Serra Pelada: A Financiadora de uma Nova Visão do Mundo

Louis Charles Morelli – Feb, 13 2014

Nós trabalhamos muito para construir em Serra Pelada a cidade que não tínhamos lá fora mas as imensas dificuldades acabaram nos vencendo, principalmente quando à água da época das chuvas se juntou à água que brotava do lençol freático e transformou a cava num lago. Nem todos estavam ali por causa do ouro, eu por exemplo cheguei em 1983 montando uma lanchonete que me sustentava fazendo minhas pesquisas na selva. Construímos uma escola sustentando-a por um ano alfabetizando 700 adultos e depois chegou a ter 1.200 crianças. mantemos um hospital fazendo shows nos finais de semana, asfaltamos uma rua, trouxemos energia de uma sub-estação a 40 km, fizemos cinema e área de TV públicos, uma cooperativa, tudo na base de voluntários sem qualquer ganho. Me dá enorme tristeza ver a Serra como está hoje, porque em nossos planos e sonhos víamos uma cidade auto-suficiente quando o ouro terminasse…

Alô, Pato Rouco, Índio… lembram-se de mim? O Luis, professor da lanchonete Imperatriz, do Conselho Fiscal, etc? Muito bom saber que estão vivos e com saúde, vou tentar fazer-lhes uma visita. Vamos tentar recuperar aquela garra da juventude e levantar isso de novo? Grandes saudades, melancólicas lembranças…, Me disseram que encontraram toneladas de ouro onde era meu terreno da lanchonete, é verdade? Raios, fiquei 7 anos dormindo em cima do tesouro sem saber…  Ah… visite meu website (http://theuniversalmatrix.com) e veja o que eu estava buscando quando sumia por meses dentro da selva…
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Serra Pelada: Sonhos dourados, Fatos opacos

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Serra Pelada – A lenda da Montanha de ouro  – Davidson Melo

Louis Charles Morelli – feb, 13 – 2014

De uma testemunha que viu e viveu em Serra Pelada na epoca: Davidson Melo, excelente trabalho, retrato fiel do ocorrido. Talvez seja interessante conheceres algo mais dos bastidores, sobre a diferenca de ideologias (desculpe a gramatica, uso um keyboard em ingles). Conheci o Curio em Brasilia quando eu trabalhava para um deputado e o Curio era deputado com gabinete na frente do meu, por volta de 83. Eu ja era mateiro, pesquisando sistemas naturais,,e vindo da selva passei em Serra Pelada, fui ficando, fiz um projeto para desenvolvimento do garimpo com cooperativa, cidade e area Agricola, entreguei para a administracao do SNI e como retribuicao me deram uma concessao para montar um comercio a 300 metros da cava. A diferenca de ideologia comecou quando fiz uma escola com meu dinheiro e 30 voluntarios para ser gratuita na alfabetizacao dos garimpeiros, e eles tentaram impedir. Eu jamais teria dividido a cava em poucos proprietarios e o resto como empregados (capitalismo), teria dividido cada barranco em iguais partes sociais para todos que nele trabalhavam (socialismo). Dei a ideia numa reuniao para liberar-mos o garimpo as mulheres com a intencao de tornar aquilo uma cidade normal. No documento `a juiza de Maraba tambem pedi que se liberasse a venda de bebidas pois a lei seca produzia o contrabando que estava criando quadrilhas como criou o Al Capone nos USA. O Curio diz que ai comecou a degeneracao, ele tinha a mentalidade militar de manter aquilo como um quartel ou campo de concentracao. Mas com o espirito socialista nos fizemos voluntariamente muito do que faltava: uma prefeitura encarregada de coleta de lixo, distribuicao de energia electrica, a escola gratuita com 1200 criancas, a manutencao de uma enfermaria hospital, da cooperativa, etc.Era tudo feito com voluntarios, sem ganhar um tostao, ao contrario, nos punhamos o dinheiro, o lucro do meu comercio, para sustentar as instituicoes.Tive que sair de la em 89 (ameacado de morte), nunca mais voltei, mas o que nos venceu foi as constantes paradas pelo governo, algumas quadrilhas de proprietarios, e a agua do lencol freatico. Nosso sonho era deixar uma cidade auto-sustentavel quando o ouro terminasse, uma area industrial, muito minerio. Mas socialista, nao comunista como dizem que queriam os guerrilheiros que o Curio combateu.). E outra coisa: grandes herois defensores da lei, da constituicao, e incorruptiveis, foi a policia federal, onde o apoio do Romeu Tuma, do director Edson Rezende, sempre nos suportou no trabalho no aspecto social. Se voce quer saber o que eu estudava na selva veja meu website http://theuniversalmatrix.com . Abracos…
Aprende-se porque o Brasil não funcionou nos 500 anos dessa dominação por famílias colonialistas mirando-se no exemplo de Serra Pelada. Era uma maquina onde tudo funcionava. Porem, uma maquina exatamente ao contrario do que é um sistema natural.  Fui empossado como uma especie de prefeito, tentei aplicar a logica aprendida na universidade de administração, mas logo percebi que numa maquina ao contrario, onde todas as peças são defeituosas, elas se encaixam e funcionam porque o defeito de uma se encaixa no defeito da outra, e assim sucessivamente. Em tal sistema, se tentas por uma peça normal, milimetricamente planejada, a maquina toda estrebucha, ameaça parar até expulsar a peça perfeita. Como foi feito com Jesus pelo sistema bruto e corrupto daquela época. O sistema de abastecimento de água era um bom exemplo. Fonte de muito lucro pois os barracos gastavam água 24 horas nas maquinas, as ruas eram atulhadas de canos plásticos que vinham de alguns poços cujos donos cobravam caro e cheia de micróbios, espalhando doenças. Mas ao lado havia uma montanha e no pico dela jorrava água límpida, então planejamos trazer a água por força da gravidade e abastecer gratuitamente a aldeia inteira. Mas quando apresentamos o projeto recebemos ameaça de morte dos proprietários ( “Olha aqui, ô mocinho da cidade, nós estamos aqui desde o começo, isto é nosso, não venha querer mudar nada aqui que você amanhece com a boca cheia de formigas… eram os bilhetes enfiados na minha porta) . Assim era com a energia fornecida por geradores particulares, com bombas hidráulicas na cava, com as concessões exclusivas para lucrativos comércios, etc. Meus 10 projetos resultaram em 10 ameaças, tinha-se que posterga-los. Assim era o Brasil, uma maquina imperfeita dominada pelas quadrilhas tradicionais, cujo exemplo era o micro-cosmos de Serra Pelada. Muitas situações ali eram lições para se pensar e entender as sociedades humanas. Certa vez havia de 40 a 50 mulheres viúvas dos que morriam, cheias de crianças e sem teto, pedindo na prefeitura, então pegamos um caminhão, fomos na serraria, trouxemos a madeira e fizemos 50 barracos na praça publica, com uma dependência para quarto/cozinha e outra aberta para se fazer uma feira publica. Muitas delas conseguiram comprar casas fora de lá, mas logo vieram os contras do comércio estabelecido e começaram a depredar os barracos a noite, tive que botar um guarda noturno, o qual foi atacado… Chegaram a botar areia nos tubos das bombas nas balsas tirando água do garimpo, para a cava encher de água, mas atuavam como coiotes na escuridão da noite… se suspeitou da Vale do Eliezer Batista, apenas suspeitas. Saí de lá com menos dinheiro do que levei, mas se  é verdade que estamos neste mundo para desenvolver o conhecimento de nossas supostas almas, ali foi um manancial de aprendizagem para entender o macrocosmos Brasil.

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