Ser um intelectual da classe média, na poltrona com ar condicionado, imitando os filósofos gregos… qual o sentido e resultado desta vida?

( texto como comentário num debate de filosofia, não me lembro onde…)

Uma pergunta, Victor: qual o sentido da vida tem um humano que investiu sua vida numa causa que exigia ficar sentado e na solidão, buscando aprender tudo o que se passou de pensamentos, imaginações, resultantes da configurações sinápticas emanadas pela anatomia dos cérebros de indivíduos da espécie humana, sendo que alguns destes pensamentos se materializaram como atos, os quais, no seu conjunto, construiu o quadro atual que ele vê quando caminha na superfície do planeta Terra? Para que? O que ele almeja obter como resultado final deste investimento, se vai morrer fazendo apenas isso e sem terminar de estudar todos? No final, o que vai ser feito de sua mente e toda essa produção acumulada como um tesouro, e o que vai ser deste planeta, e o que vai ser feito desta espécie humana, que foram influenciados pela presença e manutenção deste corpo físico, que viveu como classe media trabalhando em alguma atividade da classe media, formando uma família e gerando filhos, e assim continuando o simples ciclos das gerações e consumindo porções dos ingredientes deste planeta, muitas vidas de outros animais, e parte da energia do trabalho dos humanos escravizados da classe pobre? No ultimo suspiro, se toda sua vida passasse num filme, ele se iria sorrindo satisfeito por concluir que foi um sucesso ou iria chorando por concluir que desperdiçara a vida numa meta fracassada? Qual seria a conclusão final do Universo, da Vida, deste planeta, e até mesmo de alguma possível inteligencia não biológica e não terrestre que possa estar vendo tudo daqui, sobre a existência de tal ser? ,,,,, Hoje estou com 60 anos, vou contar minha experiencia, que pode ajuda-lo a pensar. Na juventude e até os 30, fui ainda mais radical que você nesta meta, pois trabalhava e me divertia menos, não formei família, tudo para sobrar mais tempo para estar sentado, isolado, lendo. Quando saia na rua, o fluxo humano moderno me arrastava, agitando-me, na direção de metas que eu detestava. Aí me caiu um livro chamado “O Lobo das Estepes”, do Hermann Hesse. Gostei e li um segundo dele, “O Jogo das Contas de Vidro”. Foi um choque tremendo. O autor era como nós na vida real e no livro ele buscou racionalizar esse modo de vida. Imaginou um lugar ocupado apenas por intelectuais ricos que passavam a vida estudando e seus debates eram feitos com pensamentos na forma de perolas que eram peças num tabuleiro de xadrez. No fim, na velhice, conclui que aquela vida não faz sentido, tudo com seus camaradas na sua comunidade se resumia a um jogo de xadrez sem sentido e finalidade racional, e ele se suicida. Nos dias que eu estava remoendo este conteúdo, li um livro espirita e nele uma frase: – “Ali, naquela cidade, vivem os desencarnados que na Terra amaram e se dedicaram aos estudos, intelectuais, científicos, literários… alguns ficam fazendo experimentos científicos… Mas acontece com todos, sempre acabam se cansando e nos procuram se temos alum outro lugar, ou alguma coisa mais substancial para fazerem…pois descobrem que não possuem capacidade mental para saltarem às dimensões onde estão as soluções da sabedoria que buscam, que para esse salto é preciso também realizar certas obras físicas, concretas ” …. Eu era alto funcionário do Metro de São Paulo com mil subordinados, tinha carro, uma kitchnete, fazendo a segunda faculdade, e uma firma particular com escritório, mas a maior parte do tempo nas leituras. Larguei tudo, arrumei uma mochila e fui cair vivendo sozinho, vizinho de índios, no meio da selva amazônica, sem livros. Uma guinada total do mundo mental para o mundo do animal irracional lutando pela sobrevivência na natureza bruta, virgem. Mas acho que foi a redução da atividade intelectual que me fez ver e sentir o mundo diferente, busquei microscópio e telescópio simples para ver se aquilo era real, etc. Sete anos depois de ter vivido o inferno, com duas malarias e cheio de venenos no corpo, sai da selva com um pouco de ouro, e com uma nova cosmovisão que precisava gritar ao mundo, alertando que a humanidade está interpretando todos os objetos e eventos naturais tudo errado, e se não mudar-mos o inferno nos espera. Você pode ver algo dessa cosmovisão clicando no meu avatar acima, mas avisado que humanos como eu só temos teorias, temos cérebros e sensores muito limitados, meu conselho é que construas tua própria cosmovisão. Pense na minha experiencia, porque se eu pudesse voltar na sua idade, deixaria de imitar os filósofos gregos que se recusaram a botar a mão na massa e arregaçaria as mangas caindo nessa carnificina deste mundo visando transforma-lo. Mas ser um intelectual de classe media é menos nocivo à vida, à especie, ao planeta, que os outros 95 %, por isso os prefiro. Sugiro apenas que procure meditar no sentido mais amplo da sua existência.

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