Carl Jung: A Matrix/DNA Desvelando o Livro Vermelho

(obs: êste artigo ainda está em construção)

Êste tema é importante porque:

1) Um dos grandes inimigos dos seres humanos, que tem torturado até à morte muitos dos nossos, é uma fôrça natural ainda não bem definida pelas nossas Ciências, que infecta e contamina o cérebro humano causando as disfunções e inclusive seus consequentes atos monstruosos. Freud e Jung se esforçaram na pesquisa destas disfunções, lançaram as bases da psicoanálise e trouxeram novidades, avanços pioneiros de grande utilidade. Porém, os males continuam a assolar-nos porque nossas ciências continuam a patinar naquêles conceitos basilares e a força natural maligna continua atuando livre, assim comprovam os noticiários dos jornais no dia a dia. Aqui sugerimos uma inédita abordagem e explicação do que é esta fôrça e quem é o seu agente. Por exemplo, Freud em certa época se convenceu que as disfunções tinham como causas fôrças que se extravasariam devido a libido e traumas recalcados. Jung acreditou numa “fôrça natural, primordial, independente, profunda, que estaria presente nos sonhos e imaginações”. Mas ambos parecem terem se esquecido de algo fundamental: tôda fôrça natural precisa de um veículo, um agente através do qual se propagar. Então qual seria o agente, o elemento concreto, palpável, visível, localizado dentro do cérebro humano, pelo qual poderíamos começar a atuar de fato, cientificamente?

Na selva e convivendo com nativos, curandeiros que apresentam estados alterados mentais devido sofisticadas técnicas de elaborar suas beberagens de ervas e raízes, sentí necessidade de saber mais sôbre o cérebro e a psique. Tentando aplicar o pouco que aprendí das técnicas de hipnose para comandar e dirigir estas mentes alteradas buscando o que me interessava para o conhecimento, fui anotando resultados, e escolhendo uma linha da lógica formal que mais me apareceu apropriada para conectar êstes resultados entre si. Conectar fatos e eventos reais para obter um quadro elucidativo final é o trabalho do filósofo naturalista. Porem o quadro final obtido continha imagens, elementos, nunca percebidos pelo nosso complexo sensorial, sugerindo haver dimensões, niveis de organização da matéria que resvalavam em conceitos metafisicos, o que era prontamente repudiado pela minha personalidade exclisivamente versada na lógica material naturalista. Mas estas imagens não estavam presentes apenas em meus quadros. Eu as fui descobrindo em um leque de possibilidades que nunca se extinguiu. Estavam presentes nas visões e sonhos de Jung, nas visões dos curandeiros da selva, nas imagens descritas pelos autores da “Gênese”, na Biblia, nos sgnificados e imagens dos misticos hindus e chineses reunidos no Tao e no I Ching, nas descricões da cosmologia do esoterismo ocultista iniciado por Schimeon Ben Jockai e traduzidos por Blavastky na teosofia da “doutrina secreta”, etc. Tantas presenças pareciam evidencias de existencias e não apenas coincidencias ao acaso. O que estaria faltando para conhecer-mos e dominar-mos os fenômenos cerebrais constituintes da “psique” seria limpar as camadas metafisicas com que a cultura do desconhecimento havia impregnado estas produções psiquicas, as quais estariam ocultando forças naturais, elementos, agentes naturais.

O meu quadro final resultante de um método de conectar as diferentes produções psiquicas ainda não foi apresentado aqui e ficou perdido na selva, porem o tenho memorizado perfeitamente e tenho feito esboços no papel sem conseguir passa-lo para o computador devido a minhas deficiências técnicas. Mas é um trabalho interessante e muito curioso. Basta por exemplo, mencionar que no quadro tôdas as imagens das várias “visões”, interpretadas pelos visionários e seus seguidores como visões de dimensões metafisicas, cósmicas, espirituais, etc., são identificadas como figuras de coisas materiais, naturais, existentes aqui e agora e por nós conhecidas. As duas serpentes de Kundaline, que seriam duas serpentes enroladas em espiral subindo pela coluna vertebral, em cujos espaços interiores existiriam esferas luminosas e coloridas, as quais denominaram “chakras”, nada mais é que as duas hastes do DNA tendo em seus espaços interiores as moléculas constituidas das bases nitrogenadas. Mas como a psique de cérebros de humanos a 5.000 anos atrás e depois recentemente, de nativos selvagens do Amazonas, poderia “ver” o DNA?! E ainda um DNA gigantesco se extendendo dos quadrís à cabeça?

Uma informação do nativo na Amazônia começou a ajudar-me a desfiar o fio de uma meada. Ao invés de sua psique alterada ver duas cabeças de serpente convergindo como vórtice de uma espiral no espaço “mais ou menos” ocupado pela cabeça, êle “via” a imagem de um “buraco negro” em meio a um espaço iluminado por particulas voadoras como se fossem enguias aladas, mas na verdade êste buraco negro era um vórtice rodopiante. Sem ter mais o que fazer nas longas noites na selva à luz do fogo eu ficava observando os desenhos e tentando decifrar seus mistérios, o que faz a imaginação produzir imagens do que não existe. Nos desenhos estavam reunidos elementos da micro-dimensão do DNA e da macro-dimensão astronomica, ambos invisiveis, inapalpaveis pelo nosso complexo sensorial, desconhecidos pelas ciências dos visionários, mas que sabemos existir pelas nossas ciências modernas, como o DNA, as particulas fótons, e os buracos negros no espaço sideral. Normalmente o pesquisador ocidental afasta de seus pensamentos e da sua atividade de pesquisa  êstes fenômenos psiquicos arrolando-as a todos sob jargões como “loucura”, cérebros intoxicados por drogas, misticismos de analfabetos antigos, etc., mas esta postura dos cientistas não fizeram com que estas produções reais com efeitos em nossas vidas deixassem de existir, elas continuam aí, e tambem por isso a psique continua envolta em mistérios. No entanto os mesmos pesquisadores gastam seu tempo lendo “Uma Breve História do Tempo”, de Stephen Hawking, fazem um enorme esforço para entender as equações matematicas, e tudo no final fala de fantasmas buracos negros no espaço sideral que nunca ninguem viu, apenas se constata manifestações de algo que pode ter causas muito diferentes dos tais fantasmas. Chega-se ao cumulo da descobrir que a descrição de buracos negros por um nativo analfabeto e ao mesmo tempo, por um homem que viveu a mais de 3.000 anos atrás e fundou o ocultismo, explica melhor as manifestações que estamos captando do que a descrição de Hawking. Mas como a psique humana poderia ter esta habilidade em relação ao micro e macrocosmos? Existe uma possibilidade lógica: os micro e macrocosmos são constituidos de sistemas naturais que existem e existiram antes das origens da vida, mas que foram ancestrais numa unica linhagem evolutiva do cérebro humano atual, e portanto tais sistemas estariam registrados na memória através da carga genética, a qual não apenas foi uma causa na produção da psique como está no centro dos neuronios portanto muito próximo dela. Assim a psique pode estar mais próxima do micro e do macro do que o nosso complexo sensorial. Mas o nosso consciente só consegue lidar com as percepções obtidas pelo complexo sensorial. Talvez porque, sendo o consciente ainda uma estrutura recem-nascida em relação ao tempo micro e macrocósmico, ainda não tem consciencia de como é si mesmo, e sendo a psique o próprio consciente, como todo baby não tem controle efetivo de nada que consegue ver. O que pode um baby fazer com as imagens das coisas que vê ao redor de seu berço? E se o ambiente ao redor de seu berço retratasse as imagens de todos os objetos, todos os fatos, todos os eventos, que constituiram os diferentes mundos durante a história de 13,7 bilhões de anos? Para os bebês tudo é motivo de brincadeiras e fantasias, nada é entendido, talvez assim esteja o estado atual da nossa psique bombardeada pelos registros na nossa memória.

O quadro na selva  primeiro sugeriu que a debilidade das nossas ciências acadêmicas devia-se muito ao seu método de abordagem reducionista, enquanto pareceu-me nítido que tanto o agente como a fôrça são produtos que emergem da propriedade dos sistemas naturais em edificar uma identidade própria que supera a soma das identidades das suas partes, ou seja, de todos os elementos e diversas regiões funcionais do cérebro. Segundo, e através do quadro dos resultados, eu via a complexa network do cérebro como um produto direto e final da complexa network do ecossistema biosférico amazônico, o que me sugeriu aplicar a anatomia conparada entre êstes dois sistemas, transplantando o visivel e conhecido de um sôbre o invisivel e desconhecido do outro, e vice-versa, buscando uma maior conhecimento sôbre ambos sistemas. Freud estêve intuitivamente muito perto de descobrir esta facêta da Natureza, principalmente quando estudou com Brúcke entrando em contato com a linha fisicalista da Fisiologia buscando entender não apenas as estruturas dos sistemas celulares mas sim suas “funções”, e quando se fala em sistemas, diretamente a principal propriedade são as funções sistêmicas, tanto de suas partes como a função do sistema no seu ecossistema. O problema de Freud foi que em sua época não havia uma ciência pesquisadora de sistemas naturais. Apenas tímidas investidas como Lynn Margullis, Fritjof Capra, que eram ridicularizados pelo quadro acadêmico da época, sendo que apenas mais tarde surgiu a “Teoria Geral dos Sistemas”, numa iniciativa pioneira de Bertallanfy, mas como não se dispunha de dados cientificos para prossegir esta teoria, Bertallanfy e seus poucos seguidores amoleceram deixando o espaço que foi abocanhado pelos matemáticos e fisicos como Rosenbluet e Wiener, os quais desviaram o estudo dos sistemas naturais para os sistemas computacionais erigindo a disciplina da cibernética.

Em terceiro lugar, os resultados da anatomia comparada indicavam que as causas profundas dos efeitos finais nos elementos da natureza estão interconectadas tambem em relação ao tempo, não apenas em relação ao espaço. Nas conexões no espaço a matéria toma a forma de particulas de onde surgem os corpos materiais e acessiveis à percepção do nosso complexo sensorial, mas conexões no tempo tem como canais o aspecto onda da matéria, quase impossivel de ser por nós captado diretamente. Por exemplo, podemos conhecer as relações entre dois corpos humanos que se dão no espaço, mas não vemos as relações entre as diferentes formas de um unico corpo humano que acontecem durante seu periodo de vida. Mas os efeitos das disfunções cerebrais, as “psicopatologias”, tambem são causados por este aspecto das conexões temporais das diferentes formas biológicas que na sua evolução produziram a atual forma cerebral. Freud tambem intuitivamente resvalou nessa área indispensavel para a psicoanalise, pois êle identificou várias semelhanças entre a estrutura cerebral humana e a de répteis, o que o remeteu ao então recente na sua época estudo de Charles Darwin sobre a evolução das espécies.

