Estranha experiencia desativando a respiração automática e comendo ar, no sonho.

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Não tente esta experiencia, pois pode produzir sofrível pesadelo e pode ser perigosa. Vou registra-la para recordar,  refletir no assunto, e arriscar repeti-la.

Deitado na cama e pensando no insolúvel mistério de como surgiu a matéria organizada em sistemas como são nossos corpos, neste mundo inicialmente caótico, e chegando a pensar no meu corpo como evolução dessa extraordinária e misteriosa  engenharia, me imaginei fora do corpo para tentar entrar no cérebro e operar os comandos, como um operador de maquinas entra na cabina de um guindaste e opera o braço e a “mão/caçamba” do guindaste. Mas para manter este corpo/maquina funcionando não basta apenas liga-lo e ficar girando o volante, puxando alavancas, seria preciso realizar milhares de operações simultâneas, como a respiração, circulação do sangue, etc. Me perguntando como seria operar a respiração de forma manual, me veio uma imagem inusitada: o humano tendo que colher ar branco numa caneca e toma-lo, fazer um gargarejo dentro do tórax rebolando o bumbum sacudindo os pulmões, e vomitar ou assoprar para fora o gaz carbônico na cor amarelada. Comer ar seria um alimento delicioso, indispensável e irresistível como uma droga, livre a vontade na atmosfera, porem, tendo que ser repetido a cada 30 segundos. Se não houvesse a capacidade do cérebro de fazer exatamente isso automaticamente e, ao mesmo tempo, realizar outras milhares de tarefas, estaríamos perdidos. Nada mais poderíamos fazer senão com a canequinha na mão colhendo ar da atmosfera, levando na boca e assoprando para fora. Nem mesmo poderíamos falar, não daria tempo para pronunciar mais que uma palavra em cada intervalo da respiração.

Assim fiquei por alguns minutos me imaginando com a canequinha catando ar no ar como quem caça borboletas. Forcei sentir na boca o sugamento forçado do ar, o chacoalho forçado do corpo para fazer o gargarejo no tórax, mexendo os pulmões, e soprando, vendo um gaz carbônico meio repugnante amarelo-esverdeado saindo da boca.

Passatempo maluco, ou o jeito que filósofos naturalistas matam o tempo ocioso. Eu me sentia como um fantasma dentro da cabine do cérebro movendo alavancas, dirigindo, apertando botoes. Teve uma hora que enquanto passava a canequinha no espaço uma mosca apareceu na frente da caneca eu até buzinei forte com raiva para ela sair do caminho.

Nisso, sem estar com sono, fui apagando e começando a sonhar. Como em todo sonho eu estava em algum lugar, uma cidade, com várias pessoas ao redor, me movendo, conversando, etc. Mas ai começou o pesadelo. Cada vez que na respiração eu inalava ar, produzia-se um som de ronco horrível na minha garganta e tórax, do ar passando (por estar mais próxima dos ouvidos, os ruídos na garganta quando o ar e a comida passa deve realmente ser mais forte que o roncar da barriga, mas não sei porque, não o ouvimos… Algum cientista já se perguntou isto?). Em seguida me sentia meio sufocado e cuspia ar, ou gas carbônico, com dificuldade produzindo borbulhas de saliva que me escorriam pelo queixo. Isso começou quando eu caminhava numa rua movimentada e procurei me esconder, me afastar das pessoas, que se irritavam com meu ronco e faziam caretas de estranheza me olhando. Uma motocicleta ambulante de carne e osso?! Eu sentia que tinha de forçar, permitir a nova entrada de ar, mas queria impedir por causa da dificuldade, dos barulhos, etc. E não conseguia parar aquilo. Parecia demasiado real, naquele momento estava num mundo real, não num sonho.

Felizmente acordei. Fiquei bom tempo ainda na cama me perguntando qual a causa do pesadelo, como ele se produziu justo quando eu, conscientemente, pensei em operar minha maquinaria da respiração. Estaria o meu cérebro me aplicando uma lição, saindo fora do controle e me deixando a fazer o serviço todo, manualmente? Alguns minutos e sem sono voltei a dormir outra vez e o mesmo pesadelo voltou! Quando acordei pensei: “Não… isso não é de se jogar fora! Duas vezes a mesma experiencia repetida? Não pode ser mero sonho e mero acaso, acasos não se repetem iguais. Entao porque isso acontece?!”

Sera que sem querer toquei mexendo no inconsciente que processa estas operações automáticas? Que o derrubei, e quando derrubei o inconsciente, ou seja qual for a região do cérebro, sai da vida consciente despertada também para entrar na dimensão do sonho? Sera possível isto acontecer de fato? E no sonho tive eu mesmo que fazer o serviço da respiração, porem aí notando que não é apenas comer e soprar, mas sim outras operações como inibir um ruído que deve existir normalmente, mas não se escuta, e outra operação para evitar a salivação incomoda? Raios,… pensando nisso vamos percebendo como o cérebro realmente tem que ser incrivelmente complicado… e quantas operações ele faz para melhorar nossa existência!

Quis o meu inconsciente, ou cérebro, me dar uma lição? Ou ele foi derrubado realmente do comando da respiração, e, para me salvar me levou para o sonho onde a consciência entra em serviço, mas na sua forma manual? E por isso dormi sem ter sono?!

Mais outra questão intrigante: o que é sonho?

Quer dizer que com parte do cérebro, ou do inconsciente, derrubados, sobrando apenas a consciência, nos não podemos viver acordados, apenas existimos no estado de sonho, onde a consciência arregaça as mangas e entra em serviço?

?!?!?!

Entao quem mexe meus dedos no teclado com intenção mental de fazer um trabalho fora dos trabalhos do sistema nervoso parassimpático, não é minha mente emitindo uma força de comando dentro do cérebro para iniciar impulsos químico-elétricos, e sim meu inconsciente? Sim, porque a consciência só serve para dar sugestões fantasmas quando tenho que tomar decisões e ficar livre tresloucada num mundo misto-real, misto-não-real, onde ela reina?

E imaginar com a canequinha colhendo, comendo, cuspindo ar, faz o cérebro ficar sem auto-controle, e surge esse revertério todo?! E se quando acordar o cérebro não voltar mais a assumir essa operação da respiração? Aqui esta o risco de repetir a experiência.

Mas como nada tenho a perder na vida e a busca do conhecimento acima de tudo, vou repetir a experiência na primeira nova oportunidade… isso tudo pode me levar a grandes novas descobertas sobre cérebro, inconsciente, sistema nervoso, consciência, etc. Mas espero que não entre muitas moscas na frente da caneca… para não ter que ficar buzinando…

 

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