Qual deve vir primeiro: uma visão do mundo ou a ciência?

Na controvérsia entre crentes e ateus – ou mais exatamente, entre evolucionistas ateus e evolucionistas criacionistas do Intelligent Designer – os ateus estão afirmando que primeiro se deve fazer Ciência e só depois então, baseando-se nos fatos estabelecidos cientificamente, se pode extrair uma correta ou mais efetiva visão do mundo. Acho que as religiões fazem justamente o contrário, ou seja, primeiro um livro contendo a “sagrada escritura” expõe a visão do mundo e depois interpreta os fatos segundo essa visão. Se estou certo no tocante à atitude dos religiosos, pergunto: “E você? O que pensa? O que deve vir primeiro?

Lembrando que sou agnóstico deísta naturalista (se quiser pergunte que explico), antes de expor minha opinião gostaria de lembrar uma história que escrevo no meu livro a qual servirá aqui como uma boa analogia.

Os homens fizeram uma màquina tentando imitar o cérebro e chamaram-na de “computador”. Dotaram esta máquina de sensores próprios, como os visores telescópicos imitando os olhos, sensores termoelétricos para tatearem e sentirem temperaturas, densidades, imitando os dedos, auditores imitando a audição, etc.. Em seguida puseram êsse robot dotado de cérebro e tentáculos numa nave e inseriram instruções na máquina para navegar no espaço e coletar informações. Ou então enfiaram estes sensores no micro mundo dos átomos e proteínas e células para as informações saírem como gráficos ou imagens nas telas dos computadores. Pois bem. O cérebro elétro-mecânico invadiu assim o macro e o microcosmos, obedecendo as instruções do cérebro humano. Captou informações e as trouxe entregando-as de bandeja ao cérebro humano que as absorveu, analizou e em cima destas informações reprogramou a máquina e a enviou de volta. Tal procedimento foi feito um sem fim de vezes e continua sendo feito. Hoje em dia, eu penso que grande parte da nossa incrivel evolução cientifica nos ultimos 50 anos está baseada nestas informações invisiveis a olho nu, impossiveis de serem detetadas pelo complex sensorial humano. O que nos informa o mecanismo do ciclo de Krebs ou da fotossintese dentro de uma mitocondria, senão aparelhos que servem como extensões do nosso complexo sensorial? Como sabemos que tem um planeta opaco orbitando uma estrela em outra galáxia?

Foi uma espetacular vitória humana desde que Galileu desenvolveu a lente da luneta e viu coisas no céu a séculos atrás que ainda hoje, qualquer ser humano, a olho nu, olhando para o céu, jamais iria saber que tais coisas existem. Mas… (e sempre existe um mas…) talvez este recurso de pesquisa tenha um catastrófico efeito colateral. Pois pense no seguinte…

Na primeira operação o cérebro humano era o informado, enquanto o cérebro eletro-mecânico, totalmente estúpido, ignorante. Portanto o cérebro humano dominava a situação e prova disso é que ele forneceu informações suas, genuinamente humanas, captadas com os cinco sentidos do complexo sensorial humano. Como um escravo dócil o cérebro eletro-mecânico partiu para a colheita empregando seus tentáculos. Trouxe umas tantas novas informações jamais imaginadas pelo cérebro humano, o qual as absorveu admirado. E assim, admirado, instruído por essas novas informações,  ele direcionou o cérebro eletro-mecânico a novos lugares especificos visando melhor entender aquelas informações e captar mais informações relacionadas às primeiras. Lá se foi de novo o cérebro-eletromecânico para regiões longinquas, às quais o homem não pode ir, estendeu seus tentáculos com sensores, e retornou para passar informação ao cérebro-humano. Como quem diz:  eis aí a base para que me reprogrames,… enquanto, sem você notar, eu já o reprogramei. Como?!