Porem, os resultados na selva amazõnica não me deram um quadro final que explicasse tôdas as questões materiais, faltavam coisas ali que eu não estava captando na biosfera, e tambem o quadro continha coisas que deviam estar na biosfera mas eram ainda desconhecidas. As causas primordiais remontavam a dimensões do tempo mais distantes no passado e dimensões do espaço microscópicas, algo relacionado ao movimento e combinações dos átomos nas sôpas primordiais de onde se levantou a Vida. Portanto as respostas para ambos, os sistemas biosférico e cerebral, estavam em causas alem dos horizontes alcançados por Darwin, e além dos répteis de Freud. Isto me fêz procurar um microscópio para ver o invisivel pequeno e correr à capital buscando livros sôbre a fisica, a biologia molecular, a quimica, tôdas envolvidas com o estudo do microcósmico mundo atômico. Acabei elaborando um novo modêlo teórico do átomo porque mesmo os modernos modêlos da quântica não explicam as fôrças que do átomo se projetaram à matéria organica, e dos meus modêlos surgiam átomos semi-vivos, onde as eletrosferas seriam as bases promordiais para as diferentes camadas funcionais sdos sistemas biosféricos e cerebrais.

Mas então surgiu o grande problema do porque alguns átomos terrestres de repente se comportaram de maneira inédita diferente da maioria que foi compor águas, continentes e atmosfera, e com novas combinações surgiram com os aminoácidos e posteriores moléculas complexas. Quais as fôrças penetraram êstes átomos, o que elas tinham em si para guiar os átomos àquelas estranhas formas de se combinarem? Na selva fui obrigado então a levantar os olhos para o céu seguindo as pegadas da luz solar, pois a energia solar estava como fôrça ativa fundamental em tôdos os processos daquêles sistemas biológicos terrestres. Os horizontes de Darwin e Freud tinham que ser mais ampliados a espaços e tempos que jamais imaginaram, devido aos seus  precários conhecimentos na época.

Enfim e para encurtar, o sistema cerebral humano é apenas mais uma forma evolutiva resultante de uma linhagem evolucionaria que vem desde sistemas atomicos e astronomicos, e estes remotos ancestrais estão memorizados no código genético que é a base funcional dos neuronios. Se não conseguimos identifica-los nos 20,000 genes ativos do DNA, devem estarem normalmente inativos no DNA. Onde? Inativos porem que emergem nas psicopatologias e demais disfunções cerebrais quando o consciente é retirado de ação como eu pensava ver nos meus pacientes-objetos de estudo na selva. Ora, a parte ativa do DNA é apenas 5% de seus genes, o resto é considerado “lixo”. Por outro lado o consciente, e mesmo o inconsciente ainda remontado ao reptiliano, existem há apenas 5% do tempo da evolução universal. Antes dêles houveram 10 bilhões de anos ou mais, da Hiistória Natural dos nossos sistemas ancestrais, não-biológicos. Então porque não supor que os 95% “lixo” não seja a memória dos 10 bilhões recalcados nas formas anteriores, e a partir daí desenvolver uma investigaçào com bateria de testes para testar a hipótese? Trinta anos depois desta investigação, a cada dia mais me convenço que o agente concreto da fôrça causal das disfuncões cerebrais são genes, e sujeitos a importantes aspectos da natureza ainda desconhecidos pelas ciencias acadêmicas que afloram do quadro final sugerido pela natureza bruta da selva virgem.

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Mas será requerido do psicólogo que se dispor a ler isso, vencer totalmente a tendência a prévios julgamentos e ter muita paciência. Vamos falar aqui do mundo material, real, do ponto de vista de um observador que se situa num ponto do espaço/tempo muito distante do observador formado pela cultura acadêmica. Por exemplo êste observador diz coisas como:

1) É possível obter no espaço sideral, desde há 10 bilhões de anos atrás, o processo completo de um intercurso sexual com gravidez e abôrto, apenas aproximando três corpos astronomicos de formas diferentes… Mas os mesmos efeitos poderia se obter, há 13,7 bilhões de anos atrás, apenas aproximando duas bôlhas quânticas de rotações contrárias e a energia que elas contem… Isto porque o sistema reprodutor sexual que conhecemos aqui na forma biológica é mera evolução de um aspecto do mesmo sistema mecânico astronomico o qual é mera evolução do mesmo sistema na sua forma eletro-magnética…Mas todos os niveis ancestrais estão registrados na matéria da massa cerebral, notadamente no que se denomina “DNA-lixo”, e ainda influem na psique humana. De maneira que não podemos entender o significado existencial e universal do fenômeno sexual e suas manifestações, se não conhecer-mos ao menos os conceitos gerais de suas origens e evolução ao longo dêstes 13,7 bilhões de anos.

2) É impossível entender a personalidade feminina humana se não se conhecer o que é um quasar contendo um buraco negro… e um neutron dentro de um nucleo atômico. Porque a personalidade feminina é mera evolução daquelas suas formas ancestrais. E é impossível entender a personalidade masculina se não se conhecer o que é um pulsar, as funções de cometas nos sistemas astronomicos… e um próton dentro de um nucleo atômico, sua peculiaridade de emitir um píon na direção do neutron, e o mecanismo da “cola nuclear” descrito na Física do Prêmio Nobel Hideki Yukawa. Pois o hermafroditismo das primeiras formas de vida foi herdado dos sistemas ancestrais naturais não-biológicos.

3) Assim como o suave bater das asas de uma borboleta na China pode estar como causa no principio de um vendaval na América, a penetração por um cometa num quasar a 10 bilhões de anos atrás estêve como causa no principio do fenômeno da penetração sexual na espécie humana, 10 bilhões de anos depois. A fôrça bruta e inconsciente dêste mecanismo no nivel da matéria primitiva ainda está registrado na memória da matéria que constitui o cérebro humano, e quando se expressam temos os estupros e os demais crimes sexuais. Temos possibilidades de inibir estas expressões.

4)  Não existem, nunca existiu “origens”, nem do Universo e nem “origens da Vida”, ao menos não dentro dêste Universo. Se disser-mos que um sistema biológico é “vivo” mencionando as sete propriedades que denominamos “vitais”, teremos que dizer que um sistema mecânico como a galáxia tambem é “viva” porque ela expressa as mesmas propriedades em processos mecanicistas, e tambem teremos que dizer que um sistema atômico é “vivo” porque êle contem tôdas as sete propriedades, apenas expressa algumas enquanto outras são mantidas como potencial latente. Isto porque os sistemas celulares são meras evoluções dos sistemas astronomicos os quais são meras evoluções dos sistemas atômicos os quais por sua vez são meras evoluções… e assim por diante.

5) Êste equivocado conceito de “origens” na cultura humana ocidental moderna, esta crença de que a estúpida matéria terrestre inventou pela primeira vez no Universo coisas como o fenômeno sexual, o código genético, etc.,  surgiu devido o desconhecimento do que é e como funciona na realidade os sistemas astronomicos e atômicos, o que nos levou a construir modêlos teóricos incompletos dêstes sistemas, e nêstes modêlos não constam os elementos e as fôrças naturais que atuaram aqui no meio da matéria terrestre produzindo a Vida e seus atributos. Então a conclusão precipitada é que a evolução começou na Terra e de forma cega, por acaso. Separaram a História Universal em dois blocos sem nenhuma conexão lógica de causas e efeitos entre si, criando um abismo entre êles que tem sido preenchido com a mistica. Ora, não existe tal separação, não existe evolução cosmológica separada de evolução biológica, o que existe é uma só História Universal Natural, uma só cadeia de causas e efeitos, uma só evolução sob as mesmas leis, tudo está conectado e aberto ao resto, e se não houver uma incursão ao resto geral, não se conhece completamente o particular. Então Freud jamais poderia ter entendido o que é sexo  sem os conhecimentos modernos em outras disciplinas, e os psicólogos jamais vão entender a psique humana senão conhecerem ao menos os conceitos gerais dos niveis evolutivos anteriores dessa psique. A coisa é mais complexa, ainda é preciso muito estudo, sinto muito.

E podería aqui continuar listando centenas de conceitos como êstes… E nêste momento o que passa na cabeça do leitor que conseguiu chegar atá aqui?

!!!?

Como já disse um amigo engenheiro civil, “- Eu paro de ouvir sua cosmovisão aqui…para mim chega!” Por mim, tudo bem, entendo perfeitamente e respeito essa reação. Mas o mesmo me disse meu amigo Don Pedro, um indigena nativo do Amazonas, cuja cosmovisão é algo como a geração espontanea do mundo e da vida, quando tentei explicar a cosmovisão da civilização branca “lá fora”, e falei das origens da vida pela abiogênese. E a mesma reação tive eu quando meu estudo sôbre os sistemas que compõem aquela biosfera começaram a revelar a cosmovisão que agora estou expondo.Incompreensível, impossível,ilógico, um idioma do qual não capto um nome, o sentido de uma frase sequer, loucura total…

Mas tive a coragem de me fazer uma pergunta:”A loucura está nesta natureza selvagem ou dentro de mim, causada por uma cultura que não estaria sintonizada com a realidade do mundo?” E resolví pagar o preço de continuar ouvindo a natureza selvagem amazônica para resolver esta questão.

Mas as Ciências Psicológicas devem entender que, do ponto de vista de um estudante em qualquer área, o conhecimento humano está se abrindo como um leque obrigando o estudante a entrar em outras áreas, mas se tentar-mos ver a questão pelo angulo inverso, nos colocando no lugar do conhecimento humano e tentando observar-se a si próprio, ele se verá afunilando, tôdas as mais de 50 diferentes disciplinas se amalgamando e tornando uma só, multidisciplinar, algo como “conhecimento da natureza universal”. Isto porque não se conhece um objeto qualquer se não se conhecer o sistema a que pertence, e a hierarquia dos sistemas que estão abaixo e acima dêle, pois todos influem no objeto. O turista desavisado no Afeganistão que não conhece um sistema invisivel religioso denominado Talebã, se comportará normalmente quando um homem se aproximar, porque todos reagimos assim baseados no nosso conhecimento do objeto “corpo humano”. Todo corpo humano tem como comportamento fundamental o desejo de continuar “vivo”. No entanto aquêle homem se explode como um suicida pelo efeito de uma fôrça emanada de um sistema que o turista não vê e não conhece.

