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O Universo Relativo das Mil Faces:Cada uma adequada ao sabor de cada fregues

quarta-feira, agosto 18th, 2010

Um texto do famoso autor de ficção científica Isaac Asimov, é sempre uma jóia de sensatez do racionalismo,  mas mesmo  assim, a atual cosmovisão da Teoria da Matriz/DNA tem muito a mudar e a acrescentar sobre as crenças de Asimov, evidenciando que também o racional é mutante e está sob evolução.

Quando projetei num gráfico cartesiano tendo como coordenadas o tempo e o espaço as pegadas deixadas pela História da Evolução desde o Big Bang e lancei à frente a previsão futura do que o resultado no  gráfico sugeria,  observei surpreso que a minha linha senoidal retornava ao Big Bang. Então tempo e espaço não influem, é como se não existissem, por isso retirei o gráfico e sobrou um desenho, uma figura. A História não tinha sido inútil, improdutiva, pois o que partiu do Big Bang foi matéria sob as simples regras da Física e o que retornou não foi mais a mesma matéria, esta ficou no meio do caminho descartada como a placenta é descartada na gestação de um novo ser. O que retornou ao Big Bang e daí se projetou para retornar ao antes da existência e da criação  foi produzido com a matéria, porem transformada em uma substância abstracta, a qual denominamos mente ou auto-consciência.

Por isso, concluí que a História Universal teve inicio num Big Bang e vai terminar num Big Birth. Mas ao observar a figura resultante, de repente quase caí da cadeira! Era exatamente a figura de uma secção do DNA! Meu mundo intelectual desmoronou, peguei-o no flagrante em sua farsa. Pois quem fez todo aquele exercício buscando o significado da existência foi um cérebro humano composto de neuronios, estes tem como essência nos seus núcleos o DNA, portanto era o DNA quem buscava. Sabendo-se do egotismo centrista pelo qual o mundo deve girar em torno do nosso  umbigo – bem evidenciado na frase “Deus à nossa imagem e semelhança” – não foi difícil perceber que o DNA projetou-se ao ponto central da História, a ponto de resumir o significado da existência à sua imagem e semelhança. Jôgo com cartas viciadas: o DNA havia conduzido a senóide no meu gráfico para embevecido mostrar-se projetado num espelho reinando soberano no mundo.

Seguindo suas preferências particulares que produziam curvaturas em coisas inexistentes de fato como o espaço e o tempo, ora vendo aqui alguns buracos negros, ora vendo ali alguns buracos de minhoca, Einstein morreu acreditando que havia encontrado uma forma final do Universo, a forma cilíndrica. Ele também foi traído por alguma armadilha preparada para nossas mentes, tornou-se tão cego por ela que não notou o óbvio: se tudo é relativo, tudo depende do ponto evolutivo no espaço-tempo onde se situa um observador, o Universo inteiro teria que ser um fenomeno relativo. Como resultado ele apresentaria uma face ilusória diferente para cada diferente observador, cada uma bem talhada para satisfazer o gôsto de cada freguês. Foi o que aconteceu com os hebreus e a face de Deus, foi o que aconteceu com o DNA no centro do meu cocuruto e a face do Universo como um enorme DNA, botando tudo o mais prostrados e adorando-o.

Mas no final suspeitei que existe um sentido lógico nesse comportamento do Universo. Além dele ir assim quebrando um espírito arrogante, depurando-o da sua arrogância de tombo em tombo, ele impõe uma ordem sequencial bem sólida ao caminhar do conhecimento, onde cada conclusão é auto-testavel.

Vejamos a jóia seguinte lapidada por Isaac Asimov

 A Relatividade do Errado

Isaac Asimov

Outro dia eu recebi uma carta. Estava escrita à mão em uma letra ruim, tornando a leitura muito difícil. Não obstante, eu tentei devido à possibilidade de que fosse alguma coisa importante. Na primeira frase, o escritor me disse que estava se formando em literatura Inglesa, mas que sentia que precisava me ensinar ciência. (Eu suspirei levemente, pois conhecia muito poucos bacharéis em literatura inglesa equipados para me ensinar ciência, mas sou perfeitamente ciente do meu estado de vasta ignorância e estou preparado para aprender tanto quanto possa de qualquer um, então continuei lendo.)

