Você está convocado(a) a ser o Juiz nesta briga entre Londres e a Amazônia!

Porque o povo não estudado deve agora fazer o mesmo que os estudantes fizeram contra as ditaduras: protestar, fazer passeatas contra as universidades e a Ditadura da Física.

O maior líder da Física hoje é Stephen Hawking, portanto ele é a voz da Ciência que domina as universidades que fazem as cabeças dos líderes politicos e governos do mundo. E Hawking sugere que façamos uma retrospectiva da nossa existência rumo às nossas origens até chegar às origens do universo onde vamos encontrar surpreendentes explicações.

Mas ele fêz esta retrospectiva totalmente desviado de como um ser humano normal o faria. Por isso um ser humano natural normal chega a resultados naturalistas nada surpreendentes, enquanto com ele occorre o mesmo que ocorreu com os ociosos escribas de outrora quando fizeram essa retrospectiva e encontraram as surpreendentes explicações dos deuses mágicos.

Por exemplo, quando ele chega aos instantes iniciais na origem do Universo e dá o seguinte passo para trás no tempo ele se depara com bilhões de universos. Um pouquinho antes ele viu o universo em sua origem como um espaço quase vazio apresentando flutuações quanticas devido a vibrações das “strings” (cobrinhas serpenteantes minusculas), que produziam as poucas particulas esparsas isoladas num imenso espaço. Cada particula material era tão isolada das outras que a força gravitacional de atração que as fariam ajuntarem-se era ainda desprezível. Como resultado ele conclui e acredita finalmente na existência de universos mágicos que pipocam por si mesmo espontaneamente do nada!

Engraçado como duas pessoas tão diferentes vindas por experiencias de vidas e caminhos tão diferentes tem suas imaginações produzindo visões de  imagens tão parecidas. Pois quando eu estava isolado na selva amazônica nas noites não chuvosas que podia confiar na foguera acesa lá fora que impediria a qualquer fera grande derrubar minha barraca e me comer sem tempêro, e que não havia nenhuma fresta por onde uma cobra ou escorpião pudesse entrar, eu entrava em profundo estado de meditação cuja técnica eu mesmo desenvolví fazendo uma miscelânea entre o zen oriental e o santo daime do pagé da tribo do amazonas – via imaginariamente as mesmas imagens que a Física conduz o Sr. Hawkings a ver lá em Londres e dentro de Cambridge, imaginariamente ou simuladas na tela do computador!

Mas enquanto na sua retrospectiva às origens ele vê apenas uma cena das particulas isoladas flutuando num imenso espaço universal, eu vejo a mesma cena em dois tempos diferentes: nos instantes iniciais das origens do meu próprio corpo e depois nos instantes iniciais das origens do Universo. De maneira que para mim é impossivel evitar de correlacionar as duas cenas e impregnar as origens do Universo com os valores e sentimentos humanos, coisa que a Física de Hawking descarta completamente. Como resultado final, quando dou o seguinte passo retroativo alem daqueles instantes iniciais a na forma das minhas ancestrais particulas, não encontro surpresa alguma. Vejo sim, uma população de universos tambem, mas é como veria um bebê nascendo num berçario de um hospital hoje sabendo que naquele momento existem milhões de outros bebês iguais a ele em milhares de outros berçarios. E retroagindo um pouquinho mais vejo sistemas naturais geradores destes universos assim como o “eu bebê” retroagindo na minha  memória veria o corpo-sistema da minha mãe.

Raios! Somos dois cérebros cujos neuronios estao conectados muito diferentemente. Assim sentimos e interpretamos o mundo através de duas cosmovisões totalmente disparatadas uma da outra. Claro que vamos ter ideais e ideologias diferentes e querer cada qual que a Humanidade siga os caminhos indicados pela sua ideologia.

