à nossa atual forma de vida. Não temos mais a pretensão dos misticos de que sejamos especiais, nos colodando nem no centro, nem no tôpo, nem no extremo da base: as probabilidades racionais sugerem-nos que estamos de algum modo, em algum ponto intermediário nessa escala evolutiva. Então temos quase como certo que existem no Universo formas de vida supeiores e talvez muito superiores à nossa. O que não conseguimos resolver é o problema do porque não nos contactam, não se mostram a nós, ou porque não passam por aqui, ao menos. Sinto-me como um elemento de uma tribo primitiva existindo no meio da selva amazônica, a qual ainda não é do conhecimento nos paises civilizados. Ou talvez alguns dos mais civilizados sabem da nossa existência, mesmo que seja através apenas de seus satélites espiões espaciais. Talvez estejam até explorando algo de nossas terras através de traidores conscientes ou inconscientes da nossa própria espécie. Talvez estejam até nos ajudando através de benfeitores conscientes ou inconscientes da nossa própria espécie. E talvez os selvagens da tribo na selva tenham alguma percepção que em outros lugares distantes, existam mais seres humanos, sejam brancos, ou igualmente amarelos, ou negros. Êstes “talvezes” são fortes, possuem consistências, porque são racionais, porque se destacam no nosso calculo das probabilidades.

Mas porque gasto nosso tempo dizendo isso, lembrando-o do que tenho quase certeza, já o sabes? Porque quero chegar no próximo ponto: “Consciência”. Da mesma forma que a acontece com a Vida, se aqui na Terra surgiu êste fenômeno mal compreendido que denominamos “auto-consciência da própria existência”, é provavel que no Universo e talvez alem dêle, existam outras formas de consciências. Nosso senso comum de ateísta e nossa humildade nos conduz a assim apostar: não somos a unica e central consciência existente no mundo. E da mesma forma que a Vida, devem existir auto-consciências menos evoluídas e outras mais evoluidas que nós. Talvez não existam, seria possível, mas não de acordo com um minimo calculo das probabilidades. E da mesma forma, nos perguntamos onde estão estas consciências mais evoluídas?! O que fazem agora? Terão algumas delas, ou muitas delas, o conhecimento de que aqui nêste pequeno ponto perdido da imensidão sideral, nêste infimo território de uma selva universal de astros e predadores como buracos negros, existem e vivem seres nos quais começa a despertar a sua mesma propriedade consciente?!

Como ateus temos uma visão de mundo especifica, uma moral especifica e sentimentos especificos humanos, diferente inclusive dos misticos. Nossa visão de mundo nos leva a supor que as possiveis e provaveis consciencias superiores existentes não tem conhecimento da nossa existencia e talvez nem mesmo do nosso nicho espacial existencial, apesar de que, assim como aqui de New York sabemos que existe o território da Africa, não sabemos o que existe nos rincões mais profundos de suas selvas. Eu viví de seis a sete anos na Amazônia, entrei em territórios onde não existem traços da passagem de outros brancos, e me lembro de ter visto, captado sinais de existências, e ouvido falar nos povoados da entrada, das existências de coisas que aqui desconhecemos ainda. Mas não somos fundamentalistas em nossa visão do mundo, sabemos que ela ainda é débil e cheia de êrros, e por isso tambem podemos supor que, talvez, consciências superiores existem em outros locais e talvez tenham conhecimento da nossa existência.

Quanto aos nossos sentimentos humanos especificos, nos levam ao próximo passo racional de supor que, na hipótese de existirem consciencias superiores e que tenham conhecimento de nossas existências, então suas consciencias não funcionam como a nossa. Não possuem os mesmos tipos de sentimentos que temos. Não são estabelecidas em cérebros “hard-wired” como são os nossos. Porque? Porque vemos que a superficie da Terra está coberta por uma biosfera em estado de caos, e vemos que nêste caos existem choros e ranger de dentes de consciências que aqui existem. São consciencias da nossa espécie humana, semelhantes a nós, e nosso tipo de snetimentos nos conduz a nos sentir-mos contrariados, incomodados, desejosos de atuar em cima destas ocorrencias. Não suportamos assistir às toruras de consciencias aqui e se tivermos o minimo poder de ação atuamos de fato para interromper estas torturas, não importa que quem esteja sendo torturado seja tambem mistico. Então nos lembramos da hipótese da existência de consciencias superiores que tem conhecimento da nossa existencia, que podem inclusive assistir-nos, por meios que podemos supor, enquanto existimos assim.

Esta hipótese é forte porque se sustenta facilmente no calculo racional das probabilidades. E então vem a inevitavel questão: porque não atuam para interromper estas torturas, se as consciencias aqui, mesmo que estejam no estado bárbaro ainda, são em todo caso suas semelhanças, de sua própria espécie?!

A resposta primeira, lógica e fatal, é: não são feitos do mesmo tipo de nossos sentimentos. Funcionam diferente, com outras conclusões, outros tipos de sentimentos e emoções, outra visão de mundo, outros comportamentos. A ponto de não entenderem que consciências aqui quando choram e imploram é porque estão mal e até mesmo sendo torturadas.

É por isso que um ateu não tem amigos imaginarios. Porque as consciências superiores não têm amigos, nem sabem o que é isso. Amizade é uma invenção real que funciona, mas apenas humana. Consciências superiores possuem nos seus semelhantes em estado evolutivo inferior a noção de “partes do meu tôdo”. É como as células superiores do cérebro devem considerar as células dos pés. Socorrem se podem, sentem suas dores, consideram-nas inprescindiveis porque precisam dos pés para se moverem, diferente das relações entre amigos. O ateu suspeita que consciências superiores são fôrças naturais que podem serem compreendidas, utilizadas e suas aliadas. Utilizadas como quando as células do pé mandam um sinal de alerta de perigo e as células do cérebro tomam providências, atuam como fôrças, que podem evitar o perigo.