Parece que em um de meus inúmeros ensaios, eu expressei certa felicidade em viver em um século em que finalmente entendemos o básico sobre o universo.

Eu não entrei em detalhes, mas o que eu queria dizer era que agora nós sabemos as regras básicas que governam o universo, assim como as inter-relações gravitacionais de seus grandes componentes, como mostrado na teoria da relatividade elaborada entre 1905 e 1916. Também conhecemos as regras básicas que governam as partículas subatômicas e suas inter-relações, pois elas foram descritas muito ordenadamente pela teoria quântica elaborada entre 1900 e 1930. E mais, nós descobrimos que as galáxias e os aglomerados de galáxias são as unidades básicas do universo físico, como descoberto entre 1920 e 1930.

Veja, essas são todas descobertas do século vinte.

(Comentário da Matriz: “Note-se como o mundo está cheio de ciladas, armadilhas, para pegar os arrogantes que acreditam que conhecem. Afirmar que conhece-se as regras básicas que governam o Universo porque descobriu-se que as galáxias são as unidades básicas do universo físico é uma tremenda heresia contra o racionalismo e a Ciência.  Primeiro porque esta hipótese não é testável nem demonstrável cientificamente. Não se pode por o Universo numa banqueta de experiências. Segundo porque as unidades básicas de um corpo qualquer apresentam regras básicas que nunca coincidem com as regras básicas da totalidade do corpo. As unidades básicas do corpo humano são os átomos, mas as regras básicas que governam o corpo humano não são as regras básicas que governam os átomos. Por exemplo, corpos humanos surgem pelo processo genético e átomos não.   

O que se almeja transmitir nesta informação é que já conhecemos o Universo porque estaria provado que o Universo foi originado e está sendo transformado, regido pelas Leis da Física.  

Tempos atrás acreditou-se que as unidades básicas do corpo humano físico sejam os átomos. Desde os gregos todos os corpos seriam formados de átomos. Mas o corpo humano não é limitado à ordem de fenomenos abarcados pela Física. Num nível superior de organização, os aglomerados de átomos formam as células, as quais foram consideradas depois as unidades básicas. Porque devido à nossa capacidade de ver um corpo humano por inteiro sabemos que as células pertencem ao nível biológico da organização da matéria, o qual desce sobre os átomos do organismo impondo-lhes comportamentos, funções, diferentes daqueles que apresentam quando compõem um elemento simplesmente físico como rochas e gazes. Assim como a religião muçulmana desce sobre o homem árabe impondo-lhe comportamentos e funções sociais diferentes da que o cristianismo faz do homem ocidental. É o mesmo homem, são os mesmos átomos. Mas não podemos ainda nos situar fora do Universo e vê-lo por inteiro. Para não citar o teorema de Godel firmando que ninguém pode conhecer um sistema estando apenas dentro dele. Então, quem nos garante que as galáxias não sejam influenciadas por um nível superior de organização? De maneira que elas sejam as unidades básicas de um Universo, por exemplo, biológico, ou ainda, auto-consciente? Vivo ou semi-vivo? Tal como estão sugerindo os modelos da Teoria da Matriz? Asimov seria mais feliz se tivesse dito: “agora sabemos que as galáxias são as unidades básicas da Física no Universo, porém, não se precipite em concluir que o Universo tenha a ordem dos fenomenos e processos da Física como o ultimo nível de organização.”    

