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Ser esquerdista, direitista ou centrista? Nenhum dos tres, segundo a Matrix/DNA

sexta-feira, fevereiro 2nd, 2018

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Todo brasileiro que se diz “esquerdista”, “socialista” e pior ainda, os que se declaram ” comunistas, deveria ver este video. Nao porque tem um homem desconhecido contando uma historia que nao faz parte do nosso mundo, e portanto, suspeito.  Pois a historia que ele conta nao precisa ser contada, ela e’ obvia. O comunista, o socialista vivendo num pais capitalista e’ um burro.

E para todo humano que nao e’ rico nem burocrata do governo ou do clero, seja em pais capitalista ou socialista,  seja muculmano ou judaico/cristao, que acha que o sistema capitalista mais sua religiao e’ a melhor opcao, precisa ver o segundo video, feito por norte-coreanos numa critica ao Oeste. nao se deve ter opiniao formada quandop apenas se conhece a opiniao de quem esta dentro, e’ preciso conhecer a opiniao de quem ve de fora tambem.

Para quem nasceu no sistema brasileiro dito “capitalista” numa familia de pobres, sera logico que ele sera contra o sistema de seu pais. Se ao sistema chamam de capitalism, ele sera contra o capitalismo. Mas reza a racionalidade que ser contra o capitalism nao signifique ser a favor de qualquer outro sistema social criado ate hoje por humanos, que ser chamado de monarquia, feudalism, socialism, comunismo, etc.  E burro sera o pobre que lutar contra o capitalism se ao mesmo tempo nao se por em alerta e defesa contra o comunismo. Pois se ele estiver lutando contra o capitalism, ele sera acercado pelo comunismo, e se ele se deixar fazer negocio aceitando ajuda do comunismo, tera sido pior para ele, seria melhor nao lutar contra o capitalismo.

Porque na verdade nao existe capitalism nem comunismo. O que existe sao predadores no poder e presas dominadas. Os predadores podem ser de duas ou tres especies, como leoes, aguias e tubaroes. Leoes querem o sistema em seu territorio no continente de uma maneira diferente que as aguias querem em seus territories no at e diferente do que os tubaroes querem no seu territorio oceanico. Faria sentido dizer que onde os leoes dominam e’ capitalismo e onde os tubaroes dominam e’ comunismo, e onde as aguias dominam e’ socialismo? Se num territorio os dominados tem que se comportarem como ovelhas, no outro como peixes e no outro como galinhas? Ora o que existe e’ a relacao predadores e presas. Se o peixe se deixar pegar pelo leao ou pela aguia tera a mesma sorte quando for pelo pelo tubarao.

Infelizmente as duas especies de predadores humanos que estao no poder sao especies que vivem no mesmo habitat, o solo dos continentes. Para as presas a diferenca e’ que estes dois grupos de predadores se guerreiam disputando o territorio e a posse de maior numero de presas. O que interessaria as presas se fossem exclusivamente racionais? Combater de alguma maneira as duas especies de predadores. Porem, existe um terceiro tipo de humano que talvez por uma mutacao casuistica genetica, nao tem o dom inato nem para ser presa, nem medio predador ou classe media, nem para grande predador, ou aristocracias. este luta contra as tres classes, ou contra quase todos os humanos. Ou melhor: contra este virus herdado do ancestral estado do animal irrracional chamado de instintos que se expressa dentro da psique dos humanos.

Pois se um mundo dominado por predadores e’ ruim para as presas, um mundo dominado pelas presas nao sobreviveria a mais que algumas poucas geracoes. A superpopulacao explodiria e a vegetacao desapareceria levando a extincao das presas. Entao, se e’ ruim para os pobres o capitalismo, tao ruim sera o comunismo. Existe uma solucao, uma terceira alternativa? Sim!

A cosmovisao da Matrix/DNA tem a solucao. Quando ela se resume numa frase: ” Nos somos 8 bilhoes de genes semi-conscientes construindo um embriao consciente”, ela fornece a chave necessaria e suficiente para a solucao. O conhecimento desta visao do mundo que conduz a reinterpretar de maneira diferente todos os detalhes dos fenomenos e eventos naturais do mundo real, conduz a ver o mundo que nos dirige ao auto-exorcismo destes tres instintos animalescos. Os instintos vem pela genetica, dominam o corpo fisico e modelam a psique que produz os comportamentos, porem nunca alcancam o nivel da consciencia. Esta significa um salto transcendente como e’ a transformacao de uma velha forma. Auto-exorcizado dos tres instintos que criaram todos os sistemas sociais humanos ate hoje, o novo ser vai procurar um novo tipo de sistema social, ou melhor, um arranjamento de humanos sem sistema algum. Pois onde tem sistema tem que ter nucleo e periferia e dai advem o predador e a presa.

