O fio da História e seus inúmeros afluentes penetrando territórios misteriosos

O Facebook me pergunta o que estou pensando, nesta pandemia. Respondi escrevendo:

Estou experimentando a mesma sensação incomoda que todos os pensadores revolucionários sentiram nos últimos anos de vida. Todos acreditamos que descobrimos e tocamos o fio da meada da Historia que está enrolado num novelo e puxamos a ponta desse fio que é como a fita de um filme e então ficamos assistindo esse filme projetado dentro da nossa mente.

Sim, o fio da História Natural Universal está no novelo da fita do DNA mas a ponta oculta no meio do novelo não acaba quando chegamos nas cenas da origem da vida, não… a fita continua entrando no passado, passando pelas galaxias, pela nebulosa inicial de átomos e chega no Big Bang. Aí sentimos que ela ainda continua no passado, porem nem a vemos, não a tocamos e ela não projeta mais as cenas. Darwin acreditou que esse fio era a evolução natural, Einstein acreditou que era uma onda de luz, Plank afirmou que o fio era composto de quantas, Newton achou que era uma engenharia mecânica manipulada por Deus, etc. Mas todos viram o fio desde a ultima ponta até algum ponto no passado e não conseguiam avançar mais, então ficaram com a mente ricocheteando entre o Big Bang e o contexto geral do presente, indo e voltando em zigue-zague nessa linha, sem captarem seu significado existencial, sua causa inicial, se ela se estende a um infinito ou teve um começo, etc. E assim todos morrem se sentindo fracassados.

Este é o rotulo na minha testa que vejo quando olho minha cara no espelho: fracassado! E não tens outra alternativa, vais para o tumulo com a etiqueta de fracassado. Está bem, sendo assim, encho minha geladeira com bolos de chocolate e vou para o tumulo com a boca lambuzada de chocolate…iac… iac…
Mas na pandemia descobri algo a mais que não vi nenhum dos meus semelhantes falar qualquer coisa a respeito. Descobri saliências, protuberâncias, situadas ao longo do fio e então puxei estas saliências e fui vendo que eram fios também, como afluentes saindo do grande rio. Seis destes afluentes passados no projetor mostravam cada qual uma das outras seis faixas invisíveis da onda de luz, e cada qual entrava numa mata espessa na qual fui sendo impedido de avançar por tantos penhascos e obstáculos, e quando insistia até o ultimo esforço me via no alto de um vale do qual se descortinava um abismo de luz tão forte que me cegava, não tinha como seguir em frente. Outro fio revelava cenas de seres estranhos, em planetas surpreendentes, e conclui que era o mundo dos extraterrestres, no qual fui cerceado pelas distâncias invencíveis do espaço sideral. Outro fio mostrava cenas de vultos parecidos com humanos mas virtuais, vivendo em camadas circulares acima ou dentro deste planeta, e quando comecei a remar nesses afluentes ouvia vozes avisando que ali era passagem proibida aos encarnados, e ventos fortes batiam nas velas do barco virando-o ao contrario, me jogando de volta no leito do grande rio.

Raios… fiquei perdido, sem saber agora qual é o fio principal no tronco, pois tem afluentes que se alargam mais do que o fio da Historia Natural Material. Será que, como humano e corpo material estou fora do fio central? Cada afluente leva a outros mundos, totalmente misteriosos, meu conhecimento e instrumentos científicos, as imaginações esotéricas e religiosas, nada me ajudam ao tentar investiga-los. Uma coisa aprendi alem do Darwin, do Penrose, etc.: o nosso fio material natural que podemos ver e segurar na mão, pode revelar tudo o que nosso complexo sensorial capta da realidade, mas esse nosso tudo é quase nada da realidade. E não adianta repetir o que fiz no Rio Tapajós, em busca de conhecimento dessa natureza, navegando numa voadeira dotada de pequeno motor e entrando nos afluentes emaranhados de galhos que paravam o motor e eu tinha que descer na água com revolver dentro de saco impermeável amarrado na mão e faca na boca para enfrentar crocodilos, jiboias e onças. Na Amazônia os afluentes sempre morrem em terra firme, no Universo os fios laterais sempre desembocam em nebulosas esvoacentas sem piso sólido, e algumas pequenas informações obtidas nas entradas não conseguimos processar com este cérebro microscópico e primitivo.

Meu fio da historia mostrou tudo, do Big Bang ao Big Birth, que sei será o fim deste universo quando toda sua matéria será descartada como a placenta. Mas a placa que investi toda minha vida procurando, onde deve estar escrito “O Significado da Existência”, está fora deste fio, existem outros muitos fios emaranhados neste novelo, muitos em outras dimensões e com substancias tão inimagináveis que jamais poderia ser encontrada por um rastejante bípede deste planetinha perdido na imensidão cósmica.

Então que vou fazer destes últimos momentos da a minha vida? Chamar dos túmulos meus infelizes camaradas buscadores para chorar-mos junto nossa debilidade e fracasso, ombro a ombro? Ainda não. Percebi também que estes fios misteriosos não apareceram apenas para mim, tem muita gente que chegaram nas portas de saída destes fios, e voltaram narrando estupefatos as estranhezas que viram e sentiram, outros até conseguiram dar uns passos alem destes umbrais. E o que estão narrando – muitas vezes talvez puro fruto da imaginação de cérebros em estados alterados, outras vezes experiencias reais, que precisam serem investigadas pelo método cientifico com novos instrumentos – vem me ajudando a lapidar meus modelos atômicos, cosmológicos, vitais, etc., com logicas racionais, incríveis. O Youtube está sendo invadido por essa multidão, na maioria pessoas simples, uns relatando retorno de morte clinica, outros relatando visões e até contatos com extraterrestres daquele fio que sai como afluente do fio principal, outros inclusive realizando proezas com olhos que veem como raio-X os nódulos em volta das minhas vértebras!

Sinto que o conhecimento é um oceano imenso, do tamanho do Cosmos, e que com investigação tecnológica nós humanos começaremos a navegar mais profundamente neste oceano. Então, me deem licença porque tenho agora que voltar ao trabalho que vai ficar comigo até o ultimo momento que eu chegar na frente do caixão que vai levar este corpo para a escuridão… porem onde poderei ver saindo do mesmo corpo outro fio lateral levando minha mente para outro misterioso lugar… É possível,… ou não.

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