E se não tiver, as teorias do Big Bang, da Abiogênese, da Evolução, e a Teoria Nebular Astronomica, estarão todas incompletas de maneira que desviam o homem do entendimento do verdadeiro significado do Universo. Pois a possível existência de um nível superior de organização do Universo, ou ainda além deste Universo, desceria sobre toda a matéria e eventos dirigindo-os por fôrças que certamente ainda desconhecemos. Assim como a teoria da Matriz, ao concluir que o Universo é uma produção genética, está sugerindo a existência de mecanismos e processos naturais jamais imaginados antes mas que teriam atuado sobre os elementos e eventos abordados por aquelas teorias aumentando em muito a complexidade calculada por elas.” 

Mas voltando ao texto de Isaac Asimov, vamos ver como ele próprio fornece as evidências que retornam contra sua afirmação acima, corrigindo-a:  

 O jovem especialista em literatura inglesa, depois de me citar, continuou me dando uma severa bronca a respeito do fato de que em todos os séculos as pessoas pensaram que finalmente haviam compreendido o universo, e em todos os séculos se provou que elas estavam erradas. Segue que a única coisa que nós podemos dizer sobre nosso “conhecimento” moderno é que está errado. O jovem citou então com aprovação o que Sócrates disse ao saber que o oráculo de Delfos o tinha proclamado o homem o mais sábio da Grécia: “se eu sou o homem o mais sábio”, disse Sócrates, “é porque só eu sei que nada sei”. A consequência era que eu era muito tolo porque tinha a impressão de saber bastante.

Minha resposta a ele foi esta: “John, quando as pessoas pensavam que a Terra era plana, elas estavam erradas. Quando pensaram que a Terra era esférica, elas estavam erradas. Mas se você acha que pensar que a Terra é esférica é tão errado quanto pensar que a Terra é plana, então sua visão é mais errada do que as duas juntas”.

O problema básico é que as pessoas pensam que “certo” e “errado” são absolutos; que tudo que não é perfeitamente e completamente certo é totalmente e igualmente errado.

Entretanto, eu penso que não é assim. Parece-me que certo e errado são conceitos nebulosos, e eu devotarei este ensaio a explicar por que eu penso assim.

(Comentário da Matriz: O caso em que cada nova teoria sobre um determinado objeto contem êrros, porem um grau de êrro menor que a anterior e dois graus de êrro menor que a ante-penultima será melhor entendido lendo-se o relativismo do universo de mil faces no fim deste artigo)

… Quando meu amigo, o perito em literatura inglesa, me disse que em todos os séculos os cientistas pensaram ter entendido o universo e estavam sempre errados, o que eu quero saber é quão errados estavam eles? Todos estão errados no mesmo grau? Vamos dar um exemplo.

Nos primeiros dias da civilização, a sensação geral era que a Terra era plana. Não porque as pessoas eram estúpidas, ou porque queriam acreditar em coisas estúpidas. Achavam que era plana por evidências sólidas.

(Comentário da Matriz: “Mas… dear Asimov! Como você salta do Universo para a Terra assim num piscar de olhos?! O literato inglês estava falando sobre “universo” e você vem apresentar como exemplo um planetinha perdido na imensidão cósmica dentro deste universo? Para manter-mos a saúde mental, combater dentro de nós a arrogância própria do selfish gene, evitar-mos os fanatismos religiosos e ideológicos, temos que sempre ter em mente os nossos limites, os limites do nossa atual capacidade de conhecimento. Tal como nos esforçamos em fazer dentro da cosmovisão da Matriz: nos esticamos o máximo possível para alcançar os limites da matéria ou seja, da Natureza material, porém daí não queremos dar um passo além por ora, pois desde aqueles limites temos que voltar ao aqui e agora onde ficou muita coisa para trás oculta ou precisando ser consertada. Será que o literato inglês engoliu sua indevida elocubração mental neste caso?!)

Não era só uma questão de “parece que é”, porque a Terra não parece plana. Ela é caóticamente irregular, com montes, vales, ravinas, penhascos, e assim por diante.

Naturalmente há planícies onde, em áreas limitadas, a superfície da Terra parece relativamente plana. Uma dessas planícies está na área do Tigre/Eufrates, onde a primeira civilização histórica (com escrita) se desenvolveu, a dos Sumérios.