Eu continuo a “berrar” ao mundo que a cosmovisão apoiada por Hawking não é a cosmovisão produzida originalmente pela mente dele mas sim a cosmovisão produzida pelo cérebro eletro-mecanico ao qual ele está conectado até a raiz, sentindo o mundo através dos sensores mecanicos. O cérebro eletro mecanico pode de fato acreditar que ele e seu universo veio ao mundo pipocando espontaneamente do nada porque assim a maquina que não tinha percepção e consciencia da existencia de seus criadores pensa ter vindo o mundo e a ela própria. Mas o mesmo está acontecendo com a população sedentária dentro das universidades sentadas atrás das telas e vendo as simulações da realidade. Hawking é o porta-voz porque ele já está conmectado diretamente pelos fios e assimila melhor as produções do cérebro da máquina. Enquanto isso Hawking e seus correligionários se soubesssem de nossa existência e da nossa visão do mundo ririam a cair de barriga e se espernearem no chão.   

A tendencia primeira de cada um de nós é achar que o outro está totalmente “away off the beam” (totalmente fora do facho de luz) e enaltecer nossa posição contando suas maravilhas com um ar de superioridade e condescendcia paterna para com o outro (como Hawking se comporta em seu novo livro)… desde que o outro não comece a pisar em nossos calos. Mas aí está o problema: aquele que está no poder ignora ou elimina o que não está, enquanto o que não está sente seus calos pisados de forma insuportável pelo que está. De fato a ideologia de Hawking está invadindo e matando minha floresta! Por isso sinto que chegou a hora de protestar e fazer passeatas.

Hawking atacado por uma doença que lhe inutiliza o complexo sensorial sente o mundo através dos sensores do computador e a partir de dentro dos ares condicionados de um salão de uma universidade em meio à selva de asfaltos e concretos que se tornou Londres… e sómente muito distante dele e ignorado por ele está um mundo que ele se esquece nos seus estudos: a selvagem amazonia.

Por meu lado, minha visão de mundo nascida no meio selvagem da amazonia onde vivia sendo vampirizado pelos mosquitinhos piuns e carapanãs com a temperatura do corpo elevada ora pelas febres da malaria ora pelo tórrido sol tropical até incendiando-se pelas picadas dos tais vampirosinhos me cobrindo o corpo, enquanto rodeado e me relacionando com macacos e onças por todos os lados, e lutando para escapar do espirito troceiro e malvado da selva que me caçava por todos os cantos, ignorava totalmente a existencia do mundo de Hawking, Londres, Cambridge, o computador e seu complexo sensorial sentindo o mundo.

Ambos estávamos sôbre a superficie da Terra e ambos partilhavamos as mesmas noites, e enquanto meus olhos nus olhavam o céu estrelado à procura de respostas, os olhos de Hawking vestidos com lentes de telescópios ligados a cérebro eletro-mecanicos tambem procuravam respostas. Tambem outrora a minha mente havia absorvido todas as informações cientificas que fôra disponivel para Hawking. Mas nossas mentes ao sabor dos acasos do mundo chegaram numa encruzilhada, havia uma bi-furcação, e o destino empurrou cada qual por um caminho diferente.    

Daí duas visões de mundo tão disparatadas entre si: o universo de Hawking pipocando espontaneamente desde o nada circundado por outros universos na mesma situação e o meu universo existindo entre bilhoes de irmaos- universos que surgem pelo processo da reprodução genética de seres que existem alem do útero que contem a ninhada, os quais ainda não os ví e não faço idéia de como sejam seus corpos porque minha conciencia ainda tambem não consegue enxergar o próprio corpo porque nem seus olhos próprios ainda não se formaram. Hawking se distanciando muito dos baixos sentimentalismos dos humanos e querendo que o universo o acompanhe nessa forma enquanto eu teimando em manter minhas raizes selvagens e sentimentos humanos tresloucados, tambem querendo que o universo me acompanhe. Dá para entender? Essas duas “figuras”?!