Eu estou exorcizado dos tres instintos, gracas a minha escapada da senzala rumo ao mato, `a selva amazonica. Onde vi autenticos predadores e autenticas presas realizando seus autenticos papeis conscientes de suas situacoes, o suficiente para ver o caos e imperfeicoes em ambos que foi o suficiente para ter asco de ambos os estados, asco que virou-se contra estas presencas em mim como um veneno a ser expelido. mas este auto-exorcismo me levou a visao de mundo da Matrix/DNA, a qual foi oferecida gratuitamente ao homem para que ele nao precise ir a selva para obter o mesmo auto-exorcisismo. E eu tenho claro e completamente visualizado o projeto de um novo arranjamento social sem sistema e sem a presence desta divisao de poderes e classes sociais, sem ainda a utopica pretensao de querer fazer com humanos uma comunidade em que todos sejam iguais nos direitos e deveres. Pis nem Deus nao nos iria querer em tal utopia quando ele nos fez desiguais, sendo uns nascidos bonitos e outros nascidos feios, uns nascidos fortes e outros nascidos fracos, etc. E tal como eu automaticamente visualizei esta solucao, a todos que ocorrerem o auto-exorcisimo esta solucao surgira naturalmente.

E’ bom assistir o video principalmente para se inteirar da extraordinaria engenharia a que andam estes predadores de ambos os lados, como a riqueza lhes permite tanto tempo ocioso para elocubrarem suas tramas e estrategias de dominacao das ovelhas. No video faltou ao entrevistado mencionar o que alguns leitores mencionaram na secao dos comentarios:

E para aduzir sob o ponto de vista da Matrix/DNA, quando o entrevistado diz que quando a doutrinacao estiver completa nao existe mais retorno da prisao do Big Brother, porque os doutrinados nao vao desejar sair dela porque estarao entorpecidos mentalmente, isto e’ valido nao paenas para os dominandos mas tambem para os dominantes. Pois nas sociedades de abelhas e formigas, as rainhas sao tao prisioneiras do sistema como seus suditos. Elas nao podem de maneira alguma sair do especifico conjunto de regras ditados a seus comportamentos, e ditados geneticamente. Isto fica bem obvio quando vemos que estas sociedades sao a exata copia fiel da formula da Matrix em seu aspecto de sistema fechado em si mesmo, onde tal sistema cria uma entidade que o terranspassa e se volta contra todas suas partes, inclusive o nucelo, e esta entidade e’ quem impoe o equilibrio termodinamico do sistema. Portanto, o choque sera tambem da parte do Big Brother, porem ai sera tarde demais.

https://www.youtube.com/watch?v=y3qkf3bajd4

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https://www.youtube.com/watch?v=32amIqc3tTE

 

Porque a meditacao oriental e’ uma farsa e uma estrategia predatoria que explora os egoistas

sexta-feira, fevereiro 2nd, 2018

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Porque a meditacao oriental e’ uma farsa e uma estrategia predatoria que explora os egoistas

Neste video o entrevistado coloca em palavras certeiras o que sempre suspeitei: a busca do nirvana individual pela meditacao “espiritualista” e’ uma expressao do ser egoista igual a busca dos cristaos judaicos de se aliarem ao poder de Deus, ao inves de voltarem-se para a busca da uniao com os filhos terrenos de Deus. E minha suspeita sempre me lembrou da miseria dos povos hindus e do Nepal, Tibet, que nunca obtiveram ajuda nenhuma do “poder iluminado” destes gurus.

O autor defende que quando o mestre guru induz o discipulo occidental ( geralmente alguem de influencia na opiniao publica) a se desligar de todos os problemas e realidades deste mundo dizendo que isso o conduzira a experimentar paraisos que nao sao deste mundo – o que e’ impossivel para o ser humano – e’ explorado pela KGB sovietica que utiliza estes “idiotas inocentes uteis” para desviar a atencao do publico do que esta sendo feito na realidade. Em outras palavras e’ uma especie de Matrix.