Talvez tenha sido a aparência da planície que convenceu os Sumérios inteligentes a aceitar a generalização de que a Terra era plana; que se você nivelasse de algum modo todas as elevações e depressões, sobraria uma superfície plana. Talvez tenha contribuído com essa noção o fato que as superfícies d’água (reservatórios e lagos) parecem bem planas em dias calmos.

Uma outra maneira de olhar é perguntar qual é a “curvatura” da superfície da terra ao longo de uma distância considerável, quanto a superfície se desvia (em média) do plano perfeito. A teoria da Terra plana diria que a superfície não se desvia em nada de uma forma chata, ou seja, que a curvatura é 0 (zero) por milha.

É claro que hoje em dia aprendemos que a teoria da Terra plana está errada; que está tudo errado, enormemente errado, certamente. Mas não está. A curvatura da terra é quase 0 (zero) por milha, de modo que embora a teoria da Terra plana esteja errada, está quase certa. É por isso que a teoria durou tanto tempo.

Havia razões, com certeza, para julgar insatisfatória a teoria da Terra plana e, por volta de 350 A.C., o filósofo grego Aristóteles as resumiu. Primeiro, algumas estrelas desapareciam para o hemisfério do sul quando se viajava para o norte, e desapareciam para o hemisfério norte quando se viajava para o sul. Segundo, a sombra da Terra na Lua durante um eclipse lunar era sempre o arco de um círculo. Em terceiro lugar, aqui na própria Terra, é sempre o casco dos navios que desaparece primeiro no horizonte, em quaisquer direções que viajem.

Todas as três observações não poderiam ser razoavelmente explicadas se a superfície da Terra fosse plana, mas poderiam ser explicadas supondo que a Terra fosse uma esfera.

E mais, Aristóteles acreditava que toda matéria sólida tendia a se mover para o centro comum, e se a matéria sólida fizesse isso, acabaria como uma esfera. Qualquer volume dado de matéria está, em média, mais perto de um centro comum se for uma esfera do que se for qualquer outra forma.

Cerca de um século após Aristóteles, o filósofo grego Eratóstenes notou que o Sol lançava sombras de comprimentos diferentes em latitudes diferentes (todas as sombras teriam o mesmo comprimento se a superfície da Terra fosse plana). Pela diferença no comprimento da sombra, calculou o tamanho da esfera terrestre, que teria 25.000 milhas (cerca de 40.000 km) de circunferência.

Tal esfera se encurva aproximadamente 0,000126 milhas por milha, uma quantidade muito perto de 0, como você pode ver, e que não seria facilmente mensurável pelas técnicas à disposição dos antigos. A minúscula diferença entre 0 e 0,000126 responde pelo fato de que passou tanto tempo para passar da Terra plana à Terra esférica.

Note que mesmo uma diferença minúscula, como aquela entre 0 e 0,000126, pode ser extremamente importante. Essa diferença vai se acumulando. A Terra não pode ser mapeada em grandes extensões com nenhuma exatidão se a diferença não for levada em conta e se a Terra não for considerada uma esfera e não uma superfície plana. Viagens longas pelo mar não podem ser empreendidas com alguma maneira razoável de encontrar sua própria posição no oceano a menos que a Terra seja considerada esférica e não plana.

Além disso, a Terra plana pressupõe a possibilidade de uma terra infinita, ou da existência de um “fim” da superfície. A Terra esférica, entretanto, postula que a Terra seja tanto sem fim como no entanto finita, e é este postulado que é consistente com todas as últimas descobertas.

Assim, embora a teoria da Terra plana esteja somente ligeiramente errada e seja um crédito a seus inventores, uma vez que se considere o quadro todo, é errada o suficiente para ser rejeitada em favor da teoria da Terra esférica.

Mas a Terra é uma esfera?

Não, ela não é uma esfera; não no sentido matemático estrito. Uma esfera tem determinadas propriedades matemáticas — por exemplo, todos os diâmetros (isto é, todas as linhas retas que passam de um ponto em sua superfície, através do centro, a um outro ponto em sua superfície) têm o mesmo comprimento.