Imagine que mum planeta gigantesco maior que Jupiter exista vida, e seres quase iguais aos humanos, e a nave minuscula, menor que uma môsca para os jupiterianos, se aproxime perto de um casal se namorando deitados na relva. O barulho dos beijos, o borbulhar e troca de salivas vai ser captado pelos sensores do computador como ruídos de ondas de maremotos, erupções vulcânicas, etc. E assim por diante, tudo o que for gravado e micro-observado ao nível de um micro-organismo será errôneamente interpretado aqui na Terra. Um planeta romantico, florido, passa a ser para nós um mundo de ambiente caótico, inóspito para a vida.

Os sensores de um cérebro eletro-mecânico faz com que ele esteja sob os mesmos efeitos que qualquer observador relativista. Cada tipo de observadores,  diferentes em termos de espaço-tempo, vai captar apenas dados relativos à sua dimensão espaço-temporal, seus sensores selecionam alguns dados e descriminam outros, ignorando-os. Uma formiga passeando na minha mesa agora olha para a frente e vê a letra “l” na tela do meu monitor, enquanto eu olhando para a frente, para o mesmo lugar que ela, estou vendo um monitor, um longo texto, centenas ou milhares de letras outras que o “l”.

Retorno à pergunta acima: “Estariam corretos os cientificistas fundamentalistas  quando afirmam que primeiro aplique-se a Ciência e só depois então formule sua visão de  mundo?”

Sou ferrenho defensor do método cientifico, adoro a Ciência, mas recuso-me a aceitar essa crença dos materialistas. Por exemplo, reunindo todos os poucos dados reais que temos hoje que fundamentam a Teoria do Big Bang, e rearrajando-os, conectando-os de outra maneira, se nos delineia um quadro totalmente diferente dêsse que a teoria elaborou e está sendo ensinada nos bancos escolares como processo pelo qual se deu as origens e primeiras expansões do Universo. Se eu pudesse por uma nave minuscula dentro de um óvulo não-fecundado, fazê-la estacionar no centro do óvulo, e ficar filmando a chegada do espermatozóide, o momento que rompe seu imvólucro espermático e libera os genes masculinos, e como eles se alinham com seus respectivos parceiros femininos, acho que a nave ia informar: “Atenção, uma coisa estranha está adentrando o espaço, parece uma nave extra-terrestre, quero dizer, extra-ovular, a nave está pousando, a nave parece que vai abrir uma port… buuummmm… ei, a nave explodiu, e que big bang!, e estão descendo os passageiros ( mas que raios de engenheiros burros são estes que para desembarcarem, ao invés de fazerem portas é preciso explodir a nave?!) e, ei, os passageiros são da mesma espécie dos bichinhos que estavam aqui antes nadando, e agora estão todos se reunindo em pares e ao som do movimento de tudo estão começando uma espécie de ritual de dança e acasalamento cósmico coletivo…

Os mesmos dados… o mesmo mundo…, podem produzir em uns uma visão do ponto de vista da Física, de um mundo ao acaso mas mecânicamente auto-selecionado , frio, sem propósito, e noutros, um mundo biologico, poético, sugerindo que o Universo é uma produção genética. Eu acho que aqueles que aceitam piamente um livro que pintaram de sagrado e inspirado pelo divino como base para sua visão de mundo, essa coisa tão fundamental que determina nosso jeito de ser e comportar-se e nos guia a um destino contrário ao que nos guiaria nossa razão livre, são loucos; mas não menos loucos são aqueles que acham que já temos dados suficientes e os dados certos para construir-mos nossa visão do mundo. Eu continuarei sem ter uma visão do mundo para ter minha mente mais livre para observar os seres vivos daqui, calcular qual e como deve ser o mundo ideal para eles, pois certamente não é êste como está, e fazer, obrigar, o mundo a se tornar igual à visão que quero que êle me pareça. Ter visões antecipadas, brigar por elas, tem causado divisão e até guerras entre os seres humanos e isto nos prejudica a todos.

Abraços e até outro dia… mas lembre-se: não deixe o cérebro eletro-mecânico mecanizar o seu cérebro biologico ( quem conhece a Teoria da Matriz/DNA sabe que o mecanicismo está encriptado em nossa genética  como herança de LUCA e a reprodução de LUCA tenta nos robotizar) , mas sim, permaneça atento no sentido de manter o cérebro eletro-mecânico dominado pelo seu cérebro.

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