Eu pratico isolamento pensativo ( minha contra-definicao para meditacao) porque procure desenvolver os cinco sensors do meu cerebro no sentido de captar mais informacoes ocultas no micro e no macrocosmos. Mas inicio esta pratica com a intencao de me melhorar para melhoe enxergar os problemas da minha humanidade e assim encontrar ideias, solucoes, antes de solucoes para meus problemas, solucoes para os problemas de todos os humanos com problemas. Desde que minha particular infvestigacao me levou a supor a existencia da formula natural para todos os sistemas naturais e que essa formula primeiro se manifestou neste mundo na forma de uma onda de luz no captavel pelos nossos sentidos, meu isolamento pensativo inicia vendo imaginariamente o mundo real com todos seus problemas e essa formula permeando esse mundo toda caotica e fragmentada quando eu suponho que conheco a formula no seu estado perfeito que se expressada a pleno vigor aqui com ela se corrigiria os defeitos-problemas.  Em outras palavras eu retrato na mente a realidade imperfeita em que estao imersos os humanos e comparo estes pontos de imperfeicao com os pontos correspondentes na formula perfeita, para tentar encontrar maneiras de eliminar os pontos imperfeitos substituindo-os pelos pontos da formula, que sao perfeitos. Eu praticava o exercicio em isolamento pensativo aplicando a formula a meu proprio corpo imaginando que a formula perfeita podia ser por mim acessada mentalmente e ingerida de maneira que ela corrigiria e limparia as imperfeicoes dos sub-sistemas do meu corpo, como atomos, celulas, orgaos, cerebro, e o acontecimento de que enquanto pratiquei quase que diariamente este exercicio por 30 anos quando nunca tive sequer uma dor de cabeca e nunca precisei tomar sequer um comprimido apesar das rudes e precarias condicoes de vida e indisciplinas devido as atribulacoes nao foi suficiente para me fazer acreditar que meu exercicio realmente funcionava, o que me levou a falta de vontade e motivacao para continua-lo. Isto se deveu ao meu estudo mais aprofundado do cerebro `a luz dos dados fornecidos pela moderna neurociencia, de onde deduzi que nao tem como o cerebro limitado humano captar e dirigir os componentes ou substancias desta formula, principalmente porque eu nao posso ver os pontos imperfeitos nos sub-sistemas do meu corpo para corrigi-los.

Portanto nao e’ uma mediatacao em busca de meu nirvana, de meu orgasmo espiritual, de meu esperto e ladino salto elevado para me por em contacto com os deuses. Nao quero subir e nao suportaria subir e me manter nas alturas se meus amados humanos continuarem embaixo. Nao quero ser o escolhido de Deus enquanto ele pune meu irmaos.  Prfiro ficar embaixo com meus irmaos pecadores lutando contra qualquer deus castigador de humanos.

Entao sempre fui contra essa ladainha de que os mestres orientais conseguem ultrapassar umbrais e alcancarem iluminacao nao acessivel aos comuns dos mortais, nunca acreditei nisso, e o autor que pertenceu a KGB a qual colocou todo seu poder investigando estes gurus e que ele mesmo frequentou estes gurus como discipulo ao lado de celebridades ocidentais e viu todo o circo de farsas armado, vem confirmar o que sempre suspeitei.

Sou mente aberta `a possibilidade do que dizem os mediuns ter alguma verdade, sou aberto a possibilidade de que haja vida apos a morte mesmo porque na minha investigacao os meus modelos teoricos estao sugerindo que exista vida consciente apos a morte do corpo, mas como nao sei se existe ou nao, observo que os mediuns nao precisam de cursos e treinamentos pois eles nascem assim e isso pode ser uma mutacao genetica aprimorando a expressao de alguns dos sensors cerebrais. Todos os mediuns que conheci disseram nao saber como a mediunidade lhes acontece, nao tentam nunca fazer proselitos pois parece que sabem que os comuns nao sofreram a mutacao e portanto nunca iriam consegui-lo, que o fenomeno e’ inato e nao tem como provoca-lo. Bem ao contrario do que insinuam os mestres da mediatacao com seu aceno do alcance de uma dimensao iluminada para cerebros que simplesmente nao tem o aparato fisico  necessario para tal.