Entretanto, isso não é verdadeiro na Terra. Diferentes diâmetros da Terra possuem comprimentos diferentes.

O que forneceu a ideia de que a Terra não era uma esfera verdadeira? Para começar, o Sol e a Lua têm formas que são círculos perfeitos dentro dos limites de medida nos primeiros dias do telescópio. Isso é consistente com a suposição de que o Sol e a Lua são perfeitamente esféricos.

Entretanto, quando Júpiter e Saturno foram observados por telescópio pela primeira vez, logo ficou claro que as formas daqueles planetas não eram círculos, mas claras elipses. Isso significava que Júpiter e Saturno não eram esferas de fato.

Isaac Newton, no fim do século dezessete, mostrou que um corpo de grande massa formaria uma esfera sob atração de forças gravitacionais (exatamente como Aristóteles tinha proposto), mas somente se não estivesse girando. Se girasse, aconteceria um efeito centrífugo que ergueria a massa do corpo contra a gravidade, e esse efeito seria tão maior quanto mais perto do equador. O efeito seria tão maior quanto mais rapidamente o objeto esférico girasse, e Júpiter e Saturno certamente giravam bem rapidamente.

A Terra gira muito mais lentamente do que Júpiter ou Saturno, portanto o efeito deveria ser menor, mas deveria estar lá. Medidas de fato da curvatura da Terra foram realizadas no século dezoito e provaram que Newton estava correto.

Em outras palavras, a Terra tem uma protuberância equatorial. É achatada nos pólos. É um “esferoide oblato” e não uma esfera. Isto significa que os vários diâmetros da terra diferem em comprimento. Os diâmetros mais longos são os que vão de um ponto no equador a outro ponto oposto no equador. Esse “diâmetro equatorial” é de 12.755 quilômetros (7.927 milhas). O diâmetro mais curto é do pólo norte ao pólo sul e este “diâmetro polar” é de 12.711 quilômetros (7.900 milhas).

A diferença entre o maior e o menor diâmetro é de 44 quilômetros (27 milhas), e isso significa que a “oblacidade” da Terra (sua diferença em relação à esfericidade verdadeira) é 44/12755, ou 0,0034. Isto dá 1/3 de 1%.

Em outras palavras, em uma superfície plana, a curvatura é 0 em todos os lugares. Na superfície esférica da Terra, a curvatura é de 0,000126 milhas por milha todos os lugares [ou 8 polegadas por milha (12,63cm/km)]. Na superfície esferoide oblata da Terra, a curvatura varia de 7,973 polegadas por milha (12,59cm/km) a 8,027 polegadas por milha (12,67cm/km).

A correção de esférico a esferoide oblato é muito menor do que de plano a esférico. Consequentemente, embora a noção da Terra como uma esfera seja errada, estritamente falando, não é tão errada quanto a noção da Terra plana.

Mesmo a noção esferoide oblata da Terra é errada, estritamente falando. Em 1958, quando o satélite Vanguard I foi posto em órbita sobre a Terra, ele mediu a força gravitacional local da Terra — e consequentemente sua forma — com precisão sem precedentes. No fim das contas, descobriu-se que a protuberância equatorial ao sul do equador era ligeiramente mais protuberante do que a protuberância ao norte do equador, e que o nível do mar do pólo sul estava ligeiramente mais próximo o centro da terra do que o nível do mar do pólo norte.

Não parecia haver nenhuma outra maneira de descrever isso senão que dizendo a Terra tinha o formato de uma pêra, e muitas pessoas decidiram que a Terra não se parecia em nada com uma esfera mas tinha a forma de uma pêra Bartlett dançando no espaço. Na verdade, o desvio do formato de pêra em relação ao esferoide oblato perfeito era uma questão de jardas e não de milhas, e o ajuste da curvatura estava na casa dos milionésimos de polegada por milha.

