Qual a utilidade prática de uma nova cosmovisão como a Matrix/DNA e qual a utilidade publica de ter filósofos naturalistas como eu?

Vale a pena viver a Vida? Se não, o mais racional para o rico é apenas se divertir até morrer, e para o pobre é suicidar-se logo de forma indolor. Se sim, ( o rico já respondeu acima que sim), eu pergunto ao pobre: porque é racional a você manter-se vivo nas suas condições de vida?

Todos os pobres a quem fiz a pergunta, imediatamente saíram fora do nível racional, entrando imediatamente no nível da fantasia metafisica ou mostrando estar condicionado mentalmente por esta cultura humana criada e inventada pelos mais fortes para fazerem o seu trabalho sujo.

Bem eu nasci pobre. Ainda dos piores, sem família e casa, criado ora nas ruas, ora temporariamente por algum parente. E quando cheguei por volta dos 20 anos muito sofridos, me fazendo essa pergunta, concluí que era mais racional preparar meu suicídio. Como escravo fugindo da senzala fui para morrer na selva amazônica, mas lá acabei achando algum ouro. Então, pensei que aquilo daria para comprar um terreno numa praia, fazer uma casa com um bar na frente, se não vendesse pinga num dia iria pegar uns peixes, encostar o burro na sombra gozando o resto da vida, e retornei da selva, vivo.

Mas enquanto viajava de hotel em hotel no litoral procurando o terreno e a praia, nas noites me sentava com cervejas e o fumo e ficava pensando, filosofando. Me voltava sempre a velha pergunta: “Vai valer a pena viver essa vida?”

Mas aconteceu algo na selva que, creio, me desconfigurou a rede neuronial que havia sido construída por milhares de leituras de todas as correntes do pensamento, religiões, e principalmente as informações fornecidas pela maioria das disciplinas cientificas, rede essa que eu de “o meu racional”. E acreditava que o meu racional era o mais perfeito e completo que pode existir, estava limpo de todas as misticas e teorias, exclusivamente embasado em dados realmente, cientificamente comprovados. Para mim continuava a conclusão de que me é indiferente viver ou não a experiencia de desocupado proprietário praiano e pescador até morrer. Nada faz sentido, nada tem proposito.

Agora eu não conseguia definir bem o que, mas algo na selva me abalou aquela certeza, me remexeu o racional, a ponto da velha pergunta mudar seu tom de racionalidade. Agora era:

” Vale a pena para as galaxias estarem assim, semeando a semente da vida em cada planeta dentro dela para frutificar naqueles que são de boa seara? Qual seria o lucro final, a vantagem, para as galáxias, na colheita dessa semeadura?”

” Tudo bem… as galáxias são tão irracionais como os pobres que perpetuam a vida plantando suas sementes e gerando rebentos sem qualquer lucro final e para desaparecerem todos um dia. Não é bem esta a questão interessante aqui. A questão que me angustia, me deixa inquieto surge quando troco o nome “galaxias” pelo nome “sistema astronomico”, e o nome vida, por “sistema biológico”. Agora estou limpando os conceitos metafísicos com que os humanos impregnam os fatos, excluindo a influencia do intelecto humano sobre estes objetos reais, para vê-los nus e crus tal como são. O que existe de comum entre a galaxia e sua cria é o fenótipo, ao qual damos o nome de “sistema”. Fica fácil aceitar que meus pais plantaram a semente que me trouxe à vida, aqui não preciso dizer que “corpos que são sistemas produziram uma semente que produziu um novo sistema, o qual é o meu corpo”. Sistemas é o fenótipo comum entre meus pais e eu, e sistemas é fenótipo comum entre o corpo da galaxia e o corpo de qualquer vivo.. Porque quando conserto as palavras devidas aos objetos, surge uma avalancha de perguntas que nunca me fiz antes, e nem mesmo nunca vi um filósofo ou cientista fazendo-as…:

“Como é a semente da vida?”

” Digo, qual sua constituição física?”

“Tem que ser algo parecido ( um grau menos evoluído) com o genoma, o DNA, o código genético biológicos. Mas onde está na galaxia, como é, como vem, transportado ou espalhado, pipocando de papoulas?”

“Porque essa diferença brutal entre criador e criatura, ou seja, entre o sistema galáctico e sua primeira criatura direta, o sistema celular ?!”