Importante ver o que diz o entrevistado sobre este assunto no video que esta na altura dos 48:00 minutos:

https://www.youtube.com/watch?v=y3qkf3bajd4

Traducao de algumas palavras do video:

” Este ‘e Maharishi, grande espiritual lider ou grande charlatao, depende do seu angulo de vista. Os Beetles e Mia Farrow foram seus discipulos e O KGB se interessou por este homem porque estas celebridades voltavam a seus paises fazendo justamente o tipo de propaganda que a KGB aprecia depois de fazer uma lavagem cerebral nestes idiotas uteis e impressiona-los com uma mentira. Meditar significa se isolar do corrente estado policito e social economico. O guru diz que meditar e’ se recolher numa bolha onde os problemas reais deixam de serem problemas e sao solucionados, entao dizem para o discipulo deixarem o barco navegar, para nao se envolverem no mundano. Isto e’ exatamente o que o que o governo sovietico quer dos Americanos, que desviem sua atencao dos fatos economicos e socio-politicos para dirigir a atencao ao mundo nao existente, ao “mundo dos nao-problemas”, das vibracoes cosmicas, etc.

Corrupcao no Brasil e a Historia dos Predadores Oligarquicos

sexta-feira, fevereiro 2nd, 2018

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Os primeiros registros de práticas de ilegalidade no Brasil, que temos registro, datam do século XVI no período da colonização portuguesa. O caso mais freqüente era de funcionários públicos, encarregados de fiscalizar o contrabando e outras transgressões contra a coroa portuguesa e ao invés de cumprirem suas funções, acabavam praticando o comércio ilegal de produtos brasileiros como pau-brasil, especiarias, tabaco, ouro e diamante. Cabe ressaltar que tais produtos somente poderiam ser comercializados com autorização especial do rei, mas acabavam nas mãos dos contrabandistas. Portugal por sua vez se furtava em resolver os assuntos ligados ao contrabando e a propina, pois estava mais interessado em manter os rendimentos significativos da camada aristocrática do que alimentar um sistema de empreendimentos produtivos através do controle dessas práticas.

Um segundo momento refere-se a extensa utilização da mão-de-obra escrava, na agricultura brasileira, na produção do açúcar. De 1580 até 1850 a escravidão foi considerada necessária e, mesmo com a proibição do tráfico, o governo brasileiro mantinha-se tolerante e conivente com os traficantes que burlavam a lei. Políticos, como o Marquês de Olinda e o então Ministro da Justiça Paulino José de Souza, estimulavam o tráfico ao comprarem escravos recém-chegados da África, usando-os em suas propriedades. Apesar das denúncias de autoridades internacionais ao governo brasileiro, de 1850 até a abolição da escravatura em 1888, pouco foi feito para coibir o tráfico. Isso advinha em parte pelos lucros, do suborno e da propina, que o tráfico negreiro gerava a todos os participantes, de tal forma que era preferível ao governo brasileiro ausentar-se de um controle eficaz. Uma fiscalização mais rigorosa foi gradualmente adotada com o compromisso de reconhecimento da independência do Brasil. Um dos países interessados em acabar com o tráfico escravo era a Inglaterra, movida pela preocupação com a concorrência brasileira às suas colônias açucareiras nas Antilhas.

Com a proclamação da independência em 1822 e a instauração do Brasil República, outras formas de corrupção, como a eleitoral e a de concessão de obras públicas, surgem no cenário nacional. A última estava ligada à obtenção de contratos junto ao governo para execução de obras públicas ou de concessões. O Visconde de Mauá, por exemplo, recebeu licença para a exploração de cabo submarino e a transferiu a uma companhia inglesa da qual se tornou diretor. Prática semelhante foi realizada por outro empresário brasileiro na concessão para a iluminação a gás da cidade do Rio de Janeiro, também transferida para uma companhia inglesa em troca de 120 mil libras. O fim do tráfico negreiro deslocou, na República, o interesse dos grupos oligárquicos para projetos de grande porte que permitiriam manter a estrutura de ganho fácil.

