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Humano: Se estudares, teras a transcendencia; se nao, desapareceras para sempre

terça-feira, março 17th, 2009

O leitor nao deve levar o conteudo deste artigo muito a serio porque ele me parece tendencioso, nao e’ puro fruto da Razao. Tendencioso porque, sendo um intelectual, me incomoda esta enorme massa de iletrados que nao assimilam nenhuma pratica  de reflexao da auto-consciencia e apreciam apenas as praticas de reflexao do fisico. Portanto, deve me ser impossivel evitar tentar (`a insistencia exagerada),  convencer este povo a seguir o meu caminho. Mas escrevo mais este assunto porque outra face anti-filosofica esta’ emergindo e tomando conta da juventude. Refiro-me `a mecanizacao, `a robotizacao super-especializada do cerebro humano que tenta nos impor os selfish genes herdados do LUCA. E aqui, pode ser que o aspecto tendencioso seja uma sutil manifestacao de saude, de autocura, da Razao. Vejamos se o argumento a seguir e’ valido…  

A especie humana sera’ incluida no tronco da arvore da Evolucao – como estao os atomos e as galaxias incluidos, pelo menos em mais de dez bilhoes de anos – ou sera’ desviada como um galho que seca e se extingue, desaparecendo para sempre, como foram os dinossauros? Baseando-se no que conhecemos das experiencias anteriores, uma coisa e’ certa: o corpo humano nao e’ a ultima forma da Evolucao, ele sera’ substituido por  outros mais poderosos e complexos, portanto somos apenas uma forma provisoria. E’ a pequinez e configuracao do nosso cerebro que nos impoe o limite fatal. 

A proxima forma vira’, e ela vera’ e tratara’ a especie humana como nos vemos e tratamos os macacos hoje? Triste, nao e’? Principalmente lembrando que estamos falando dos nossos herdeiros, dos netos de nossos filhos… uma raca tornada inferior…

Mas porque podemos ter a certeza que nao somos a ultima forma da Evolucao? Por acaso temos uma bola de cristal mostrando-nos o futuro? Nao, mas sabemos que o corpo humano nao pode alcancar a complexidade necessaria para a especie  que ira conhecer o mundo, a qual, portanto, sera mais poderosa.  Fatalmente, inevitavelmente, nascemos com a mesma sorte que teve os macacos.

Tente pensar, imaginar, o dia em que uma especie inteligente ficara’ face a face com a Verdade…

Essa “Verdade” e’ algo tao descomunal que ela resolvera’ uma questao insoluvel para o nosso cerebro: o mundo e’ um punhado de materia cercado pelo nada absoluto por todos os lados… ou nao? Essa materia nao pode ter tido um comeco desde o nada,… ou pode? De repente estar-se-a face a face com um Deus que ‘e maior nao apenas que nosso sistema solar, nao apenas maior que uma galaxia, nao apenas maior que um Universo, mas talvez ainda maior que um numero infinito de universos… como nossos olhos veriam esta face?!  Seja o que for a Verdade, ou a comprovacao da inexistencia da Verdade, elas nao podem caber no nosso cerebro humano.

O mundo nao pode ter tido um comeco a partir do Nada, esta e’ uma afirmacao da Razao Humana em que ela nao admite contestacoes. Mas o mundo tambem nao pode ficar sem ter tido um comeco. Um coisa infinitamente eterna que nao tem um comeco e um fim, ao menos uma reciclagem, tambem e’ outra afirmacao da Razao Humana que nao pode ser derrubada sem antes passar por cima do cadaver da propria Razao. 

Entao, deduz-se obviamente que no dia da Verdade, ou no dia da ausencia dela, la’ nao estara’ a Razao Humana. A Razao foi produzida num tempo e espaco do mundo onde tudo e’ regido pela Lei da Causacao – todo efeito tem um causa. Mas certamente o mundo nao foi produzido por esta Lei, ele nao a obedece, tanto e’ que, ou ele nao precisou de uma causa para ser o comeco do efeito que ‘e hoje, ou ele ja surgiu como efeito vindo de um outro mundo que nao produziu a Razao Humana… e nao tem lugar para ela.  

Resumindo, o mundo tem complexidades que a Razao Humana jamais alcancaria, portanto ha’ espacos para a Evolucao gerar novas formas e preenche-lo,  e como aconteceu ate’ agora, alguma nova combinacao probabilistica ou organizacao da materia vai fazer aparecer essa forma. Definitivamente nao somos a ultima forma, teremos o lugar que os macacos tem hoje.

