A EMBRIOGÊNESE DA AUTO-CONSCIÊNCIA E O INTERNAUTA INTELECTUAL

A cabeça humana exerce – macro-evolucionariamente – a função de um “ovo” onde está sendo gestada esta grande novidade conhecida como a “auto-consciência”, o cérebro faz a placenta neuronial que manifesta o embrião mental através dos flashes dos circuitos de energia das sinapses, que são projeções das atividades neuroniais,  estes flashes que se parecem com os raios cortando as nuvens, e esta imagem toda revela como a mente está adquirindo forma fisica nos mesmos moldes da Matriz. No meio dessa nuvem e entre raios surgem flashes de figuras parecendo estrelas, quasares, significando os futuros órgãos deste novo e revolucionário sistema.  Ainda sem abrir seu próprio olho – a terceira visão? – este embrião mental já tem que lutar para manejar o timão do corpo dirigindo-o para satisfação de suas necessidades que não são as mesmas do corpo. Embaraçoso conflito interno em nossas cabeças, justificando Nieztche quando dizia: “O Homem é uma ponte: perigosa travessia.” 

Além da cabeça existem os acessórios usados para nutri-la e carrega-la, acessórios reunidos num conjunto que denominamos “corpo”. Portanto o corpo faz o papel da mãe gestante, e enquanto o cérebro e a gestante carnal se alimentam de matéria organica, a mente ainda abstrata se alimenta de informação, igualmente abstrata, na sua própria dimensão.

A maioria dos seres humanos expressam mais sua parte material organica, em detrimento do desenvolvimento desse embrião mental, que permanece assim raquitico e aprisionado dentro de uma cela óssea. Porém, alguns seres humanos (como eu), por motivos de infortunio na vida ou, no outro extremo,  por ter nascido com demasiados privilégios, habituaram este embrião a exercitar-se e “comer muita informação” , e assim fortalecido, de dentro de sua cela ele quase tem controle total sobre o cérebro do ser carnal. Resultado?

A mente adora o conforto intra-uterino tal como qualquer embrião carnal. Dali ela não quer sair, a não ser quando obedece aos instintos quanticos, aqueles que na origem do Universo fazia com que os vórtices spin right, isolados, procurassem se fundir com os spin left, para vencer a solidão mental de uma cela escura.  Mas ela quer devorar informação. Isto explica porque muitas pessoas – e cada vez aumenta o numero delas – estão passando 8, 12 horas por dia sentados na frente do computador.

Se eu puder, não saio de casa. Só em pensar no mundo louco, agitado, agressivo, que existe lá fora na rua, e a massificação da estupidez gerada pela luta pela sobrevivencia, que impede a calma na troca de informação sobre o progresso do conhecimento a respeito das macro e micro dimensões invisiveis, sobre a existencia filosofal… me faz resistir o maximo possivel saboreando um minuto a mais o meu conforto intra-uterino.  

A grande massa está errada, perpetuando esse ciclo carnal, animalizado, do nascer, se reproduzir, trabalhar, morrer, nascer, se reproduzir, trabalhar, morrer… O grande salto transcendente para a forma de energia pura mental vai sendo adiado, mas como neles a mente ainda embrionaria e raquitica nada pode comunicar de si, não se dão conta do absurdo de suas existências.

Porém, o outro menor grupo, não está muito certo também. Como disse o Don Juan de Carlos Castãneda, “você está neste mundo como homem, portanto, lute e viva como homem.” Infantil ainda a mente não tem muita responsabiliudade e resiste a aceitar esta realidade: a de que a Màe que a carrega não pode existir parada apenas brincando com ela e amamentando-a. A mãe tem que sair para o trabalho, senão o corpo morre e com ele vai a mente tambem.

Devemos expressar mais a nossa existência mental em detrimento da nossa existência animal, ou vice-versa?

Qual será a forma mais inteligente de resolver este impasse? Eu preciso ver se alguém tem melhor idéia que eu, por ora jogo a minha no ar.

Em macro-evolução universal, a todo salto transcendente mutacional para um novo e inédito tipo de sistema mais complexo ( seja no salto do sistema atomico para sistema estelar, seja do sistema reptiliano para o sistema mamifero, etc.), aplica-se a lei inexorável: numa primeira fase o novo sistema, ainda na sua fase embrionaria, é um ovo botado fora e abandonado á própria sorte, mas passado certo estágio ele obrigatóriamente entra na segunda fase que é a do ovo mantido dentro, cuidado e nutrido até completar a maturação ou “maioridade” ( as galáxias fazem isso, basta ver LUCA, e os sistemas biológicos ficaram botando ovo fora até os répteis e depois passaram a manter o ovo dentro com os mamiferos). Como uma novidade no Universo, este novo sistema denominado “auto-consciencia” que recem surgiu num cérebro primata, está na fase do ovo botado fora e abandonado á própria sorte. Não se surpreenda portanto com tantas tragédias acontecendo com seres humanos, tanta imprevisibilidade que nos leva a desconfiar da existência de um reino de Deus e acabar acreditando que estamos no reino do acaso absoluto.    

 Ora, se um corpo humano não se concentrar na matéria à sua volta, vigiando sempre, será devorado por algum predador, e se não se concentrar na caça ao alimento organico, não sobrevive. O pássaro na selva fica atento a qualquer ruido enquanto caça e para dormir sobe no mais alto da arvore onde nem as serpentes alcançam. Esta concentração do cérebro carnal significa entorpecimento do raciocinio abstrato, a mente está algemada e encarcerada. Mas se um corpo humano não arregaçar as mangas, inspirar energia, inflar o peito e sair para a luta que consiste em remexer a matéria, a mente não consegue o conforto intra-uterino de um lar. 

Raios. Não quero ir à rua. Quero ficar nos livros e nos computadores, como por exemplo, assistindo o debate entre religiosos e ateus, onde às vezes “pinta”  interessantes assuntos com suculentas informações, como a que vejo agora: a segunda lei da termodinamica, entropia,  não é uma barreira para acontecer a abiogenese. O computador na minha casa está num ambiente confortavel e aconchegante. Não quero sair na rua. Mas, raios, o corpo da mãe fica me pressionando com as forças e contorções do parto me empurrando, querendo obrigar-me a nascer para a luz natural lá fora… onde faz frio, muito frio.

– “Força Luiz, levante-se dessa cadeira, saia para a caça, seu corpo vai se atrofiar, os “bills”chegam inexoravelmente no fim do mes, e você não quer matar sua mãe de fome nem assisti-la sendo expulsa de casa pelo senhorio, quer?” – fica sussurrando no meu ouvido uma voz vindo do eu carnal. Eu dou um “tapa” do lado como afugentando essa voz intrometida e continuo escrevendo no computador…

Bem… continuando esse papo, vou atirar no ar minha opinião…

– “Ooopsss… o que você disse, ó meu eu carnal?”

– ” Levante-se senão…”

Sabem de uma coisa? Deixarei minha opinião para mais tarde… agora preciso sair à rua… 

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