A corrupção eleitoral é um capítulo singular na história brasileira. Deve-se considerar que a participação na política representa uma forma de enriquecimento fácil e rápido, muitas vezes de não realização dos compromissos feitos durante as campanhas eleitorais, de influência e sujeição aos grupos econômicos dominantes no país (salvo raras exceções). No Brasil Império, 1822-1889, o alistamento de eleitores era feito a partir de critérios diversificados, pois somente quem possuísse uma determinada renda mínima poderia participar do processo. A aceitação dos futuros eleitores dava-se a partir de uma listagem elaborada e examinada por uma comissão que também julgava os casos declarados suspeitos. Enfim, havia liberdade para se considerar eleitor quem fosse de interesse da própria comissão. A partir disso ocorria o processo eleitoral, sendo que os agentes eleitorais deveriam apenas verificar a identidade dos cidadãos que constava na lista previamente formulada e aceita pela comissão.

Com a República, proclamada em 1889, o voto de “cabresto” foi a marca registrada no período. O proprietário de latifúndio apelidado de “coronel” impunha coercitivamente o voto desejado aos seus empregados, agregados e dependentes. Outra forma constante de eleger o candidato era o voto comprado, ou seja, uma transação comercial onde o eleitor “vendia” o voto ao empregador. A forma mais pitoresca relatada no período foi o voto pelo par de sapatos. No dia da eleição o votante ganhava um pé do sapato e somente após a apuração das urnas o coronel entregava o outro pé. Caso o candidato não ganhasse o eleitor ficaria sem o produto completo. Deve-se considerar que a maior parte das cidades não possuía número de empregos suficiente que pudessem atender a oferta de trabalhadores, portanto a sobrevivência econômica do eleitor/empregado estava atrelada a sujeição das vontades do coronel.

Outro registro peculiar desse período é o “sistema de degolas” orquestrado por governadores que manipulavam as eleições para deputado federal a fim de garantir o apoio ao presidente, no caso Campos Sales (presidente do Brasil de 1898 a 1902). Os deputados eleitos contra a vontade do governo eram simplesmente excluídos das listas ou “degolados” pelas comissões responsáveis pelo reconhecimento das atas de apuração eleitoral. Todos os governos, até 1930, praticavam degolas.

Uma outra prática eleitoral inusitada ocorreu em 1929, durante as disputas eleitorais à presidência entre os candidatos Júlio Prestes (representante das oligarquias cafeicultoras paulistas) e Getúlio Vargas (agregava os grupos insatisfeitos com o domínio das oligarquias tradicionais). O primeiro venceu obtendo 1 milhão e 100 mil votos e o segundo 737 mil. Entretanto os interesses do grupo que apoiava Getúlio Vargas, acrescido da crise da Bolsa de Nova York, que levou à falência vários fazendeiros, resultou numa reviravolta do pleito eleitoral. Sob acusações de fraude eleitoral, por parte da aliança liberal que apoiava o candidato derrotado, e da mobilização popular (Revolução de 30), Getúlio Vargas tomou posse como presidente do país em 1930. Talvez essa tenha sido uma das mais expressivas violações dos princípios democráticos no país onde a fraude eleitoral serviu para a tomada de poder.

Durante as campanhas eleitorais de 1950, um caso tornou-se famoso e até hoje faz parte do anedotário da política nacional: a “caixinha do Adhemar”. Adhemar de Barros, político paulista, era conhecido como “um fazedor de obras”, seu lema era “Rouba, mas faz!”. A caixinha era uma forma de arrecadação de dinheiro e de troca de favores. A transação era feita entre os bicheiros, fornecedores, empresários e empreiteiros que desejavam algum benefício do político. Essa prática permitiu tanto o enriquecimento pessoal, para se ter uma idéia, em casa, Adhemar de Barros costumava guardar para gastos pessoais 2,4 milhões de dólares, quanto uma nova forma de angariar recursos para as suas campanhas políticas.

O período militar, iniciado com o golpe em 1964, teve no caso Capemi e Coroa- Brastel uma amostra do que ocultamente ocorria nas empresas estatais. Durante a década de 80 havia um grupo privado chamado Capemi (Caixa de Pecúlios, Pensões e Montepios), fundado e dirigido por militares, que era responsável pela previdência privada. O grupo era sem fins lucrativos e tinha como missão, gerar recursos para manutenção do Programa de Ação Social, que englobava a previdência e a assistência entre os participantes de seus planos de benefícios e a filantropia no amparo à infância e à velhice desvalida. Este grupo, presidido pelo general Ademar Aragão, resolveu diversificar as operações para ampliar o suporte financeiro da empresa. Uma das inovações foi a participação em um consórcio de empresas na concorrência para o desmatamento da área submersa da usina hidroelétrica de Tucuruí (empresa estatal). Vencida a licitação pública em 1980 deveria-se, ao longo de 3 anos, concluir a obra de retirada e de comercialização da madeira. O contrato não foi cumprido e o dinheiro dos pensionistas da Capemi dizia-se que fora desviado para a caixinha do ministro-chefe do Sistema Nacional de Informações (SNI), órgão responsável pela segurança nacional, general Otávio Medeiros que desejava candidatar-se à presidência do país. A resultante foi a falência do grupo Capemi, que necessitava de 100 milhões de dólares para saldar suas dívidas, e o prejuízo aos pensionistas que mensalmente eram descontados na folha de pagamento para a sua, futura e longínqua, aposentadoria. Além do comprometimento de altos escalões do governo militar o caso revelou: a estreita parceria entre os grupos privados interessados em desfrutar da administração pública, o tráfico de influência, e a ausência de ordenamento jurídico.