Reza a lógica extraída das experiencias da História que tanto eu como Hawking estamos ambos 50% certos e 50% errados porque representamos os dois extremos de uma situação natural. Os meus 50% de errados são os 50% de certos do Hawking, e vice-versa. A verdade, a sabedoria ultima, estará no resultado do embate entre as duas, no meio termo que surge transcendendo os dois extremos, assim como eu surgí como uma forma mais evoluida e transcendendo as duas formas extremas representadas pelos meus genitores. Eu sei disso, tento ser um menino comportado e respeitar os 50% de Hawking, mas… não consigo digerir nada do mundo de Hawking, acho que ele é um lunático robot e que está conduzindo a humanidade à perdição enquanto está destruindo meu habitat natural, e com isso, certamente, nunca vou corrigir os meus 50% errados. O mesmo certamente aconteceria com Hawking se ele soubesse de minha existencia, conhecesse meu mundo e a maneira como está “hard-wired” meu cérebro e visse as tempestades elétricas entre meus neuronios numa maquina de raio-x.

A unica maneira de eu lutar para ir conquistando espaços e fazendo Hawking prestar atenção a esta outra visão do mundo e portanto ir tambem corrigindo a sua seria eu instalar laboratorios na selva para realizar os experimentos que os meus modelos teóricos estão sugerindo e apresentar resultados tecnológicos úteis de fato. Mas sózinho não posso fazê-lo e olho para a selva à minha volta, para os macacos, as capivaras, as onças e penso: com esse povo aqui não posso contar para nada, eles nunca vão entender a necessidade de juntar forças comigo para montar os tais laboratorios. Estou frito, estou isolado!

Por isso construí um romanxim (uma espécie de mochila nativa feita de taquara e couro), enchi meu embornal de pepitas de ouro, botei-o dentro da tanguinha de pele de onça e partí para New York! No dia seguinte saí à rua falando que os astros do céu não surgem de geração espontanea mas sim de uma reprodução sexual entre pulsares e buracos negros, que todos os tipos de astros são um só assim como a Terra vai se tornar uma estrela porque ela existe sob um ciclo vital, que o nosso DNA veio de uma matriz que já existia no tempo das estrelas cujo sistema é um protótipo do nucleotídeo… e fico desafiando os nava-iorwquinos a apresentarem evidencias a favor de suas teorias e as outras a desfavor das minhas teorias… mas fico na rua ou nos balcões de bares falando sózinho porque ninguem entende o idioma do macaquês. Muito menos entenderiam a minha visão do mundo comunicada pelo idioma macaquês. Então achei a Internet… onde parece que escrevo para o imenso espaço vazio. Mas vou continuar tentando pois eu tenho que salvar meu habitat, meu mundo! Não o posso fazer portando armas em sua defesa por isso vou atirando mais profundo, a nível de consciencias.

Hawking sugere em seu livro que façamos uma retrospectiva na História – um “backward”- pois nesta vamos descobrir que o universo se desdobra em multiplas dimensões, por isso, não existiria apenas uma descrição da História, e sim muitas. Porque ele complica as coisas? Na minha meditação retrospectiva primitiva eu tambem vejo minha existencia de repente se desdobrando em multiplas dimensões alem do meu mundo: quando me vejo quando era uma mera morula, uma massa informe de células ainda não-diferenciadas todas iguais numa cena igual a que vemos hoje das galaxias no espaço sideral, e dou um passo seguinte, de repente me vejo como particulas cromossomicas vindas a metade  de um big bang ocorrido no invólucro de um espermatozóide e outra metade que já existia flutuante no meio do oceano amniótico, e no passo seguinte, de repente o mundo se abre e uma parte de mim se vê na Europa, e outra como nativos da amazonia, porque essa foi minha herança genetica. Europa, selva amazonica, sao as difeerentes dimensoes que Hawking fala a respeito, mas dando nome aos bois se descomplica a História. A briga entre eu e Hawking é que ele teima em fantasiar a realidade e desviar-se pela metafisica enquanto eu teimo de conservar minhas raizes selvagens naturais. Eu estou errado pois assim nunca daria o próximo transcendente transcendendo a forma humana mas Hawking tambem está errado porque assim ele tambem não dará o passo transcendente já que sua mente adentra e se perde na escuridão dos mitos metafisicos.

O certo mesmo, a grande esperança seria um golpe de gênio da humanidade que assiste nossa briga: analizar os dois extremos, não tomar nenhum partido e buscar o meio termo, uma nova cosmovisão que fatalmente será a sabedoria transcendente. Com a palavra… você, óh nosso supremo Juiz!

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