A psique está vinculada evolutivamente ao cérebro o qual, estamos descobrindo agora, funciona ainda aplicando muitas das propriedades físicas dos sistemas termo-dinamicos que suportam galáxias, por isso, infelizmente não se poderá entender a psique sem conhecer ao menos os conceitos e significados gerais da Flisica dos sistemas termo-dinâmicos. A nossa chave decifradora de códigos pertence à genética no DNA, mas para entender essa chave temos que descer no passado de onde emergiram as causas das causas que produziram o DNA, e sem poder evitá-lo caímos nos sistemas astronomicos, dos quais o psicólogo terá que entender tambem seus conceitos gerais.

Nossa chave está em poder dos genes que compõem mais de 90% do nosso DNA compreendendo o que se denomina equivocadamente de DNA-lixo. Estas vastas regiões do DNA registram a História de 13,7 bilhões de anos não apenas do Universo, mas mais importante, de um unico sistema natural que está sendo gestado no Universo, conforme descobrimos ao encontrar uma unica fórmula sistêmica responsável pela construção de todos os sistemas conhecidos, desde átomos a galáxias a corpos humanos. Portanto existe uma unica linhagem evolutiva, a qual passou pela evolução cosmológica e biológica e agora entrando na evolução psicológica está modelando a mente humana na mesma forma daquêles sistemas ancestrais. O que todos os seres vivos, que são sistemas biológicos, compartilham em comum é o código genético sintetizado no RNA/DNA. Agora descobrimos que não apenas os sistemas biológicos tem êsse algo em comum, e sim, todos os sistemas naturais do Universo. Não faz sentido então falar em DNA em relação à dimensal universal, por isso apelamos a um novo nome: Matrix/DNA. O DNA biológico é apenas e meramente mais uma forma derivada de uma fórmula, a Matrix, que se apresenta com outras formas, como a eletro-magnética, a mecânica, e, por exemplo, quando ela organiza a matéria em sistemas galácticos, êstes resultam em meio-mecânicos/meio-biológicos. E a auto-consciência é novamente apenas mais uma nova forma da Matrix, por isso, se não conhecer a Matrix, e sua evolução nêstes 13,7 bilhões de anos, não se dominará o conhecimento dos fenômenos psíquicos.

Desta forma o nosso ultimo ancestral não-biológico, êste sistema astronomico que nos envolve, construiu essa biosfera terrestre ao mesmo tempo que transmitiu as informações registradas naquêles trezentos e poucos genes que construíram o primeiro ser vivo, o primeiro sistema celular (informações estas que hoje são consideradas “lixo” mas que são carregadas pelo nossa carga genética e continuam ativas principalmente povoando nossos sonhos e dirigindo nossos instintos e impulsos), e é um sistema mecanico newtoniano já com ares de biológico, têm a tendência de se reproduzir aqui. Mas tambem a Matrix/DNA nos conduz a tocar de leve numa dimensão metafisica ex-machine e de lá esla indica que êste Universo é como um övo cósmico dentro do qual está ocorrendo um processo de reprodução genética do sistema ex-machine que o gerou. Então nós seres vivos somos palco de um conflito que ocorre em nossos cérebros, o conflito entre os comandos para reproduzir o sistema ex-machine e os comandos para reproduzir o ultimo ancestral não-biológico que foi nosso criador mais imediato. Óbviamente vamos ouvir esta sugestão metafisica sem acreditar nela, apenas vamos experimentar considera-la hipotéticamente para ver no final se as coisas se explicam melhor. Nêste esforço de reprodução o nosso ultimo ancestral “não-vivo” registrado nas regiões do DNA lixo e mais trezentos genes “egoístas” tenta se expressar dominando nosso cérebro e dirigindo-nos a instalar uma réplica sua com matéria orgãnica, a qual seria uma espécie de Admirável Mundo Novo sob o contrôle de um Big Brother. Insetos como abelhas e formigas, que não possuem a nossa forte resistência intelctual consciente, já consumaram a reprodução do sistema mecanicista do nosso criador astronomico nos seus sistemas sociais. Então entra em conflito com o outro comando de reprodução que desceu sôbre o cérebro humano na forma de auto-consciência. Assim o inconsciente-lixo envia comandos, sinais, imagens, aos nossos pensamentos, os quais são trocados por simbolos de objetos e cenas atuais pela auto-consciência,  e são estas imagens que muitas pessoas veem em seus sonhos e outros estados alterados da mente. Foram estas visões e vozes que criaram as religiões. Nada melhor para demonstrar essa nova descoberta que aplicá-la na interpretação dos sonhos e das imagens pintadas a óleo daquêle que foi discipulo de Freud mas revoltou-se contra a teoria do mestre e decidiu seguir  seu caminho particular dentro da ciência psicanalítica: Garl Gustav Jung. ( O nome certo é Carl. Mas deixo a grafia errada para lembrar algo ao leitor. Na América ao debater por escrito com nativos da lingua inglêsa tenho imensas dificuldades no idioma, errando as palavras, e isto tem feito com que americanos de inicio pensem que sou analfabeto e nada entendo da ciência acadêmica, e mesmo depois que os estremeço em suas crenças e apresento alternativas lógicas já não as aceitam porque a idéia de analfabeto ficou incrustrada em seus prévios julgamentos. Quando escrevo aqui é sob enorme pressão da falta de tempo para revisões e condições precárias de equipamentos, que não sejam os êrros de grafia bases de equivocados julgamentos. Atenha-se aos fatos reais por trás da escrita.)

Mas o mais importante aqui é a incrivel e surpreendente explicação inédita das causas que geraram as grandes religiões, as narrativas mitológicas, as ideologias politicas, causas que se constituiram em imagens e simbolos enviados pela nossa emergente auto-consciência ao nosso consciente imediato herdado dos seres inferiores que dominaram no passado, como se nossa auto-consciencia possua atributos de um nivel superior ao nível dessa linhagem evolutiva, e esteja se esforçando em enviar mensagens do que devemos ou não devemos fazer. Estas imagens oníricas e vozes internas que afloram ao consciente quando estressado pelo esfôrço da busca do auto-conhecimento são nada mais nada menos que flashes e sussurros da memória registrada no DNA alojado no centro dos nossos neuronios, sob mundos em que vivemos no passado e ainda existem aí, reais, mas dos quais não temos lembranças imediatas, porque naquela época nossa mente ainda se encontrava nas formas intra-embrionárias de mórula, glástula. Como são imagens reais de mundos que atualmente desconhecemos, como foi a nebulosa de átomos leves a 13 bilhões de anos atrás, ou dos conglomerados de galáxias a 10 bilhões de anos, por onde viemos fluindo nessa longa jornada cósmica nas formas ancestrais quase inanimadas, o nosso consciente interpreta estas imagens a seu bel prazer e suas fantasias, terminando por acreditar nos mundos mágicos das religiões e dos mitos. Podemos agora corrigir estas distorções de interpretações porque sómente agora estamos conhecendo aquêles mundos.

O leitor formado pela cultura universitária sentirá uma desconfortável dificuldade no inicio desta nova aprendizagem, devido a um linguajar repleto de nomes e conceitos novos, comunicando a visão do mundo sob um ponto de observação relativistico onde jamais o leitor se assentara para observar o mundo. Assim os textos tornam-se longos e dificeis porque a cada nova explicação de um fato atual temos que explicar as causas e raízes retornando bilhões de anos atrás e arrolando várias outras dimensões da realidade. Devido tambem a que apresento os detalhes dêste mundo sob o método sistêmico enquanto a cultura universitária está construída quase que unicamente pelo método reducionista. De inicio parecerá absurdo, incoerente, esta visão que conecta seres vivos numa unica linhagem evolutiva com sistemas que a cultura universitária tem denominado “inanimados”, como os sistemas atômicos que estão dentro do nosso corpo e os sistemas astronomicos dentro dos quais estamos: mas a incoerencia reside na cultura que separa evolutivamente êstes sistemas naturais entre si. Não condeno a cultura universitária e nem acredito que os estudantes formados por ela foram condicionados a verem um mundo por uma ótica errada, diferente da ótica da selva pela qual ví o mundo e me formei intelectualmente, mas acredito que tanto os estudantes como eu estamos sendo torturados por obstáculos naturais ao nosso bem-estar e devemos procurar por todos os meios, ouvindo todas as culturas, caminhos que nos levem a um bem comum.

Mas se o leitor tiver que poupar seu tempo, pule os parágrafos introdutórios a seguir e vá direto aos ítens onde os sonhos de Jung são interpretados.

Como disse Jung, seu mundo de visões “eram de imagens de uma força primordial que contraria toda a erudição, a cultura, o racionalismo da ciência, mas seria uma fôrça natural, profunda, independente, que está presente no sonho e na imaginação.” Seus sonhos são aqui perfeitamente e surpreendentemente interpretados, em cada detalhe, porque temos a fórmula usada pela Natureza para organizar a matéria em sistemas e a qual revela os eventos de passados longínquos. Tanto o corpo humano como a configuração pela qual a auto-consciência está sendo modelada são formas de sistemas naturais, mas produzidas por uma unica fórmula natural, da qual captamos seu retrato e sua maneira de funcionar e apresentamos êste retrato aqui mesmo nêste artigo. Como essa mesma fórmula se sobressai como construtora dos ditos “sistemas inanimados”, que existiam no estado do mundo no momento da emergencia da vida e da consciência, nêste planeta, fica mais fácil ao leitor conhecer a fórmula e entender o porque das nossas interpretações. Esta fórmula é a fôrça primordial de Jung registrada em nossa carga genética que ainda dirige a maioria dos nossos instintos e comportamentos, mas são reveladas ao nosso imaginário justamente por essa Razão que gerou o racionalismo da ciência e que tem de ser contrária ao irracionalismo da nossa natureza. Porque? Porque a nossa natureza mais imediata que gerou esta biosfera e nós dentro dela  estava em estado de caos, enquanto a natureza ex-machine que está sendo reproduzida como sistema universal e trouxe a propriedade da auto-consciência e seu efeito, a Razão, é o estado de ordem.