Em suma, meu amigo literado em inglês, viver em um mundo mental de certos e errados absolutos pode significar imaginar que uma vez que todas as teorias são erradas, podemos pensar que a Terra seja esférica hoje, cúbica no século seguinte, um icosaedro oco no seguinte e com formato de rosquinha no seguinte.

(Comentário da Matriz: Comece a entender o que vou dizer com “o Universo é um fenomeno relativista, é uma cilada à arrogância porque ele apresenta mil faces diferentes, e deve apresentar uma ultima, a verdadeira, a qual será a composição final feita por todas as mil faces ilusórias. Aqui ele já revelou algumas de suas faces cosmovisionarias que dominaram os povos e a mentalidade de suas épocas: uma super-crença numa falsa verdade ultima levou toda uma civilização a ver uma face a qual troçava com essa civilização como a serpente enganou Eva, convencendo-a de que a Terra fosse plana; essa civilização construiu-se a si mesma, ao seu homem, a sua ideologia, a sua religião, o seu sistema social, o estilo de construção de suas cidades e sei nível de tecnologia, e determinou o tipo de relações entre seus indivíduos, tudo baseado na face que viam do mundo. Como a face era tremendamente ilusória, a civilização ruiu sobre seus alicerces. Assim tivemos os impérios ou civilizações babilonico, assírio, egípcio, romano, e agora… a qual vai ruir também se depressa não aprender-mos a lição vinda dos nossos antepassados. Quando uma face torna-se insuportável e desvela sua máscara, uma “verdade ” inculcada na mente do povo desfaz-se em fragmentos, a sua obra material acompanha este colapso e tudo torna-se abaixo. Mas então começa a levantar-se uma nova face das cinzas da anterior, uma nova civilização emerge. Portanto, sejamos como Socrates, sempre com um pé atrás e combatendo os que alardam conhecer o que não é visível e palpável aos nossos sentidos, assim podemos evitar as quedas abruptas dolorosas e nós mesmos promover-mos transições suaves. Estás entendendo o porque, apesar de 30 anos sendo bombardeado por evidências sugerindo que a Teoria da Matriz está correta e teria desvendado os limites ultimos da natureza material, mesmo assim continuo sempre avisando para não acreditarem nela, que eu suspeito dela, pois quando ela, faceira e cheia de argumentos, me sussurra aos ouvidos atraindo-me aos seus encantos vem-me à mente a imagem da serpente enrolada na árvore oferecendo a maçã e enganando Eva. Cuidado!) 

O que acontece na verdade é que uma vez os cientistas tomam um bom conceito, eles o refinam gradualmente e o estendem com sutileza crescente à medida que seus instrumentos de medida melhoram. As teorias não são tão erradas quanto incompletas.

Isto pode ser dito em muitos casos além da forma da Terra. Mesmo quando uma nova teoria parece representar uma revolução, ela geralmente surge de pequenos refinamentos. Se algo mais do que um pequeno refinamento fosse necessário, então a teoria anterior não teria resistido.

Copérnico mudou de um sistema planetário centrado na Terra para um centrado no Sol. Ao fazer isso, mudou de algo que era óbvio para algo que era aparentemente ridículo. Entretanto, era uma questão de encontrar melhores maneiras de calcular o movimento dos planetas no céu, e a teoria geocêntrica acabou sendo deixada para trás. Foi exatamente porque a teoria antiga dava resultados razoavelmente bons pelos padrões de medida da época que ela se manteve por tanto tempo.

Novamente, foi porque as formações geológicas da Terra mudam tão lentamente e as coisas vivas sobre ela evoluem tão lentamente que parecia razoável no início supor que não havia nenhuma mudança e que a Terra e a vida sempre existiram como hoje. Se isso fosse assim, não faria nenhuma diferença se a Terra e a vida tinham bilhões ou milhares de anos. Milhares eram mais fáceis de se entender.

Mas quando cuidadosas observações mostraram que a Terra e a vida estavam mudando a uma taxa que era minúscula mas não nula, a seguir tornou-se claro que a Terra e a vida tinham que ser muito antigas. A geologia moderna surgiu, e também a noção de evolução biológica.