Mas nem tudo esta’ irremediavelmente perdido, ainda temos uma porta aberta para nossa salvacao. Refiro-me `a auto-transformacao, que e’ contraria `a possibilidade das novas poderosas formas virem de outras linhagens evolucionarias, incluindo as possiveis existentes linhagens extra-terrestres. Refiro-me `a transcendencia que pode emergir de dentro da propria especie, seja ela promovida por um grupo apenas de humanos ou pela especie inteira.  Caimos aqui novamente na velha questao de que ou a especie humana se desenvolveu a partir da transcendencia de algum tipo de macaco ou se a especie humana e’ o resultado hoje de uma linhagem evolucionaria particular que surgiu desde LUCA por sua propria conta e risco. 

Seja como for, acredito que a auto-transformacao e’ possivel, mas a condicao necessaria e suficiente ‘e que forcemos o nosso cerebro a organizar seus neuronios numa forma de circuito sistemico diferente do qual ele opera hoje.  Pois certo esta’ que este cerebro com este circuito nao vai a lugar algum: ao inves de operar segundo a classica lei de causacao continua – onde todo efeito depende de uma causa que seja um fenomeno diferente do efeito – o cerebro capaz de entender melhor este mundo que nao foi produzido por este processo, tera’ que operar com o circuito da retro-alimentacao – onde o efeito seja um fenomeno igual a sua propria causa. Onde o efeito desca no tempo e no espaco para ser a causa de si proprio como efeito.

Sera’ esta transformacao possivel para nos? Creio que sim, parece que estamos a caminho dela, pelo menos alguns grupos de seres humanos. Naquela reuniao de cientistas em Genebra a 50 anos atras inventaram a Cibernetica ( estou ficando de memoria curta… quem estava la? Max Winer, Rosen… nao sei o que?). Foi um excelente passo na mudanca da forma como o cerebro pensa.

Mudar a forma do circuito operacional do cerebro (o hard-wire) e’ possivel com a mudanca de visao do mundo, mas nao qualquer visao, e sim aquela em que o mundo comece a ser explicado de forma que nao se fundamente na causacao continua. Um mundo que se explique sem comecos e sem fins sem eternidades e sem finitudes ou infinitudes. E me parece que a visao de mundo fundamentada na Matriz – a qual e’ quase toda baseada em retro-alimentacao – e’ uma forte indicada para isso. Um desses indicios e’ que os modelos da Matriz tem ja’ oferecido quadros explicativos da existencia do mundo que nao necessitam de comecos e fins (como o grafico alinhando universos compondo a mesma imagem do DNA, ou como o quadro onde a substancia de um mundo proton se lanca ao espaco, se transforma durante a viagem e chega tornando-se ou construindo um anti-mundo neutron, do qual depois ela retorna se transformando e criando um anti-mundo proton… infinitamente).

Mas uma coisa e’ certa, com visao da Matriz ou sem ela: o cerebro humano tem que esforcar-se para mudar. Tem que  correr atras de informacao, ou seja, estudar muito e muito. E saber selecionar as informacoes que vai absorver, ou seja, nao aquelas de qual cosmetico e’ melhor para o condicionamento dos cabelos, mas sim daquelas informacoes naturais que revelem a verdadeira Natureza. E estar sempre consciente que as causas e efeitos que vemos aqui na nossa biosfera nao sao as dominantes no mundo, pois nessa biosfera existe apenas a metade do processo do mundo, a metade que se refere a situacao de caos, enquanto a outra metade que se refere a situacao de ordem nao se apresenta aqui, temos que ir busca-la alem da Terra.  Tem que engolir em seco e aceitar sim, a conversa do chato que nos vem falar de ribossomos, mitocondrias, ou das novidades obtidas pelo novo LHC sobre o mundo das particulas, pois ali, no meio destas coisas, estao os circuitos sistemicos do mundo real.  Tem que estar esperto e atento para saber separar fatos de suas vestimentas teoricas, misticas, etc. Pois o mundo e’ produto de uma Lei maior que nao ‘e a Lei da Causacao Continua, a qual tem hard-wired nosso cerebro, mas tambem e’ certo que essa Lei maior esta’ vivente e operando no meio deste mundo, portanto, temos que levar nosso cerebro a sua mesa de cirurgia e deixar-se ser hard-wired por ela.

Quem fizer isto, tem a chance de ser transformado, conseguir a auto-transcendencia e ser a forma mais poderosa do amanha. Quem nao o fizer, que va’ aprendendo a gostar de bananas e viver chutado cada vez mais para os guetos das selvas. Mas como nos somos uns irremediaveis sentimentaloides, e gostamos pra’ caralho dos nossos semelhantes que carregam nosso sangue de especie, nao podemos aceitar a ideia que alguns vao ser salvos e outros nao ( como sao absurdas as religioes que pregam isso! arre!), por isso temos que estar aqui cutucando e empurrando para a frente os preguicosos…