Mas que não se precipite o leitor em julgamentos, pois a sugestão dêsse nosso passado não-biológico, frio e mecânico não revela o verdadeiro sentido da nossa existência, que assim nada teria dos sentimentos e emoções humanas, e não teria qualquer propósito mais elevado. Quando descobrimos o que é realmente êste sistema astronomico que nos criou, prosseguimos na busca das causas que o criaram, e assim descemos ainda mais no passado, chegamos às fronteiras das origens dêste Universo, munidos com a lógica extraída da História Universal, e essa lógica nos conduz a calcular o que existia e ainda deve existir alem destas fronteiras. O Universo é apenas um veículo portador, uma espécie de ôvo cósmico, de um processo de reprodução genética. De que ou de quem? Ora, pelo que vemos aqui uma primeira coisa é certa: de um sistema e natural. Mas costumanos dizer que na reprodução de um ser humano a forma de feto se desenvolve para a forma de embrião. Usto porque fomos habituados a ver as coisas a partir do passado no sentido do futuro. Mas poderíamos olhar para o embrião e ver o sentido reverso, quando diriamos que a forma de embrião estava como causa no feto e o dirigiu para se produzir como efeito. Estaríamos certo porque a forma de embrião já existia antes da existência do feto, na espécie que gerou o feto. Assim tambem hoje a moderna Ciência está crendo que a psique humana, ou que outro nome demos ao conjunto dos nossos pensamentos,é mera forma emergente como produto do cérebro humano. Mas e se olhar-mos o mesmo fato pela ótica do sistema que gerou o Universo? O leitor já entendeu. Então existe a lógica possibilidade de que a auto-consciência é uma forma que desceu sôbre o cérebro, que estava no cérebro como causa e o dirigiu a se produzir como efeito porque a auto-consciência ex-machine existia antes de existir o cérebro. Se comprovar-mos que o que estamos vendo aqui e pensando que se trata de evolução nada mais é que os meros passos suscessivos naturais de um processo de reprodução genética a nivel cósmico, esta possibilidade será ainda mais reforçada. Então as pistas estão sugerindo que antes dêste Universo material perceptivel a nós existia, ou deve existir ainda, um “sistema” que é “natural” e “auto-consciente”. Na Terra hoje existem sete bilhões de porções de auto-consciência, nenhuma igual a outra, e se existe a reprodução genética cosmológica, cada um de nós é um “gene” portador de uma informação unica, inimitavel, indispensável, com a missão de se unir aos da Terra e aos dois outros mundos dentro do Universo para se auto-contruirem como o embrião auto-consci6encia que virá à luz fora do Universo. O sentido da nossa existência, mesmo cosiderando-se nosso passado não biológico, mecanicista, ou ainda o mais recente, animalesco e selvagem num ambiente caótico, e ainda considerando que estamos na situação dos ovos botados fora e prole abandonada à tragédias e predadores, mesmo assim se revela no final sublime, animador, construtivista.

O mundo frio e mecânico de onde emergiu nossa forma de vida é apenas o alicerce, a infraestrutura, o esqueleto, e não deve ser a base do nosso entendimento da existência, assim como a forma de mórula humana não revela ao desentendido o significado da existência do corpo humano em que ela se transforma.

O interessante têxto denominado “O Livro Vermelho de Jung”, no link abaixo, fica aqui copiado enquanto analizo ítem por ítem sob a cosmovisão da Matrix/DNA. Incrível como fui vendo a presença e ação do nosso ancestral e criador, em cada detalhe das visões produzidas nas meditações de Jung e mencionadas nêste texto. Isto é aceitável: estando registrado na nossa carga genética e ao mesmo tempo na fórmula natural que produziu esta biosfera terrestre, existiria um tipo de esfôrço ou exercício mental que faz essa memória recalcada em “fôlhas de espêlhos”, aflorar  na forma de flashes no meio das sinapses e seus pensamentos. Jung conta em suas memórias que obtinha estas imagens quando aplicava uma técnica de meditação em que se imaginava numa descida até as profundezas cósmicas. Hoje estou descobrindo o quanto é eficiente êste método, pois sem que Jung tenha se dado conta disso, êle realmente descia às profundezas e ao passado cósmico, quando, apenas penetrando sua memória em seu DNA cerebral, se deparava com êsse cosmos e êsse passado que estão ali registrados!

Desde sua infância, Jung percebe em si e também em sua mãe, a presença de duas personalidades: a personalidade número 1 e a personalidade número 2. A personalidade número 1 é a usual, de acordo com sua idade e com o meio. Já a personalidade número 2, segundo êle, pelo contrário, é misteriosa, possuidora de um conhecimento de origem desconhecida, de outro tempo e lugar. Essa personalidade numero 2, a meu ver, é a soma de todos os nossos ancestrais registrados na nossa carga genética, que passaram por muitos mundos e tempos atualmente desconhecidos pela personalidade numero 1.

Porem um fato tambem curioso e que deverá ocupar meu tempo tentando elucidá-lo, é o fato de como o consciente traduz, transforma, imagens que foram reais no passado mas pertencentes a um mundo totalmente desconhecido e indefinivel pelo estado do nosso conciente atual, em símbolos atuais conhecidos, sem distorcer ou desfigurar aquêles mundos. O que tem distorcido aquêles mundos são as interpretações humanas que conectam as imagens de maneira errada. Pois tenho descoberto que tôda a fábula descritiva narrada em “Gênesis”, na Bíblia, assim como tôda a simbologia de dragões, ciclos de yin e yang, no livro de I Ching, e ainda tôda cosmologia de vórtices espiralados gerando mundos materiais no esoterismo ocultista, são tôdas surprendentes formas de descrever um unico estado existencial de um sistema natural que era justamente o corpo do nosso ancestral a 4 bilhões de anos atrás! Êste mesmo sistema hoje está sendo descrito através de teorias cientificas com um novo linguajar e uma nova simbologia, fundamentando-se no aspecto “mecânico newtoniano” dêsse corpo, que por ser o tipo de narrativa que nosso consciente atual consegue melhor assimilar devido aos fatos e eventos que vemos aqui e agora, é a simbologia que elegí como meu linguajar quando leio, interpreto e comunico a fórmula descritiva dêsse corpo, a qual denomino “Matrix/DNA software”. Elucidar esta ação tradutora do nosso consciente significará o final entendimento das causas que produziram e ainda produzem todo o imaginário das religiões, ideologias, visões de mundo, que tem nos dirigido na História da Humanidade.

Jung acreditava que foi do Inconsciente  que ele trouxe as imagens, símbolos arquetípicos, de onde chegam as idéias para sua teoria psicológica. Para ele, o Inconsciente é o centro da criação. O símbolo faz a união entre os mundos da consciência e do Inconsciente. Segundo ele, é da essência do símbolo conter esses dois lados. Afirma que os símbolos provêm do inconsciente, cuja função mais importante é formar símbolos, juntamente com o trabalho do ego. Eu discordo dessa solução. As imagens que Jung via, por exemplo de homem, mulher, serpente, são imagens vistas aqui e agora pelo nosso consciente, portanto dêle elas devem vir. O inconsciente, que está recalcado na memória e refere-se aos ancestrais viu outras imagens, como por exemplo, dinossauros, quando não havia imagens humanas para ver. Deve ser a auto-consciência que desce ao inconsciente para arrancar imagens e troca-las por imagens relacionadas ao nosso entendimento e linguagem, ou então ela intercepta a meio-caminho as imagens enviadas pelo inconsciente, quando faz a troca.

Por exemplo, nosso ancestral naquela época marcante da nossa carga genética (quando a forma de sistema biológico (vida) ainda não existia, quando era apenas um sistema astronômico primitivo, e que cometeu o maior êrro existencial no uso do livre-arbitrio tentando se estabelecer como sistema fechado em si mesmo por tôda a eternidade, expressão máxima do ego-centrismo que em nós humanos se tornou personalizada no “gene egoísta”, e portanto ainda é uma nossa memória de pêso), era hermafrodita, sendo que seu aspecto masculino e seus atos em tudo se encaixa com a figura de “um homem de barba branca, um velho portando asas e com chifres de touro, vivendo num reino cercado por um muro rochoso e do qual sobressaía uma poderosa serpente…”, figuras que povoaram a imaginação de Jung. Veja como é surpreendente como as coisas se encaixam, como os simbolos realmente expressam os comportamentos e tendencias de simples fôrças e elementos brutos naturais, concretos. Primeiro vamos arrolar aqui as figuras com principais modêlos derivados da fórmula da Matrix/DNA (clique nas imagens para ler as palavras):

Ciclos Vitais do Corpo Humano e do seu Ancestral Astronomico

Ciclos Vitais do Corpo Humano e do seu Ancestral Astronomico

A Fórmula da Matrix como "O Código Cósmico Humano" que veio através do DNA, do Sistema Celular e do Sistema Astronômico

A Fórmula da Matrix como "O Código Cósmico Humano" que veio através do DNA, do Sistema Celular e do Sistema Astronômico

Circuíto Sistêmico ou "Software" extraído da fórmula da Matrix/DNA, Revelando o aspecto Hermafrodita

Circuíto Sistêmico ou "Software" extraído da fórmula da Matrix/DNA, Revelando o aspecto Hermafrodita

Agora, sempre voltando a estas figuras, podemos interpretar os detalhes do imaginário de Jung. ( para o leitor não-familiarizado com estas figuras seria bom ver suas descrições na Home dêste website. Os desenhos estão precários ainda feitos nas duras condições da selva e a falta de alguns detalhes pode prejudicar o entendimento. Por exemplo, na figura da fórmula a Função 1 representa o elemento feminino e o processo da reciclagem-gestação de um novo astro, por isso na Função 2 deve ter o nome “baby ou criança”, na Função 3 o nome “adolescente”, na F4 o de “adulto com maturidade reprodutora sexual”, etc.Na Função 7 se representa seu cadáver, cujo material descompôsto se torna a matéria turbilhonar dentro da qual surge o vórtice da Função 1 e todo o sistema se recicla. Portanto a seta logo após a F7 pode ser vista como a ponta da cauda da serpente, o vórtice como sua boca aberta engolindo a ponta dessa cauda).

1) A interpretação do Hobby de construir cidades de brinquedo e destruí-las chacoalhando a mesa.