Se a taxa de mudança fosse maior, a geologia e a evolução alcançariam seu estado moderno na Antiguidade. É somente porque a diferença entre as taxas de mudança em um universo estático e em um evolutivo estão entre zero e quase zero que os criacionistas continuam propagando suas loucuras.

Uma vez que os refinamentos na teoria ficam cada vez menores, mesmo teorias bem antigas devem ter estado suficientemente certas para permitir que avanços fossem feitos; avanços que não foram anulados por refinamentos subsequentes.

Os Gregos introduziram a noção de latitude e longitude, por exemplo, e fizeram mapas razoáveis da bacia mediterrânea mesmo sem levar em conta a esfericidade, e nós usamos ainda hoje latitude e longitude.

Os Sumérios provavelmente foram os primeiros a estabelecer o princípio de que os movimentos planetários no céu são regulares e podem ser previstos, e tentaram achar maneiras de fazê-lo mesmo assumindo a Terra como o centro do universo. Suas medidas foram enormemente refinadas mas o princípio permanece.

Naturalmente, as teorias que temos hoje podem ser consideradas erradas no sentido simplista do meu correspondente bacharel em literatura inglesa, mas em um sentido muito mais verdadeiro e mais sutil, elas precisam somente ser consideradas incompletas.

Comentários da Matriz:

Azimov diz

“… vivemos em um século em que finalmente entendemos o básico sobre o universo.”

Será mesmo?

 Vamos pensar numa situação análoga à que nos encontramos agora nêste Universo: Micróbios do tamanho de poucos átomos vivendo dentro de uma célula. Mas vamos forçar um pouco mais a analogia e supor que estamos na mesma situação de micróbios que estão dentro de uma célula que faz parte de um feto em gestação.

Qual seria o entendimento básico dos micróbios sôbre seu universo total,  cujos limites longínquos seria a membrana celular?

Assim como vemos as ondas do mar indo e voltando, os ventos movendo e misturando as coisas da Natureza, os gazes formando vapores e se transformando em água, as águas dos rios nas margens formando pantânos,  a energia solar numa febril atividade transformadora, assim também os micróbios veriam apenas fenomenos estritamente físicos: nuvens escuras de cloreto de sódio vindas do sul rugindo com trovões e emitindo relampagos que ionizam camadas de calcio nos grandes vales  das vesículas, citoplasma movendo-se como oceanos e objetos como o RNA transportador sendo movidos, etc. Nem mesmo a segunda ordem de fenomenos depois da Física, que é a Química, seria para êles perceptível. Quanto menos ainda perceptível seria a mais elevada ordem de fenomenos que é a Biologia, onde o seu universo, se mostraria não mais eterno porém finito sujeito a morte e nascimentos, e ainda,  seu universo, celular, não seria mais que um simples tijolinho de uma fantástica organização em desenvolvimento que é o corpo de um ser vivo. De cuja existência nossos micróbios jamais poderiam sequer imaginar!

Pois o conhecimento mais ultra-moderno do universo-aglomerado de galáxias dos humanos restringe-se ainda apenas à ordem dos fenomenos da Física.  E vemos que os processos físicos se perdem e se anulam dentro de algo maior, os químicos, mas êstes se perdem dentro dos processos biológicos, e inclusive existem corpos biológicos cujo mínimo movimento dependem da autoridade de uma ordem de fenomeno acima de todos conhecidos, que é a mente humana. Pura hierarquia entre os sistemas naturais. Curioso é que a evolução destes sistemas materiais – desde os átomos às células aos orgãos aos corpos têve um final que não é material, pois foram todos transformados em conceitos na mente humana. Isso significa que entender o Universo seria conhecê-lo o suficiente para reduzi-lo a um conceito na mente humana. Como vemos células e corpos na sua totalidade e em ação desde fora e de cima temos um idéia dconceitual do que são, porque existem, qual seus significados. Mas estamos muito longe ainda de conseguir o mesmo com o nosso Universo.  E vegetando no meio da ordem de fenomenos abrangidos pela Física jamais vamos entender o básico do Universo porque êste pode ser um fenomeno biológico, assim como os micróbios são incapazes de alcançar o conceito de “célula viva e  biológica”. Enquanto apenas a Física com sua linguagem Matemática estiver no dominio da Cosmologia, não teremos a menor idéia do que está governando os fenomenos físicos e para que fim.  Aliás, as poucas tentativas de formulação de um conceito pelos físicos se esborracham contra a realidade observada, como por exemplo, o átomo primordial que teria se desdobrado hoje em girafas e bicicletas, o universo em eterno repouso ou do eterno retorno. Nunca foi observado tal átomo e nada em repouso ou retorno, como absolutos.