Não me refiro à diferença de tamanho, pois isto é mero problema relativista, e a natureza é expert em aplicar a nanotecnologia. Afinal ela não enfiou o corpo dos meus pais dentro de um microscópico saquinho cromossômico? Me refiro à diferença de grau evolutivo… Epa!… Heureka! Acabei de fazer uma grande descoberta: tem que haver um elo evolucionário entre galaxias e a primeira célula. LUCA? Mais um elo perdido para procurar-mos…

Bem, uma avalancha de mais perguntas me ocupavam até o sono vir de madrugada naqueles hotéis. Primeiro desconfiei que o revertério na minha configuração neuronial abalando meu racional pode ter sido produzido pelas noites na selva deitado numa rede no mais alto das arvores de onde eu via o céu mais estrelado do mundo ao mesmo tempo que via a escuridão da mata e minha vista ficava indo de um para outro enquanto delirava sob a febre malárica. A febre esquenta o cérebro, as sinapses ficam moles como macarrão e depois quando a febre se esvai os macarrões terminam conectados de diferente maneira… Isso já aconteceu na cabeça de outro filosofo, aquele que inventou a religião do Flying Spaguetti Monster… Raios, eu nunca havia pensado em galaxias… muito menos raciocinado que não pode existir outro criador da vida senão as galaxias.

É possível que a criação da vida pode ser por acaso, como estão ensinando nas escolas, mas este acaso só teve disponível as forças e elementos naturais disponíveis na galaxia, em nenhum lugar mais. Uma girafa não planeja dar a cria, ela surge por acaso, mas com material apenas da girafa… Ou seja, o acaso na criação da Vida é um acaso contido, na galaxia.

Bem… aqui desponta as respostas para as perguntas no título. Desisti de comprar terreno na praia, voltei para a selva, montei um restaurante num garimpo que me rendeu o suficiente para passar sete anos pesquisando na biosfera de natureza virgem na busca de qual foi a semente, como ela era, e como veio. Pois se a vida vale a pena ou não, depende de quem faz a pergunta. Se a própria vida ( através de um vivo como eu), ou se a galaxia, que a produz. A vida já encontrou sua resposta: não, não vale a pena. mas qual a resposta para a galaxia? O produtor? Talvez seja: ” Sim, a vida vale a pena porque ela me dá lucros, vantagens.”

Então porque vou ficar penando como o meio para um fim, e não partir para gozar o lucro do fim? Se eu descobrir qual a vantagem para a galaxia explorar a existência da vida, é possível que eu me apodere dessa vantagem. Ora, não vou ser a vida, vou ser o lucrador da existência da vida… Vou ser a galaxia, o criador, e não a criatura…

Aí sim, talvez valha a pena viver…

Brincadeira, eu estava apenas brincando. Assim como a carcaça putrefata dá sentido para a vida de um urubu, mas para mim não, talvez o lucro da galaxia para manter a vida não me apeteça. Talvez a vida seja para a galaxia o que o cosmético é para a mulher, apenas exibição de uma vaidade que desaparece. Eu pensei nisso mas claro, não faz sentido e releguei esse pensamento para o porão do esquecimento. Outra foi a motivação de eu investir tudo para procurar a tal semente. Na verdade foi uma: Filosofia. O vicio que faz a fraqueza dos filósofos.

Por fim, o filósofo naturalista tem uma intuição cósmica, parece-lhe que fisgou um novo fio da meada do Grande Mistério, então volta a colher todos os dados que a humanidade sabe de fato sobre a natureza real, desde o micro ao macro, desde o Big Bang aos dias de hoje, espalha tudo no piso do salão e ali vive e dorme por semanas, anos, mudando os cartões com dados de lugar, conectando-os de um jeito, desmanchando, conectando-os de outro, procurando montar o grande quebra-cabeças. Quando termina ele olha o resultado, o grande quadro final, e descobre: “Está aí uma nova forma de interpretar o mundo, as existências de tudo, uma nova cosmovisão que nunca foi pensada antes. E ela prediz novos eventos, ela sugere experimentos, porque ela é uma teoria racional.”

Foi assim o início de quase todas as grandes descobertas, das ideologias que moveram a humanidade até hoje. Darwin colheu tudo o que pode da selva e ficou 30 anos montando o quebra-cabeça e então pela primeira vez no mundo sua boca proferiu o nome: Evolução. O meu quadro me levou a balbuciar outro nome: A Matrix/DNA. Darwin teve sorte porque era privilegiado na corte britânica e sua teoria previu várias coisas que foram confirmadas, validando-a. A Matrix/DNA, não sei qual sua validade…

Estas teorias, como a Matrix/DNA, sugere uma grande quantidade de mecanismos e processos na natureza, que nunca se observou antes. E a tecnologia humana foi toda criada imitando o que a natureza faz. Mas acontece que a existência dos filósofos tem outra utilidade pratica. Por exemplo, a minha cosmovisão me presenteou com uma resposta super-racional para a pergunta: Vale a pena viver a vida?

A resposta foi de um tal valor inestimável, basta dizer que vivi super-feliz desde então e hoje se eu pudesse estenderia minha vida o máximo…”

E por mais complexa ou maluca seja uma cosmovisão, ela sempre atrai mais alguns. Estes serão picados pela mosca da resposta, e terão a mesma motivação para viver e serão lucrativos para a humanidade. Portanto, antes de embarcar na onda moderna de dizer que Filosofia e filósofos são inúteis, pense nisso.

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