Desde criança, além de ilustrar batalhas, Jung montara cidades com blocos e simulara terremotos para derrubá-las. Ainda aos 40 anos de idade êle brincava com isso como uma criança.O que significa isso?

A nossa auto-consciência surgiu ainda ontem, há apenas alguns minutos, em relação ao tempo astronomico de 13,7 bilhões de anos. Desde que ela ainda não sabe de que substancia é constituída, mem abriu seus olhos porque não sabe qual a forma de seu próprio corpo, suspeitamos que ela ainda é um feto, um embrião sendo gestado dentro de um “ôvo”, o qual é a cabeça humana. Ou talvez já tenha sido abortada e ainda está de berço sem abrir seus próprios olhos – a terceira visão. Cada ser humano sente-se, em seu aspecto de auto-consciência, solitário e isolado do mundo, sem poder sequer se comunicar diretamente com os seus semelhantes que estão dentro dos outros “ovos”. Mas esta auto-consciência nasciturna está sofrendo com dois problemas graves. Primeiro, porque o Universo inteiro está evoluindo á imagem e semelhança de como evolui um corpo humano, ou seja, sob um ciclo vital que transforma suas formas, tão diferenciadas entre si como é a forma da mórula e a forma de um idoso arquejado apoiado em muletas. Mas não é o ôvo cósmico universal que evolui, e sim o sistema natural dentro dêle. E tôda vez que emergiu uma nova forma dêste sistema, êle repetiu um mesmo roteiro: primeiro a fase dos ovos botados fora e a prole abandonada à própria sorte, a tragédias, mortes e predadores; segundo – como bem mostra a fórmula software da Matrix – o ôvo é mantido dentro, com o embrião protegido e nutrido até seu final desenvolvimento, e então percebemos que na verdade o ôvo pode ter sido abandonado, mas o embrião, sua carga genética, nunca o fôra, pois sempre permaneceu dentro do sistema. Por isso descobrimos agora que temos um livre-arbitrio, relacionado à liberdade da prole sôlta e livre no mundo, relativo a cirto e médio prazo, porem êste livre-arbitrio está contido e a prole pré-determinada a um destino pré-fixado do qual será impossível escapar. Mas assim é todo processo genético, seja qual for o comportamento de um feto humano, a espécie humana que está fora de seu universo ovular determinou antes que sôbre êle descerá a forma de embrião humano. E êste Universo inteiro é esta mera reprodução genética. E nesta reprodução genética universal estava pré-determinado que sôbre um cérebro do tipo humano iria descer a forma da auto-consciência. É nesta história que dentro do nosso DNA os 20.000 genes ativos entram em conflito com os milhões de genes aparentemente inativos na região do DNA-lixo. Porque os dois grupos representam dois diferentes niveis de reprodução.

Então porque Jung, aparentemente irracionalmente – constrói cidades atrás de cidades e derruba-as tôdas com terremotos?!

A nossa auto-consciência nasciturna está sofrendo por um segundo motivo. Para ela, todo o mundo exterior, a partir da massa cinzenta cerebral, é sentida como um embrião sente a placenta que o envolve. Ás vêzes a placenta é pobre em nutrientes, às vêzes contaminada por tóxicos, às vêzes modelada de uma maneira errada que impede ao embrião encontrar espaço para desenvolver suas pernas, etc. êsse embrião auto-consciente tem a propriedade de ficar assistindo horizontes mais amplos desta placenta através de duas janelas, que são os olhos humanos. Desta forma ela tenta dirigir o corpo para praticar ações, trabalhar a placenta longinqua, modelando-a segundo seu interesse evolutivo. Mas o corpo humano, ainda mais controlado pelos interesses do ultimo ancestral não-vivo, está modelando a placenta longinqua, o mundo exterior ao corpo humano, de uma maneira errada, na qual a auto-consciência sofre apêrtos, falta dos espaços apropriados, etc. Os corpos humanos estão modelando o mundo exterior nestas cidades de asfalto, edificios de concreto frio, ruas povoadas de máquinas horrendas, cidades estas que estão reconduzindo os próprios corpos a atividades bestiais rotineiras dentro de fábricas ou escritórios de 10 a 12 horas por dia, quando por quase uma semana nem podem ver a luz do dia. É um mundo de cidades desumanas e o pior, ameaçam a auto-consciência da condição de aprisionada, amordaçada, algemada, dentro de uma cela apertada craniana, a assim permanecer pela eternidade. Mas foi justamente o que aconteceu a 10 bilhões de anos atrás conosco mesmos quando ainda estavamos na forma de mórula universal, forma essa a que damos o nome de “galáxia”. E tudo isto está registrado na nossa memória inconsciente, naquelas regiões do DNA-lixo.

As cidades modernas são produto do processo de reprodução do nosso ultimo ancestral não-biológico, que na verdade é meio-mecânico/meio-biológico como podemos ver no seu aspecto “software”. Não é produto do processo de reprodução mais elevado, universal, acima das galáxias, que é a reprodução do sistema ex-machine que gera universos. E a auto-consciência não vem da galáxia, e sim daquêle sistema ex-machine, assim como a forma de enbrião humano não vem dos répteis ancestrais, e sim da espécie humana.

Então é lógico que nossa auto-consciência tenha o desejo de destruir estas cidades e recontruir tudo de outra maneira. E se nós humanos não o fizer-mos por nós mesmos, a Natureza o fará, através de seus recursos, como os terremotos. Jung explicado. Ele não era louco, Era uma antena mais evoluída da raça.

O nosso ancestral galáctico perdeu suas pretensões de eternidade quando o segundo principio da termo-dinamica, a entropia, o atacou, arrancando dêle seus genes, que na época estavam na forma de partículas fotons, irradiadas pelas reações nucleares dos astros, e como sementes os dirigiu para tôdas as direções, procurando boas searas, onde pudessem germinar, searas em condições como se encontrava a superficie de planetas como a Terra. E aqui estamos nós.

A cidade representa a figura, a forma como era o corpo do nosso ancestral meio-mecânico/meio biológico há 4 bilhões de anos atrás. O terremoto representa a memória e consciência de Jung percebendo que a construção dêste corpo foi um êrro existencial e precisou ser destruído, que êsse corpo foi atacado pela entropia de uma forma muito dolorosa e destruído como por um terremoto, pois êle ficou fragmentado em seus tijolinhos findamentais, os quais se tornaram os genes-fótons que aqui construíram o DNA hoje alojado no centro dos nossos neuronios. Hoje nossa personalidade ainda está submetida às fôrças da matéria, dos átomos que constituem nossos corpos, que passaram para os animais ancestrais, e que produzem nossos instintos e impulsos, contra os quais nossa consciência tenta lutar e subjugar.

É preciso entender que a consciência humana nada mais é que uma nova forma emergente do antigo sistema natural universal que começou a ser gerado no Big Bang, cujo sistema se encontra tambem sob o processo de um ciclo vital, e ciclos vitais transformam as formas de um sistema. É preciso entender que êste Universo é uma espécie de ôvo cósmico, seu conteúdo é a placenta, e no meio se desenvolve um sistema que é a reprodução do sistema que existia (ou existe ainda) alem do Universo, e que o gerou por um simples método genético que tambem pode ser visto como um complexo processo computacional. Os genes dêste sistema tambem mudam de forma, desde simples fotons até porçoes de consciências ligadas a cérebros humanos e tais genes devem estarem espalhados por toda a placenta universal. Dotados de livre-arbitrio imediato mas pré-determinados a longo prazo pelo processo genético, estes genes constroem suas próprias arquiteturas corporais, muitas vezes dominados pelas fôrças naturais que fluem na placenta, e assim podem construir corpos em formas contrarias àquela que leva á forma reprodutiva final.Quando isso acontece a forma arquitetural se torna uma espécie descartada pela evolução, até se fragmentar e desaparecer. É o que acontece com os sistemas galácticos, uma espécie-forma do sistema universal que foi nossa ancestral. Tornou-se um sistema fechado em si mesmo, fechando ás portas à evolução e portanto ameaçando o processo de reprodução universal. Hoje enquanto a mente humana está ainda no estágio embrionario ou recem-nascido da nova forma do sistema universal que denominamos “auto-consciência”, ela é extremamente ligada e dependente da carga genética registrada no DNA no centro dos neuronios e esta carga genética expressa mais fortemente não o processo de reprodução cósmico universal, mas sim o mais recente processo de repodução do ancestral “pecador”. Em consequencia disso, esta camada consciente da Terra composta por 7 bilhões de porções de consciências embrionarias é dirigida por fôrças brutas naturais a reconstruir aqui um sostema social onde os seres humanos se tornem peças sem personalidade própria compondo um sistema mecanico automatizado como é o ancestral astronomico. estamos indo na direção do Admiravel Mundo Novo de Huxley dirigido pela Big Mother que é uma síntese das rainhas dos sistemas sociais mecanicistas dos insetos como formigas e abelhas, e do Big Brother de Orwell. O consciente de Jung captou essa nossa tendencia “pecadora” na forma da sociedade humana construindo êstes atuais tipos de cidades “desumanas” e sonhava em vê-las destruídas pela entropia como a que produziu o “terremoto” que levou nossa mente ancestral a ser expulsa da cidade galáctica num evento que ela interpretou como a Grande Queda quando falava a mesma coisa ao inconscientes dos autores da Biblia. Assim se explica seu unusual e criticado hobby de ficar construindo cidades de brinquedo aos 40 anos de idade e depois chacoalhando a mesa e tendo prazer ao ver a cidade desmoronar.

2) A interpretação das imagens de serpentes nos sonhos de Jung

Nas imagens de Jung sempre existiam serpentes, o que fazia seus criticos acreditarem ainda mais que êle era psicótico. Sempre haviam serpentes devorando o mundo. Jung encontrou muitas alusões às serpentes nos mitos antigos e descobriu que elas eram sempre adversárias dos heróis mitológicos. E nos seus sonhos Jung se atemorizava ao ver uma serpente negra inclinando-se e vindo na sua direção. O que significa isso? Mais uma vez a consci6encia usa um objeto real conhecido aqui e agora como simbolo para representar uma real forma de uma fôrça natural que foi sua inimiga e inclusive hipnotizou-a, há 4 bilhões de anos atrás.