Apenas a Teoria da Matriz/DNA foi conduzida por seus modelos a vislumbrar uma camada superior de fenomenos no Universo contendo os fenômenos físicos. Trata-se da camada de fenomenos onde o Universo apresenta processos genéticos, como se fôsse uma produção genética. Biológica. Porém, aqui, o entendimento básico do Universo de Asimov e dos ultra modernistas torna-se tão minusculo como o entendimento básico dos micróbios dentro de seu universo celular.

Asimov desconhecia outro incrível resultado dos modelos da Matriz: a do Universo Relativo de Mil Faces. Tal como Einstein se equivocou perdendo-se dentro da magnitude de sua própria teoria, Asimov ainda está aplicando a relatividade geral sobre fenomenos isolados no puro estilo reducionista. Agora por exemplo êle submeteu o fenomeno do êrro humano  ao relativismo. A Matriz foi mais longe, percebeu que a relatividade se aplica ao Universo como um tôdo. O que significa isso? Que o Universo tem mil faces diferentes para mil diferentes espécies de micróbios, mas cada face é um milionésimo da realidade, da Face Final. Os outros 999% são ilusões, mentiras, ignorância. Mas à medida que duplica o tamanho dos micróbios duplica também a parcela da realidade que dominam. Assim vai de 1% para 2%, para 4%… o que siginifica 996% de ilusões ainda. Quando um ultimo ser atingisse o ultimo posto evolutivo possivel, só então as mil faces se tornariam uma nova, total, diferente e serpreendente face, contendo tôdas as outras. Seria como os micróbios intra-celulares vissem de repente o ser humano e adulto dentro do qual existem.

A ordem dos fenomenos físicos e os corpos que resultam dessa ordem de organização da matéria deve estar numa escala bem inferior do conhecimento, se considerar-mos um corpo de ser vivo onde acima dela vemos a ordem química, depois ainda sobre elas, a ordem biológica, e ainda acima desta, a ordem dos pensamentos, da auto-consciência. A qual parece tratar-se de uma abstração conceitual, um retorno, um encontro com o conceito inicial. Tlavez no final de tudo reste apenas isso: um conceito que na sua essência é uma auto-consciência.

No modêlo do gráfico cartesiano onde a Matriz descobre o Universo Relativo de Mil Faces ( cujo grafico ainda não me lembro se já trouxe ou não para o web-site), a nossa evolução se dá exatamente como ASIMOV entendeu o processo dos refinamentos das teorias. Cada refinamento realizado é exatamente isto: a duplicação do entendimento produzida pela evoluçao gradativa do observador. O Universo tem uma face ilusória para cada tipo de freguês observador, ilusória no sentido que todo observador acredita que viu a face final. Ela é uma face real, assim como a idéia de que a Terra seria plana tinha algo de correto nela. Depois a idéia de que a Terra seria esférica parecia incontestavel, mas apesar de errada, tinha muito mais de verdadeiro nela. Eu penso que munir-se da cosmovisão da Matriz é o observador situar-se num ponto do tempo e do espaço superior evolutivamente onde existem  muitos êrros ilusórios ainda, com certeza, porém menos um pouco do que os êrros do “conhecimento” ultra-modernista.