ERROS DO ATEISMO (1)

r-dawkins.jpgRichard Dawkins, no primeiro capitulo de ” The God Delusion”, escreve:  

“Human thoughts and emotions emerge from exceedingly complex interconnections of physical entities within the brain. An atheist in this sense of philosophical naturalist is somebody who believes there is nothing beyond the natural, physical world, no supernatural creative intelligence lurking behind the observable universe, no soul that outlasts the body and no miracles – except in the sense of natural phenomena that we don’t yet understand. If there is something that appears to lie beyond the natural world as it is now imperfectly understood, we hope eventually to understand it and embrace it within the natural. As ever when we unweave a rainbow, it will not become less wonderful.”

Entao a visao de mundo construida pela Matriz nao fez de mim um ateu. Existem dois problemas com o ateismo, se de fato Dawkins fala em nome do ateismo. Primeiro, quando diz ” ateu acredita que nao existe supernatural inteligencia alem do Universo observavel”. Segundo, quando acredita que nao existe alma ligada ao corpo”; terceiro, quando alimentam a esperanca de que vao entender qualquer coisa que jaz alem do mundo natural. A Matriz esta’ sugerindo outras diferentes conclusoes.

A Historia de 13,7 bilhoes de anos e os elementos materiais existentes nesta Historia indicam que existem duas possiveis realidades alem deste Universo e antes do Big Bang: um ser na forma de sistema natural gerando Universos pelo processo genetico e/ou uma inteligencia ex-machine elaborando softwares vivos que evoluem criando hardwares e se retro-alimentando deles; porem como as duas coisas – genetica e programas computacionais – podem no fundo serem resumidos a um so processo, e sabendo-se que um rato qualquer tem o poder de gerar sistemas por este processo, apenas saber que este Universo e’ uma producao genetica e sempre houve uma formula organizando a materia em sistemas que se parece com o diagrama de um software, nao e’ evidencia suficiente para se acreditar que o tal ser natural ex-machine continha ( ou contem), inteligencia. Mas o fato incontestavel de que nesta Historia, dentre as varias formas adquiridas pela cria que esta’ sendo geneticamente reproduzida, surgiu o que denominamos auto-consciencia, inteligente, e nao acreditando que isto seja produto de acidental mutacao, a nossa suspeita obvia e’ de que o tal ser ex-machine era, ou e’, dotado de inteligencia. Porem, esta inteligencia deve ser natural, o que indica que ela nao tem o poder de fazer milagres, no sentido de fazer coisas aparecerem do nada. 

Podemos, como os ateus, acreditar – quer dizer, afirmar – que nao existe alma ligada ao nosso corpo? A sugestao dos modelos da Matriz quando descreve o processo pelo qual LUCA se tornou um sistema biologico, indica que o circuito sistemico constituido do fluxo de informacoes de LUCA  como sistema natural, foi fragmentado em fotons e depois recompos-se aqui na superficie da Terra criando novo hardware que foi o primeiro sistema biologico. Portanto teria acontecido que a contraparte energetica da parte de massa do corpo de LUCA se constituiu numa especie de diagrama de software que se decompos para ser transmitido `a distancia tal como a voz ou imagem de televisao se transforma em sinal e depois se recompoe num hardware receptor. Neste longo processo de 13,7 bilhoes de anos de retro-alimentacao entre software e hardware e a existencia de especies que continuam existindo mesmo apos terem saido do tronco da arvore da Evolucao, indica que corpos sobrevivem `a fragmentacao da “alma” enquanto a “alma” sobrevive `a morte do corpo.  Esta “alma”, na teoria da Matriz adquire uma forma, uma face, a mesma de uma seccao do DNA, cuja forma e’ a mesma apontada intuicao oriental antiga da “aura” cpmposta de duas hastes chamadas de serpentes kundaline e sete sois centrais, a qual e’ a mesma forma do DNA, e do diagrama que sustentava o Cosmos antes da origem da Vida.  Claro que a nossa incapacidade de encontrar parametros que embasem aquele possivel evento e/ou de encontrar evidencias que desmintam aquele possivel evento nos conduz nao `a crenca na alma, mas a uma suspeita de que ela exista porque ela parece algo perfeitamente natural, logica e natural, tendo em vista que um so’ DNA que apareceu neste mundo terrestre a 3,5 bilhoes de anos atras continua vivo ate’ hoje. E nao vemos como explicar isto sem a ideia da retroalimentacao. Por isso, ao contrario do ateismo, eu nao tenho certeza da nao existencia da alma.

Terceiro, eu nao tenho a esperanca de que possamos vir a entender tudo, inclusive o que exista no mais distante espaco/tempo alem do mundo natural. Acho que isso e’ arrogancia e uma certa falta de nocao de grandezas, do verdadeiro tamanho do que pode existir alem deste mundo natural. Obviamente Dawkins pensa no Universo observavel quando usa as palavras “o mundo natural”, e desde que o nosso cerebro e’ feito por este mundo natural, deve ser limitado a ele, ou seja, as informacoes que ele pode captar, armazenar e operar estao limitadas a ele. Por exemplo, nem a ideia de eternidade/infinitude  e/ou “causa primeira e finitude” podem ser entendidas por este cerebro, jamais.  Os modelos da Matriz sugerem  que em ultima instancia exista a realidade de dois mundos contrarios entre si que se retro-alimentam, tornando cada mundo finito e infinito ao mesmo tempo, enquanto que as substancias de um mundo – como a consciencia humana – podem atravessar a barreira entre os dois, porem sao transformadas nesta passagem de maneira que tudo o que pertence ao mundo deixado la fica, inclusive a memoria de sua existencia. E com isso, jamais entenderiamos mais que a metade do verdadeiro mundo. 

Porem, como agnostico, e’ possivel que algum futuro dado factual destrua essa cosmovisao e me transforme num ateu… quem sabe?                

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