Quando extraímos o fluxo de sangue que corre nas veias da galáxia ancestral, ou melhor, o circuito sistemico de energias que estruturam o sistema astronomico, obtemos a forma circular entremeada por um ramo lateral central tal como está explicito na figura da Matrix como software. Observando bem essa figura, pode-se ver nitidamente que o processo auto-reciclador do sistema circular sugere uma imagem que é exatamente a da serpente, e mais exatamente, da serpente engolindo a própria cauda, como é a figura da serpente de Oroborus. Isso quer dizer que quando o embrião universal sendo gerado aqui se torna um sistema fechado em si mesmo, a ponto de se auto-devorar para se recriar, é a fôrça da matéria dominando a débil mente e impondo sua ideologia, seu ideal supremo, que é a de se estacionar em equilibrio termodinamico desde que haja uma intensa vibração interna, talvez para acomodar as vibrações de ondas que a Física Quântica está descobrindo, emanando ou povoando o vácuo. Êste supremo desejo da matéria é realizado na figura do Paraíso do Éden que foi uma outra maneira do consciente humano traduzir o estado do corpo galáctico pecador, mas que na realidade é meramente a figura exata de como estão dispostos e auto-conectados os astros e como funciona um sistema astronomico galáctico. Desde que nossa memória universal registra o efeito, a consequencia fatal e dolorosa que seguiu quando nosso ancestral se auto-construiu na forma daquêle paraíso, e assim como nossa memória registrou o dia que quando criança aproximamos nassa mão do fogo e sentimos a dor da queimadura, a nossa consciência tem mêdo e horror de repetir aquela construção. Nós não temos essa memória a nivel auto-consciente, como temos a memória auto-consciente de que o fogo aqueceu dolorosamente nossa mão, e não sei ainda porque isso acontece. Mas como de fato o evento ocorreu, é como se nossa auto-consciência nos transmitisse através dos sonhos o evento dos tempos de criança quando nossa mão foi aquecida.

De fato a serpente devorou o mundo quando emergiu os primeiros sistemas galácticos, e isto você pode afirmar se você quiser comunicar a fórmula da Matrix a crianças, mas devido a complexidade desta fórmula sabes que as crianças não entenderão, mas que a figura de uma serpente resolve o problema. Aquêle tipo de circuito sistêmico abocanhou para dentro de si tôda a matéria ao redor possivel de ser alcançada, e dentro de si aprisionou a nossa ancestral forma mental qua ainda estava no estágio de mórula, blástula. E de fato essa serpente ainda existe, pois estamos dentro dela, é a nossa própria galáxia, e a qual tenta se reproduzir através de seus genes que estão inseridos na nossa carga genética e estão inseridos nas fôrças que constroem e modelam nossa biosfera, e essa pressão sôbre nós para façamos como ela quer é a forma como o consciente de Jung mostrava a imagem da serpente negra se inclinando sôbre êle e vindo na sua direção.

3) A interpretação do casal que sempre aparecia nos sonhos de Jung

Jung tambem descobriu que em inúmeros relatos míticos, não desconhecidos pelo psicanalista, encontram-se exemplos de um par de humanos com caracteristicas sempre comuns e os mesmos atos/mensagens.Era Elias e Salomé, Júpiter e Vênus, Jesus e Madalena, etc. Mas Jung percebeu êste detalhe comum nos vários mitos porque êle mesmo, em seus sonhos, via um casal e com as mesmas mensagens. Nos sonhos e mitos êste casal sempre dizem que estão ligados por tôda a eternidade. E descreve os atributos dos elementos masculinos e femininos que completavam êste casal. O que significa isso?

As primeiras formas de células vivas que apareceram aqui eram hermafroditas, e assim foram muitas das formas nas origens da vida. É racional concluir que as fôrças e elementos que produziram estas primeiras formas de vida, de alguma maneira se configuravam n6esse aspecto hermafrodita. Basta dar uma olhada na figura acima revelando o aspecto hermafrodita do sistema galáctico onde esta vida apareceu, e entendemos o porque as primeiras formas de vida eram hermafroditas.O elemento que na galáxia desempenhava uma função que nós humanos – baseados no nosso próprio sistema sexual reprodutor – vemos exata semelhança com a função do espermatozóide, deve ser o representante da meia parte que sempre existiu e ainda existe d6este fenômeno que denominamos “dualidade universal”. Se existe o frio tam que existir o quente, se existe o masculino, tem que existir o feminino, e assim por diante. A nossa auto-consciência está adquirindo a configuração de um sistema natural, e portanto tambem ela deve ser dividida nestas duas meias-faces opostas mas complementares, simétricas na forma e assimétricas nas tendencias e caráter. E isto nos leva a supor que os estados evolutivos primitivos anteriores da auto-consciência sempre possuíram êsse aspecto dual. Então é impossivel evitar a intuição de que o fenômeno mental que existia inativo mas como potencial latente nos nossos sistemas ancestrais não biológicos, encarnavam exatamente êstes elementos com função dupla sexual. Tanto nos mitos como na maneira como representamos graficamente a fórmula da matrix por trás do sistema galáctico, o elemento masculino é transmitido pelo consciente através do simbolo “homem” e o elemento feminino através do simbolo “mulher”. Por isso um casal de humanos, ora denominado Adão e Eva, ora representando Brahma ou Shiva, ora o profeta Elias e sua companheira, Salomé, ou Simão e Helena, está sempre transmitindo uma complexidade ou fôrças desconhecidas por nós que existem e existiram nos mundos pelos quais passamos na forma de nossos ancestrais mas dos quais não temos recordação imediata.

4) Interpretação dos Símbolos Humanos nos Sonhos de Jung

Jung via imagens de dois homens, aos quais denominou “Elias”, o profeta, e depois seu filho, Filemon, um ser alado. E ao lado de Elias havia uma mulher, cega, denominada “Salomé”. O que significa isso?

Basta uma rápida olhada na fórmula da Matrix/DNA representando num gráfico a essência fisica e funcional do nosso ancestral a 4 bilhões de anos atrás, o qual está dominando ainda nossa carga genética na forma do gene egoísta, e pensar como você explicaria, como descrfeveria êsse ancestral, para leigos nos mais modernos conhecimentos cientificos, desde o DNA, os sistemas termodinamicos, a entropia, o espectro eletromagnético da onda de luz, etc. Foi êsse o problema a ser resolvido pelo consciente de Jung quando tentava transmitir a mensagem para que os humanos não reconstruam o malfadado paraíso na Terra. E isso foi resolvido trocando-se figuras inimaginaveis por figuras a nós conhecidas, como a do homem e da mulher. mas então é preciso dotar o homem e a mulher nas imagens dos sonhos, com caracteristicas incomuns, senão é impossivel descrever a realidade do mundo a ser mostrado. Há pessoas que imaginam a figura de Deus como humano, mas não usam a imagem de um bebê, pois um bebê não poderia agir com a sabedoria de Deus, e para isso usam a imagem de um velho alto de barbas brancas meio iluminado com uma enorme bata branca que nunca se vê por aí, por mais que o Papa tente imitar essa imagem. O simbolo atual tem que ser um pouco desfigurado para se encaixar numa realidade do passado.

Nos sonhos de Jung, o homem aparecia como um velho com asas. Porque? Porque o elemento masculino dêsse mundo que o consciente está transmitindo existe flutiando no ar, no céu, e isso só é possivel a quem tem asas. A galáxia nao tem asas mas paira no espaço sideral por outros atributos. As asas se assemelhavam às do pássaro martim-pescador. Dois dias depois de pintar essa representação, Jung viu um martim-pescador morto em seu jardim, à beira do lago. Porque? Não conheço o martim-pescador nem o que suas asas tem de peculiar, mas o lassaro morto que fora associaco imetlamente com a imagem de homem que apareceu morto representava o fato de tal homem ter morrido. Foi justamente o que ocorreu duas vêzes ao elemento masculino dentro do corpo do nosso ancestral galáctico: quando se deixou dominar pela ideologia da fêmea e a ela se submeteu como rainha, como fazem os zangões ainda no reino das abelhas, auto-mutilando-se em sua ideologia, e quando o sistema inteiro foi atacado pela entropia que eliminou-o como ser eterno.  Vá o leitor percebendo como é sutil o consciente ao transmitir suas mensagens.

O touro e seus chifres representa o animal irracional na sua louca desembestada furia quando nos ataca. Pois naquela época do nosso ancestral galáctico, a nossa mente ainda não se expressava, nosso corpo seguia os instintos das fôrças brutas naturais que “atacou” a matéria ao redor e a modelou como sistema termodinamico, um sistema que representa a morte ou supressão da liberdade para o intelecto, a mente. Na galáxia essa meia-face masculina se expressava mais no pulsar, dotado de vulcões ejaculando magmas na forma de cometas que tem a forma de espermatozóides. Tudo isso pode ser transmitido com os simbolos da furia, da irracionalidade.

O velho alado trazia um feixe de quatro chaves, uma das quais estava em sua mão como se fôsse abrir uma porta. Não apenas o pulsar é o órgão do sistema galáctico que executa a Função n. 4, como as quatro chaves representam os quatro órgãos que estão no meio do sistema e que mais tarde se tornaram as quatro bases nitrogenadas no DNA, as quais se constituem no genótipo, que é a parte ativa do DNA na construção do corpo e proteínas, enquanto os dois acúcares pegados às astes do DNA são o fenótipo, a memória depositária dos resultados das ações genotipicas. Apenas o genótipo, e não o fenótipo, pode atuar para continuar o processo da evolução e construir os nucleotideos novos que serão aduzidos ao DNA. Com isso eles tem a chave para abrirem as portas, e escolher qual porta irá dar para o tipo de sistema que querem. Este sistema escolhido será o próximo nucleotideo cujo tipo oi manterá o DNA numa forma fiel ou causará uma mutação. No sistema galáctico o elemento macho tem o poder de abrir o sistema e para isso basta êle ejacular cometas para fora do sistema, ao invés de dirigi-los para a f6emea que está encerrada no nucleo galáctico, a qual tem a suprema necessidade de manter o sistema fechado.

