O Fixismo das Espécies e o dos Astros: os Dois Grandes Êrros Eliminados Por Mim e Por Darwin

A questão da origem das espécies estava em grande discussão desde o final do século XVIII, porque para muitos pesquisadores da época, as evidências apontavam contra o fixismo das espécies – que era a ideia, até então vigente, de que as espécies surgiram e sempre permaneceram da mesma forma, sem nenhuma mutação. Na época atual a questão da origem da vida encontra-se em grande discussão e apenas nos meios acadêmicos ainda não foi solucionada porque os pesquisadores ainda acreditam no fixismo dos astros – e portanto da Terra onde a vida surgiu – ou seja, acreditam que os astros surjam e permaneçam da mesma forma, sem nenhuma mutação.

Como uma das consequências nefastas da crença no fixismo dos astros, a reduzida atmosfera aplicada na produção de aminoácidos oculta variáveis que não permitem a tais aminoácidos sua manutenção, perpetuação e desenvolvimento da complexidade.

Os aminoácidos são como os tijolos de barro e cimento para a construção de uma casa. Mas os aminoácidos de Miller e Urey não conseguem sair da pilha da fábrica em que foram feitos. Quanto mais se auto-organizarem de maneira que resultem nas divisões de uma casa, como salas, banheiros, cozinha, quartos, corredores. Ainda mais: a evolução fêz dos aminoácidos os tijolos não apenas de uma casa mas sim de um edifício de muitos andares, com o agravante que os primeiros andares contem coisas simples porque destinados aos empregados, mas à medida que se vai subindo os andares vão sendo dotados de coisas cada vez mais complexas. A ponto de, quando mse chega nos andares superiores, onde habitam os senhores, a complexidade é estonteante, contendo desde microondas a computadores e campos de pouso para helicópteros.

Porque os tijolos feitos pela estratégia de Oparin não se movem da fábrica?

O fixismo das espécies foi uma crença que dominou por três a quatro mil anos mas finalmente derrubada pela descoberta da evolução e da genética, graças principalmente a Darwin e Mendel. Eu penso mesmo que o que Miller e Urey fizeram não foi provar que a vida pode vir da não vida, mas sim justamente o contrário; tal como Pasteur fêz, provando a impossibilidade da geração espontânea, aquela experiencia provou a impossibilidade do inanimado criar o animado. Os aminoácidos não saem da fábrica porque são inanimados, ainda.

Na minha cabeça de leigo e subdesenvolvido semi-macaco da selva, mas muito curioso ladrão de livros na cidade, não conseguia compreender esse idéia dos civilizados de que existem coisas inanimadas na base de um processo de evolução. Pois a natureza selvagem transpira vida, tudo ali tem vida, o céu é mutante, ora límpido, calmo e tranquilo com apenas algumas nuvens sonolentas movendo-se ao longe,  ora raivoso emitindo trovoadas. Coisas inanimadas apenas existem quando se apartam dos sistemas a que pertencem, como as folhas sêcas, os galhos quebrados no solo,  os ossos esparramados pelas campinas, as pedras sôltas no caminho. Portanto o planeta não pode ser algo inanimado, fixo, que surgiu pronto e que permanece sempre com a mesma forma.

Os aminoácidos de Miller não são os aminoácidos que foram usados pela vida para se construir a si própria. E a atmosfera de Oparin baseada num mundo fixo não pode produzir os aminoácidos que são movidos da fábrica por uma organizador que planeja os ambientes do edificio. Mas tudo se resolve sem se apelar a deuses e acasos mágicos se imaginarmos talvez a idéia mais símia e maluca de todos os tempos: os astros como a Terra estão sujeitos a mudança de formas ao longo de suas existências e as formas produzidas nestas mudanças, se combinadas e organizadas, fazem os tijolos se auto-organizarem na forma de edificio com andares cada vez mais complexos. Basta transformar o planeta morto em planeta semi-vivo: sujeito a um ciclo vital.

Parece petulância quando digo que Darwin e eu resolvemos o problema. Para começar, que alguem se coloque ao lado do gigante Darwin, já seria muita pretensão. Por isso fiquei calado 30 anos aguentando esta batata quente sózinho, aliás, como também fêz Darwin com mêdo de publicar sua idéia maluca. Mas o qie posso fazer? As evidências demasiadamente acumuladas se tornam uma fôrça incontrolável. Afinal foi Darwin que sugeriu que vocês civilizados vieram dos selvagens, iguaisinhos ao que me tornei em sete anos na selva. A questão da evolução das espécies era uma questão no patamar superior, enquanto a questão das origens da vida ficara lá atrás nos patamares inferiores da História. Sómente alguem de lá – ou alguem daqui regredindo até lá – poderia ter a inspiração correta para resolvê-la.

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