E aqui chegamos a um nome: Deus. Porque? Porque os misticos existem antes de termos nascido e inventaram palavras, nomes como êsse. E tiveram seus pensamentos, suas conclusões de acordo com sua diferente visão do mundo, muitas vêzes forjadas sob tipos de torturas que felizmente nunca experimentamos. Nesta visão diferente chegaram a algumas conjecturas que se assemelham às nossas conjecturas. Uma delas é a respeito da hipótese de existir ao menos uma consciência alienigena superior à nossa. E a essa hipótese deram o nome de Deus. Apesar da hipótese ser quase a mesma para ateus e misticos, no seu prosseguimento conjectural produziram produtos finais que foram se distanciando entre si, de maniera que a mesma ou mesmas consciencias superiores hipotetizadas se tornam revestidas de qualidades e atributos muito diferentes. Uma destas diferenças é esta, onde as consciências dos “deuses” dos misticos funcionariam da mesma forma que a consciência humana. Esta diferença poderia ter sido produzida por diferenças entre as próprias consciencias humanas, entre ateus e misticos: para os misticos, as consciencias superiores, seus deuses, assistem e sentem as torturas humanas, mas nada fazem para evitar as torturas que acontecem e estão acontecendo pelo mesmo motivo que os valores morais e sentimentos dos misticos impedem que eles sintam vontade ou interêsse em fazê-lo. Para este tipo de ausencia de vontade e ação os misticos apresentam justificativas na forma como sua visão de mundo descreve a História, uma história em que torturas atuais seriam males necessários corretores de êrros passados executados por consciências com caráters imperfeitos. Assim as consciencias dos misticos seriam diferentes das consciencias dos ateus como nós, que jamais nos permitiriam nos manter-mos inertes perante tais cenas. Nossa consciências não nos conduzem a descrever a História da mesma forma, não encontra e não aceita de maneira alguma nenhum tipo de justificativas: somos impelidos instintivamente à ação para interromper qualquer tipo de tortura não apenas a consciencias nossas semelhantes, mas a qualquer ser vivo. Então a idéia que fazemos das possiveis consciencias supeirores não nos conduz a simpatizar com a palavra, o nome, “Deus”. Mas apesar do nome, temos algo em comum com os misticos, nossas razões nos levaram a supor a existência de consciencias superiores em nosso caso, e de ao menos uma, no caso de alguns misticos.

Supomos que entendamos e aceitamos essa palavra, êsse nome. Isto porque chegamos à conclusão que ao mesnos alguns misticos tambem, como nós, não apreciariam assistir às torturas, mas sabem que nada podem fazer para evita-las, e no seu desespero por tal impotencia, inventam imaginariamente suas Histórias, as quais os servem como emplastos. Não nos esquecemos que existem alguns misticos que poeraim sim, evitar cenas de torturas mas não o fazem e até se tornam protagonistas delas. Para com estes não temos diálogos e odiamos os seus deuses, inclusive o nome, a palavra.

Poderíamos aceitar o nome, se de repente descobrissemos que as consciencias superiores existentes possuem sentimentos com afinidades com os nossos, mas igualmente descobrissemos motivos racionais do porque não atuam. Não atuam porque não podem, não são magicas, são tão naturais como nós. Não existiria nenhuma consciência superior capaz de certas ações. Com todo seu conhecimento e poder que tal conhecimento lhes confere, a unica maneira de interromper certas torturas seria matando a vitima. E não acham certo fazer isso. É o caso de eliminar-se a doença de uma vaca aplicando-lhe uma injeçao mortal. Eu preferiria aplicar uma injeção mortal indolor a uma vitima sendo torturada do que vê-la continuar sob a tortura. Mas talvez vacilaria em fazê-lo se conhecesse algo indicando que a doença será de alguma forma curada e a vitima voltará a sorrir. Me sentiria mal se eu fôsse a causa de eliminar dela a sua possibilidade de sorrir. Talvez isto esteja ocorrendo com talvez possiveis consciencias susperiores que talvez tenham conhecimento de nossa existência e talvez estejam se sentindo mal com nossas cenas de torturas. São muitos “talvezes” mas note que um foi um efeito racional do outro como causa tambem racional, quer dizer, do nosso tipo de racionalização.

O que isto mudaria em nossas vidas? Se isto estiver realmente acontecendo? Me refiro à estas hipóteses sõbre possiveis consciências supeirores.

Em que esta teoria, elaborada por alguem na retaguarda da batalha, poderia ajudar soldados que descansam na frente de uma pausa na batalha e tentam planejar as próximas estratégias?

Para responder a isto, o soldado da retaguarda vai contar umas experiências que são desconhecidas aos guerreiros da frente. E por fim apresentar um desenho geral imaginado que resultou destas experiencias sôbre o que é, como é, quais as próximas intenções, do inimigo, e como serão as próximas batalhas. Antes de mais nada, menciono que tenho uma definição teórica para o nosso inimigo: ignorancia do significado da nossa própria existência e da existência dêste mundo, como causa de nossas impotencias e debilidades. Essa definição dá uma idéia ainda difusa, que não explica tudo, mas já serve para o soldado da frente decidir se continuará prestando atenção no ajudante da retagurada ou não. Por ora tenho que fazer uma pausa temporaria neste relato, mas antes de aqui voltar, peço que, se tiveres tempo disponivel d6e apenas uma olhada na pagina “Home” dêste website. Servirá para facilitar o entendimento do que diremos a seguir. Até já… vou agora ajudar a preparar o almoço para o batalhão…

(A seguir: a História do Green Card e do gatinho na neve sob o carro)