Um sistema fechado em si mesmo seria a morte do processo da evolução, o fechamento das portas das possibilidades através das quais a evolução continua. A matéria tem essa suprema tendencia de se constituir em sistema fechado, auto-suficiente, em eterna inércia, eterno equilibrio termodinamico. Um átomo ao qual falta energia é um átomo instável, desesperado, que busca outro átomo com eletron disponivel para assim se ligar a êle e amenizar sua fome de energia. Assim surgem as massas de átomos inertes como a que forma a cadeira em que estou sentado. Pois a parte ou meia-face feminina da nossa mente não sei ainda porque aceita inexorávelmente êste desejo da matéria como seu próprio supremo desejo. É o neutron que existe enclausurado dentro de um lar nuclear e ligado a um masculino próton enquanto seus rebentos eletrons ficam rodopiando e brincando à sua volta. A partir dêsse estado se a fêmea for fazer algo mais tudo será resumido para manter este estado e adornar, transformar numa mansão paradisiaca, seu pequeno mundo. Ela se torna “cega” para tudo o mais. Por isso Salomé é cega, por isso Eva se deixa convencer pela serpente e tenta convencer Adão a auto-mutilar-se na sua vontade de sistema aberto para acompanha-la eternamente no leito nupcial.

A consciência vê-se isso como uma deturpação pelo vicio, um subjugamento á orgia, à prostituição de seu caráter que é prosseguir na reprodução do embrião do sistema divino ex-machine. Por isso Salomé, cega, sem ver o sentido das coisas, representava o elemento erótico.  E por isso o consciente manda a imagem de Helena sendo retirada de um bordel, nos sonhos de Jung.


(Obs: retornarei aqui para corrigir e melhorar isto se o tempo permitir).

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O Livro Vermelho de Jung

http://sbpa-rj.org.br/site/?p=761

Por Rosane Pavan

Era o melhor dos tempos, era o pior dos tempos. O suíço Carl Gustav Jung tinha 38 anos em 1913. Psicanalista, tornara-se discípulo dileto do neurologista austríaco Sigmund Freud. Isto, em sua vida, significava o melhor. O pior, como a Primeira Guerra Mundial, estava por vir. Antes que ela eclodisse, Jung viu o Mar do Norte transformar-se em torrentes de sangue. Mas algo ainda mais forte que esta visão o devastaria.

Um dia, Freud lhe negou um pedido. Jung quisera detalhes sobre a vida particular do mestre porque buscava elementos para interpretar um sonho que ele lhe relatara. Mas os olhos de Freud se encheram de desconfiança com a ousadia. Ao negar a informação, invocando sua autoridade neste relacionamento profissional que já durava seis anos, Freud imediatamente a perdeu diante de Jung.

O rompimento levou o suíço não aos livros, à bebida ou às drogas, mas aos brinquedos. Desde criança, além de ilustrar batalhas, Jung montara cidades com blocos e simulara terremotos para derrubá-las. Mas brincar de engenheiro mirim com dez anos de idade era diferente de fazer coisas idênticas com quase quarenta, ainda por cima durante os intervalos de sua clínica psiquiátrica. Ninguém, naquele início de século XX, assumiria viver as próprias fantasias tão intensamente, a menos que fosse louco. Jung jamais duvidou, por isso, enfrentar um surto psicótico ao recepcionar aquele arranjo de falas íntimas, nascido das brincadeiras de encaixe.

De 1914 a 1930, o psicanalista ouviu vozes e dialogou com elas na casa familiar de Sehestrasse, a rua do Lago na suíça Küssnacht. Artista plástico de talento, anotou em óleos as suas muitas inacreditáveis visões, todas as que ele jamais procurara afastar, em um processo que designou “imaginação ativa”. Seres míticos, serpentes, mandalas e nuvens vermelhas, em representações soberbas, sobrepunham-se à cidade tranqüila. As páginas lembravam as de um códice medieval, e Jung misturava as línguas com que designava suas iluminações. O latim, o grego e o alemão vinham mesclados em uma escrita gótica que percorria as páginas como se um monge copista as tivesse produzido.

Jung organizou essas imaginações em uma edição intitulada O Livro Vermelho (Líber Novus), mantida no guarda-louça. Bastante conhecida por sua família, foi aberta ao público leitor apenas no segundo semestre do ano que passou. Os estudiosos aguardavam o livro havia muito tempo, já que ele definira o caminho particular de Jung dentro da ciência psicanalítica. Em 1957, na autobiografia Memórias, Sonhos e Reflexões, ele escreveu: “Os anos durante os quais me detive nessas imagens interiores constituíram a época mais importante da minha vida. Neles, todas as coisas essenciais se decidiram. Foi então que tudo teve início e os detalhes posteriores se tornaram apenas complementos e elucidações. Toda a minha atividade posterior consistiu em elaborar o que jorrava do inconsciente naqueles anos e que inicialmente me inundara. Era a matéria-prima para a obra de uma vida inteira”.

No Brasil, o livro chega em meados do ano, pela editora Vozes, que incumbiu Carlos Orth, por oito meses, da tradução do extenso material em alemão. A introdução e as notas em inglês do organizador da obra, o historiador paquistanês Sonu Shamdasani, foram feitas na edição brasileira por Gustavo Barcellos e Gentil Titton. Walter Boechat acompanhou toda a tradução e fez a revisão técnica deste livro, a ser impresso em maio na gráfica da editora italiana Mondadori, seguindo as especificações da Norton original. Serão 404 páginas em formato de 29 cm x 39 cm, capa dura vermelha, autor, título e editora impressos em dourado.

O livro extraordinário estará brevemente entre nós, mas o que nos quererá dizer? Este é o mistério, este, o motivo de todos os estudos e reflexões que fervilham a partir de agora, cinco décadas após a morte do psicanalista, aos 85 anos, em 1961. A família não queria dar ao conhecimento público esta faceta que considerava controversa do pensador. Temia as polêmicas que sempre seguiram o antepassado, deixando-o muitas vezes só, e injustamente, naquele limbo habitado por médiuns, espíritas e charlatães. O tempo se encarregou de mudar suas impressões.

Carlos Byington, fundador da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica, mergulha nesses estudos com o encantamento de junguiano sem dúvidas acerca de sua filiação, ciente do preconceito em relação a este pensador que ainda habita os meios intelectuais. Para início de conversa, em sua casa, no bairro paulistano de Moema, Byington afasta de Jung a possibilidade de loucura.

“Muitas pinturas do livro são compostas segundo as representações que antecedem uma crise psicótica, por exemplo, as serpentes devorando o mundo”, afirma o brasileiro. “Muitos dizem que Jung viveu um surto. Outros, que era psicótico. Muitos psicanalistas sustentam que ele rompeu com Freud porque era psicótico. Há opiniões variadas. Com minha experiência de vida e de psiquiatria clínica, digo que Jung nunca foi psicótico”. Byington tem duas edições do Livro Vermelho para mostrar à reportagem, embora somente aquela de cem dólares, disponível por encomenda na internet, ele permita ser tocada. A outra, uma rara impressão de luxo, deve ser vista à distância, sobre a mesa de vidro.

Para Byington, a solidez do pensamento do intelectual está intacta, ele que morreu completamente lúcido e em idade avançada, pai de cinco filhos. O que Jung fez no livro foi expor imaginações, não alucinações, mas esta diferenciação, os psiquiatras da época não teriam sabido fazer. “Um erudito dentro da cultura alemã, Jung tinha uma capacidade de estudo enorme. Neste livro, ele cruza todas as culturas do mundo, antes de conceber a teoria do arquétipo”, afirma o psicanalista.

Jung, lembra Byington, fora um entusiasmado por Freud desde a publicação de A Interpretação dos Sonhos, em 1900. Sua tese para a universidade, de 1902, em torno dos fenômenos ocultos, citava-a várias vezes. O esoterismo era um assunto da infância, nascido das vivências mediúnicas de uma prima. “Ele fora sempre ligado em parapsicologia, nos fenômenos irracionais, inexplicáveis, que a psique apresenta, e na tese explicava essas ocorrências como psicológicas”, diz Byington. “Ele ligava a psique à transcendência. Daí para a vivência de deus percorreu um caminho direto. Essa função arquetípica dentro de nós é a mesma construída pela religião”.

Havia entre ele e Freud um mundo de aproximações e também de discordâncias, nunca trabalhadas pelos dois em análise. Para Jung, por exemplo, ao contrário do que acreditava Freud, os sonhos não explicavam a consciência. Na autobiografia, o suíço escreveu: “Não tinha qualquer motivo para supor que as malícias da consciência se estendessem também aos processos naturais do inconsciente, pelo contrário. A experiência cotidiana me ensinou com que resistência encarniçada o inconsciente se opõe às tendências do consciente”.

Jung acreditava que suas fantasias relatadas no livro tinham uma existência própria, que não se vinculavam a suas experiências familiares ou vivências sexuais. Ele também queria a religiosidade e os mitos como expressão natural da psique. Freud, um ateu formado dentro do positivismo, advogava a sexualidade como um dogma “contra a lama ocultista”. Em oposição a isso, no Livro Vermelho, Jung fala de uma força primordial que contraria toda a erudição, a cultura, o racionalismo da ciência. “A edição é um encontro dessas duas forças dentro dele”, diz Byington. “Uma burguesa, natural, que ele acha superficial, ridícula, medíocre, a cultura da erudição. Outra é uma força natural, profunda, independente, que está presente no sonho e na imaginação.”

Para apreender as fantasias, conta Jung em suas memórias, ele partia muitas vezes da representação de uma descida até as profundezas cósmicas. Em uma dessas ocasiões, ao pé de um alto muro rochoso, viu duas figuras: a de um homem de barba branca e a de uma bela jovem. Abordou-os como se fossem reais e escutou o que lhe diziam. O idoso lhe contou ser Elias, o profeta. A moça, Salomé, era cega. Elias assegurou-lhe que ele e Salomé estavam ligados por toda a eternidade. Vivia com eles uma serpente negra que se inclinava na direção de Jung.

Em inúmeros relatos míticos, não desconhecidos pelo psicanalista, encontram-se exemplos desse par. Segundo a tradição gnóstica, por exemplo, Simão, o Mago, peregrinava com uma jovem, Helena, tirada de um bordel. Nos mitos, a serpente é muitas vezes a adversária do herói. Para Jung, a serpente anunciava o mito do herói. Salomé, cega, sem ver o sentido das coisas, representava o elemento erótico. Elias, o velho sábio, representava o conhecimento.