Em 1980 o proprietário da Coroa-Brastel, Assis Paim, foi induzido pelos ministros da economia Delfim Netto, da fazenda Ernane Galvêas e pelo presidente do Banco Central, Carlos Langoni, a conceder à Corretora de Valores Laureano um empréstimo de 180 milhões de cruzeiros. Cabe ressaltar que a Coroa-Brastel era um dos maiores conglomerados privados do país, com atuações na área financeira e comercial, e que o proprietário da Corretora de Valores Laureano era amigo pessoal do filho do chefe do SNI Golbery do Couto e Silva.

Interessado em agradar o governo militar, Paim concedeu o empréstimo, mas após um ano o pagamento não havia sido realizado. Estando a dívida acumulada em 300 milhões de cruzeiros e com o envolvimento de ministros e do presidente do Banco Central, a solução encontrada foi a compra, por Paim, da Corretora de Valores Laureano com o apoio do governo. Obviamente a corretora não conseguiu saldar suas dívidas, apesar da ajuda de um banco estatal, e muito menos resguardar o prestígio dos envolvidos.

A redemocratização brasileira na década de 80 teve seu espaço garantido com o fim do governo militar (1964-1985). Em 1985 o retorno dos civis à presidência foi possível com a campanha pelas Diretas-Já, que em 1984 mobilizou milhares de cidadãos em todas as capitais brasileiras pelo direito ao voto para presidente. Neste novo ciclo político o Impeachment do presidente Collor constitui um marco divisor nos escândalos de corrupção.

Durante as eleições para presidente em 1989 foi elaborado um esquema para captação de recursos à eleição de Fernando Collor. Posteriormente, foi revelado que os gastos foram financiados pelos usineiros de Alagoas em troca de decretos governamentais que os beneficiariam. Em abril de 1989, após aparecer seguidamente em três programas eleitorais, Collor já era um nome nacional. Depois que Collor começou a subir nas pesquisas, foi estruturado um grande esquema de captação de dinheiro com base em chantagens e compromissos que lotearam previamente a administração federal e seus recursos. Esse esquema ficou conhecido como “Esquema PC”, sigla baseada no nome do tesoureiro da campanha, Paulo César Farias, e resultou no impeachment do presidente eleito. Segundo cálculos da Polícia Federal estima-se que este esquema movimentou de 600 milhões a 1 bilhão de dólares, no período de 1989 (campanha presidencial) a 1992 (impeachment).

Nossa breve história da corrupção pode induzir à compreensão que as práticas ilícitas reaparecem como em um ciclo, dando-nos a impressão que o problema é cultural quando na verdade é a falta de controle, de prestação de contas, de punição e de cumprimento das leis. É isso que nos têm reconduzido a erros semelhantes. A tolerância a pequenas violações que vão desde a taxa de urgência paga a funcionários públicos para conseguir agilidade na tramitação dos processos dentro de órgão público, até aquele motorista que paga a um funcionário de uma companhia de trânsito para não ser multado, não podem e não devem mais ser toleradas. Precisamos decidir se desejamos um país que compartilhe de uma regra comum a todos os cidadãos ou se essa se aplicará apenas a alguns. Nosso dilema em relação ao que desejamos no controle da corrupção é esquizofrênico e espero que não demoremos muito no divã do analista para decidirmos.

Profa. Dra. Rita Biason
Departamento de Relações Internacionais
UNESP – Campus Franca
Publicado em:
http://www.contracorrupcao.org/2013/10/breve-historia-da-corrupcao-no-brasil.html