De Elias, nasceu uma das figuras centrais deste Livro Vermelho, Filemon, como Jung o denominou. Sua imagem aparecera primeiro em um sonho. Era um velho alado com chifres de touro. Trazia um feixe de quatro chaves, uma das quais estava em sua mão como se fosse abrir uma porta. As asas se assemelhavam às do pássaro martim-pescador. Dois dias depois de pintar essa representação, Jung viu um martim-pescador morto em seu jardim, à beira do lago. Em Filemon, o psicanalista detectou um conhecimento das coisas que se fazem por si mesmas, com vida própria, já que aquele ser não representava o eu. A partir desta descoberta, Jung adentrou na visão do inconsciente de todos, contra o inconsciente de um, aquele de Freud. O Livro Vermelho, sabe-se agora, é um livro de revoluções.

Revista Carta Capital, março de 2010.
Por Rosane Pavan

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Livro Vermelho-a construçao da arca

http://sbpa-rj.org.br/site/?p=1329

Autora: Gloria Lotfi

Quando se divulgava a tradução do Livro Vermelho para o português, feita pela Editora Vozes, eu estava lendo um trabalho de Helene Jung, filha de Jung, onde o leitor se depara com  uma interessante distinção entre  duas figuras fundamentais  na formação da Igreja Católica.

De acordo com Helene, Paulo, homem de idéias, não partilha a intimidade de Jesus e  não convive com ele. Paulo tem a revelação, a experiência do sagrado, a vivência do numinoso quando Jesus já havia se transformado no Cristo.

Pedro, ao contrário, convive com Jesus,  segue de perto o homem que ele, um simples pescador,  reconhece como Mestre. O numinoso apresenta-se a Pedro no dia a dia, nas grandes e nas pequenas coisas presentes num relacionamento íntimo.

A partir daí, do encontro com o sagrado, a vida de ambos, Paulo e Pedro, ganhou um sentido espiritual.

Reconheço Jung como homem de idéias, como Paulo e pescador, como Pedro. Ao jogar sua rede sobre o inconsciente, percebe que internamente refletimos o Cosmos:  é o  Apóstolo do Self. E é pedra, como Pedro, quando dá embasamento à construção de uma Obra, no caso, a Psicologia Analítica. Até hoje nos alimentamos desta pesca junguiana e mais, com ele aprendemos a pescar. Cabe a nós dar continuidade à pesca e à construção da Psicologia Analítica pois, sendo Junguianos, não nos  é suficiente ser apenas seguidores: queremos ser construtores.

Como homem de idéias, Jung dialoga com as imagens do Inconsciente, tem sua experiência do sagrado e elabora essa experiência, escrevendo sobre o psiquismo.

No prólogo da primeira edição de “Memórias, Sonhos e  Reflexões”, ele nos fala:

“A lembrança dos fatos exteriores de minha vida, em sua maior parte, esfumou-se em meu espírito ou então desapareceu. Mas os encontros com a outra realidade, o embate com o Inconsciente, se impregnou de maneira indelével em minha memória. Nessa região sempre houve abundância e riqueza; o restante ocupava o segundo plano” C. G. Jung – 1958

Jung foi um homem introvertido que conseguiu, na juventude, buscar seu lugar no mundo, realizar-se profissionalmente, constituir uma família. Mas foi do Inconsciente  que ele trouxe as imagens, símbolos arquetípicos, de onde chegam as idéias para sua teoria psicológica. Para ele, o Inconsciente é o centro da criação. O símbolo faz a união entre os mundos da consciência e do Inconsciente. Segundo ele, é da essência do símbolo conter esses dois lados. Afirma que os símbolos provêm do inconsciente, cuja função mais importante é formar símbolos, juntamente com o trabalho do ego.

Desde sua infância, Jung percebe em si e também em sua mãe, a presença de duas personalidades: a personalidade número 1 e a personalidade número 2. A personalidade número 1 é a usual, de acordo com sua idade e com o meio. Já a personalidade número 2, pelo contrário, é misteriosa, possuidora de um conhecimento de origem desconhecida, de outro tempo e lugar.

No Livro Vermelho, é estabelecido um diálogo entre essas personalidades, que também se chamam: espírito daquela épocaespírito das profundezas. O espírito daquela época, na luta pela vida, na batalha do Ego por um lugar, na necessidade de auto afirmação, perde a noção da Totalidade. espírito das profundezas traz a Totalidade, o passado e o futuro, mas não usa palavras, só imagens. A função de criação de símbolos precisa ter vontade consciente para se concretizar. O trabalho é feito com a abertura do ego para a outra esfera do psiquismo, para o mundo dos Arquétipos. O ego viabiliza a expressão do self e trabalha com  sonhos, imaginação ativa, técnicas expressivas e sua posterior elaboração. O trabalho do ego é pescar, receber as imagens, dialogar com elas  e depois elaborá-las.

Em diversas ocasiões, durante suas experiências, Jung mantém uma atitude desconfiada. Sabe da fragilidade do ego diante de forças muito mais poderosas e teme ser ludibriado ou mesmo soterrado por elas. Está consciente todo o tempo da crise de onde surgiu a Imaginação Ativa.

Em diversos escritos de Jung, vemos referência ao Livro Vermelho, onde o autor afirma a importância do livro  para sua obra durante os 16 anos dedicados ao trabalho interno. Segundo suas palavras:

“Os anos durante os quais me detive nessas imagens interiores, constituíram a época mais importante de minha vida, neles, todas as coisas essenciais se decidiram. Foi então que tudo teve início e os detalhes posteriores foram apenas complementos e elucidações. Toda minha atividade ulterior consistiu em elaborar o que jorrava do Inconsciente naqueles anos e que inicialmente me inundara; era a matéria prima a obra de uma vida inteira”. C. G. Jung – 1957

No período imediatamente antes da primeira grande guerra mundial, Jung sente-se pressionado por sonhos e visões que indicam uma catástrofe de graves conseqüências. Muitos outros intuitivos expressam através da arte suas premonições. Na Europa vive-se uma grande tensão e, além da apreensão coletiva, Jung vive uma crise importante em sua vida. Escreve “Símbolos de Transformação”, rompe com Freud, retira-se da presidência da sociedade psicanalista, fundada por ele com um grupo de analistas.  Precisa de um mergulho em si mesmo para reafirmar suas idéias que, desde o início, são a marca diferencial com Freud. Pressionado pela Individuação, Jung, heroicamente, arrisca sacrificar suas conquistas e faz o mergulho de 16 anos. É o momento de ouvir o self, o espírito das profundezas, a personalidade número 2.

Em plena crise, faz anotações em um livro negro, para uso próprio. Mais adiante, mostra a algumas pessoas esta vivência. Assim, inicia a elaboração do Livro Vermelho, transcrevendo as anotações do livro negro. É comovente observar o cuidado que teve com esse livro, o capricho na elaboração dos desenhos, na escrita, na colagem dos pergaminhos. Por lidar com o sagrado, sua atitude é de respeito e devoção.

Cary Baynes, tradutora de ensaios de Jung para o inglês e seu marido, Peter Baynes, tradutor de “Os Sete Sermões dos Mortos”, são duas das pessoas que recebem de Jung o manuscrito. Cary Baynes diz:

“O Livro Vermelho é a passagem do Universo pela alma de um homem e, assim como uma pessoa fica parada junto ao mar e ouve essa musica muito estranha e terrível e não é capaz de explicar porque seu coração dói ou porque um grito de prazer quer pular de sua garganta,    assim eu pensava que seria com o livro vermelho e que um homem seria forçosamente arrastado  para fora de si pela majestade  dele e elevado a alturas  a que ele nunca tinha sido…..

Sonu Shamdasani, analista junguiano, consegue da família de Jung, a permissão para editar o Livro Vermelho e, numa rica introdução, diz que em 1914, ao ler “Assim falou Zaratustra”, Jung dá forma à estrutura do Livro Vermelho. A estrutura da comédia de Dante, também está presente. Assim como Zaratustra em Nietzsche e Virgílio em Dante, Filemon o representa. A  importante imagem de Filemon surge em variados e profundos diálogos.

“Enquanto Zaratustra proclamava a morte de deus, Liber Novus  desenha o renascimento de Deus na alma”

e

“Enquanto Dante pode se utilizar de uma cosmologia estabelecida, Liber Novus é uma tentativa de formar uma cosmologia individual”. Sonu Shamdasani – 2009

Quero falar de minha emoção de analista junguiana, por ter hoje em minha casa, depois de tantos anos em que sei de sua existência, um exemplar do Livro Vermelho.  Sinto-me fruindo da intimidade de quem eu tanto admiro.

Quando estamos mergulhados na leitura de um bom livro, nosso corpo está relaxado num sofá, numa cama, poltrona ou cadeira e, através dos olhos, recebemos as informações que mexem com nossas idéias e emoções. Para ler o Livro Vermelho é preciso inovar, descobrir seu jeito.Pus o livro sobre uma mesa redonda, comecei por circunambular em volta dele, fiz isso alguns dias, antes do mergulho. Folheei, circunambulei, assim como faço com os símbolos no meu consultório ou com os meus,  detive- me nas imagens e, depois, de olhos fechados, revia-as. Agora, me debruço sobre ele e o abraço durante a leitura.

Sugiro à Editora Vozes, a criação de um livro de uma brochura, só com a parte em português, para acompanhar na compra do Livro Vermelho. Nossas colunas vertebrais vão agradecer. (segundo Teobaldo, da Vozes, qualquer inovação em relação ao Livro Vermelho deve ser submetida à família de Jung).

Ao escrever o Livro Vermelho, sofrer a dor da perda da segurança nos valores científicos, receber as imagens, dialogar com elas e depois elaborá-las, Jung fez seu processo de Individuação, e, portanto, pode falar:

“a história de minha vida é a história de um Inconsciente que se realizou”.C. G. Jung – 1958

Jung rompeu com a falta de espiritualidade do espírito daquela época, recuperou em si a imagem do Divino e transformou sua Cosmovisão.

Eu também fiz minha pesca e, pensando no Livro Vermelho e em Jung, joguei minha rede. Veio uma imagem. A imagem de um ser transcendental chegou dizendo que era Noé e eu acreditei. Noé foi quem escapou do dilúvio, foi poupado por deus e repovoou a terra. Ele falou da necessidade de mantermos nossa ligação com o sagrado, fonte de nossa vida e da vida sobre a terra.  E disse também que o livro vermelho era uma espécie de barco, ou seja: “Para Jung, o Livro Vermelho, foi a Arca que o levou em segurança na travessia das águas do Dilúvio”

Evento: A espiritualidade no mundo contemporâneo – 2010

Autora: Gloria Lotfi

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